quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Vidas secas
Começo "Vidas Secas", livro de Graciliano Ramos. É um livro muito conhecido, claro. Do autor, só tinha lido "São Bernardo", que li duas vezes. E gosto muito. Comecei a ler "Vidas Secas" há alguns anos e não lembro porque não fui até o fim. Lembro que gostei do que li, especialmente do capítulo em que o cachorro precisa ser sacrificado. É uma agonia. Não estou estragando nada, porque de fato não sei o que acontece a seguir (espero que o cachorro se salve). Primeiro livro de 2010. Creio que começo bem.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Adriana
Adriana Esteves, que sempre foi boa atriz, está extraordinária em "Dalva e Herivelto". Aliás, essa minissérie é uma daquelas boas coisas que aparecem na TV de vez em quando.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O que deu pra ver
Aproveitei o período de festas pra comemorar vendo alguns filmes. Deu para diminuir um pouco meu monumental atraso. Vi alguns muito bons como "O Lutador", que me fez chorar feito uma criancinha com aquela relação pai e filha do Mickey Rourke (que está excepcional em cena) e Evan Rachel Wood. De quebra ainda tem uma Marisa Tomei em ótima forma (física, sim, mas também num bom trabalho de atriz). Gostei também de "Foi apenas um sonho", que reúne Leonardo DiCaprio e Kate Winslet pela primeira vez depois de Titanic. O filme é muito interessante sobre um casal que tem sua vidinha no subúrbio, filhos, um trabalho normal, mas sofre porque ambos gostariam de ter feito algo mais da vida (pensei em minha própria vida, claro). Quando surge a idéia de largar tudo e parece que finalmente vão fazer algo extraordinário, as coisas se complicam até um final trágico. Outro filme que achei que vale a pena é "Inimigos públicos". É da grife Michael Mann, o diretor de coisas bem legais como "Colateral" e "Fogo contra fogo". Confesso que não morri de amores (como 10 entre 10 críticos que se derreteram), mas também não digo que seja um filme menor. Tem momentos inspirados na caçada do policial Christian Bale ao charmoso e bem intecionado bandido Johnny Depp, apesar de me parecer tudo meio frio. É totalmente outro estilo, mas gostei bem mais de "Star Trek", a re-imaginação da famosa série por J.J.Abrams, é muito divertido. Fora Star Wars, não sou fã de filmes de batalhas no espaço, mas abro uma honrosa exceção para este trabalho do criador das séries "Fringe" e "Alias", além da direção do episódio 3 do filme "Missão Impossível". Nesse período de recesso, vi ainda "O Terminal", filme de Spielberg que traz o personagem de Tom Hanks preso num aeroporto americano, porque seu país sofre um golpe de Estado. Spielberg tira leite de pedra e faz um drama nada banal. Nem tudo que Tom Hanks faz me agrada, porém, quando bem dirigido, ele já mostrou que pode oferecer interpretações bem interessantes. Foi bem menos legal que eu esperava a seqüência de "Os Normais". O primeiro filme com Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães era algo engraçado, escroto e ampliou o que já era legal de ver na série exibida na TV. Essa segunda parte não consegue ter o mesmo bom resultado (os números musicais são o que há de melhor no longa). Assisti a "A proposta" pra ver a Sandra Bullock nua. Mas só um bestalhão como eu acha que vai ver alguma coisa nessas comédias românticas sem sal nem açúcar. Até a novela das oito mostra mais nudez que aquela que Sandra apresenta em cena. Se o filme, pelo menos, fosse bom... (a propósito, a melhor comédia romântica que vi nos últimos tempos se chama "500 dias com ela"). Teve ainda "Até o fim", filme de 2001, anunciado como tendo feito sucesso em festivais como o de Sundance e Cannes. Poderia ser um suspense interessante, mas é só perda de tempo. O filme documentário "Coração Vagabundo", que segue a turnê internacional de Caetano Veloso, não me impressionou. Serve mais como curiosidade sobre um personagem conhecido do showbiz nacional, que tem fãs até no japão. Gostei de rever o "Homem de Ferro" do Robert Downey Jr., um filme que confirma a boa impressão que tive no cinema. É conciso, sem firulas, e tem Downey Jr. em ótima forma, recussitado dos mortos. Gostei bastante de rever "Cães de aluguel", do Tarantino. Não lembrava mais que Tim Roth era o policial infiltrado na gangue de assaltantes. Sou fã de Tim Roth. Esse filme traz um elenco tremendo: Harvey Keitel, Michael Madsen, Steve Buscemi e o próprio Quentin Tarantino. Tem aquela montagem toda recortada, já típica do diretor, cheia de flashback, idas e voltas. É um filme todinho feito para se chegar àquele final arrasador, quando Roth, numa poça de sangue, fala a Harvey Keitel, quem ele é realmente. Um negócio tremendo.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Avatar
2. Não acreditava que tudo em Pandora é criação digital, isso é realmente de cair o queixo. A história é uma grande aventura à moda antiga apesar das centenas de milhões gastos em efeitos de última geração.
3. Apesar da propaganda toda, não fiquei à vontade com o 3d. Tive a sensação de que não perderia nada em uma cópia normal, em 2d.
4. Em geral, não dou muita bola para histórias de guerra e também tenho dificuldades com filmes que usam bonecos digitais que substituem atores. Essa técnica evoluiu muito, mas até conhecer Avatar eu virava a cara. Cameron soube manter expressões de seus atores, intrepretação, trejeitos, tudo de uma maneira que pareceu bastante natural e convincente.
5. Fui ver quem era a Na'vi fêmea que faz a mocinha da história. É a atriz Zoe Saldana, que faz também Star Trek (e ela é uma lindeza).
6. Não que ela esteja ruim, mas confesso que esperava mais de Sigourney Weaver, uma atriz que adoro. E o Sam Worthington, que já havia visto em T-4, confirma o bom trabalho e nessa linha promete coisas bem boas no cinema.
7. O filme funciona bem, apesar do blá blá blá ecológico (achei muito bobo esse recheio, um dos poucos pontos fracos de um bom filme). Sorte que o longa compensa esse traço politicamente correto com uma história bem contada, orgânica, que empolga.
8. Ao contrário de muita gente, gostei do vilão. É típico, é caricato, mas é um ponto de contraste forte para o herói. Mesmo sendo uma repetição de uma dúzia de vilões iguais de outros filmes.
10. Ok, o filme também é a repetição da mesma história de sempre (ou do tempo em que se faziam boas aventuras). Não é um filme que se esquece quando as luzes acendem. Isso é veneno de crítico mal-humorado.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Sossego
Assim como minha amiguinha Flávia, eu tenho acordado no meio da madrugada sem motivo desde a última semana. Ela acha que é ansiedade. Pode ser. Tantas coisas aconteceram nesses dias. Fizemos um evento grande no sábado. Tive outro na sexta à noite. A semana foi toda corrida. E a cidade está aquele inferninho de gente, carro e pressa. Como diz o Tim Maia, quero agora um pouco de sossego. E me preparar, com a baba escorrendo no canto da boca, pra ver o "Avatar" de James Cameron. Depois do Natal, a gente conversa sobre isso.
Farra na cozinha
No domingo convoquei minha pequenina para uma diversão gastronômica. Ela podia escolher o que queria para o almoço e faríamos juntos pela diversão. Ela só precisaria vestir seu pequenino avental e ocupar a cozinha com o pai. Sua escolha me agradou também: Lazanha à bolonhesa. E para brincar, claro, teríamos geladinhos de maracujá e coco de sobremesa. Eu queria fazer tudo juntinho com ela, desde comprar os ingredientes no mercado. Ela pediu para pular essa parte. Ok, fui sozinho às compras e a deixei em casa vendo os mutantes do X-Men socando homens maus (era o segundo e ótimo filme da série, dirigido por Bryan Singer). Quando voltei, era hora de preparar as coisas. Foi muito bom vê-la trabalhar com afinco; lavar o que precisava, sujar outro tanto de coisas, opinar sobre Deus e o mundo (putz, como ela fala quando está feliz!)... Foi uma farra. E tem mais, ela também escolheu o repertório da trilha sonora: forró (teve minha aprovação total), Chico Buarque (ok, eu influenciei nessa escolha) e, por fim, Ivete Sangalo no Maracanã. Nada me desagradou nesse domingo. Poder explorar o trabalho infantil ao arrepio da lei é bom demais.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Pesadelo
"Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir."
Lembro esses versos de Fernando Pessoa, porque tive hoje um desses pesadelos terríveis. Pois é, tenho pesadelos com constância desde criancinha. Há uns bons dois anos, no mínimo, já não sabia o que era isso. Hoje ele veio com tudo. É mesmo terrível e sempre igual: estou passando por algo incômodo ou assustador e fico imóvel - não posso movimentar um único músculo, apesar de todo esforço. Parece que a respiração não funciona. E, pior, Eloá não estava ao meu lado. Acordei ainda pesado de sono, mas sem coragem de voltar a dormir, porque temia voltar ao pesadelo. Eloá tinha ido cedo pro vôlei. Estava sozinho em casa com minha filha, que dormia no quarto dela. Que fazer? Levantei cheio de sono e fui para a internet, a melhor amiga de todos nós.
Nem na morte espero dormir."
Lembro esses versos de Fernando Pessoa, porque tive hoje um desses pesadelos terríveis. Pois é, tenho pesadelos com constância desde criancinha. Há uns bons dois anos, no mínimo, já não sabia o que era isso. Hoje ele veio com tudo. É mesmo terrível e sempre igual: estou passando por algo incômodo ou assustador e fico imóvel - não posso movimentar um único músculo, apesar de todo esforço. Parece que a respiração não funciona. E, pior, Eloá não estava ao meu lado. Acordei ainda pesado de sono, mas sem coragem de voltar a dormir, porque temia voltar ao pesadelo. Eloá tinha ido cedo pro vôlei. Estava sozinho em casa com minha filha, que dormia no quarto dela. Que fazer? Levantei cheio de sono e fui para a internet, a melhor amiga de todos nós.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Fringe
Ok, me rendi a "Fringe", a série do J.J. Abrams, o criador de "Alias" (muito legal) e "Lost" (zzzzzz...). Comecei gostando muito de "Fringe", depois fiquei na fase desconfiado. Agora, depois de uma dúzia de episódios (a maioria intrigante e crescendo a cada novo episódio), estou totalmente seduzido. E Dexter, hein? Comecei a ver a quarta temporada e, putz, esse primeiro capítulo é compatível com o alto nível que essa série alcançou. Sem decepções, o que é bastante coisa. Muito bom ver que o tempo passa e Dexter continua top, um dos melhores seriados exibidos na TV hoje em dia.
Lolita - a de Kubrick
Não resisti. Faltando ainda um pedaço (pouco mais de 60 páginas) de Lolita, corri à locadora esse fim de semana e fui ver a versão cinematográfica de Kubrick. Não recomendo fazer isso. A gente está tão imerso na obra escrita que não é possível se distanciar suficientemente para ver o filme sem contaminação. Todo tempo o livro vinha à tona para uma comparação automática, inevitável e incômoda. Não há como dizer que o filme é ruim. Não é. Mas é uma outra coisa. Por mais que Kubrick tenha seguido o fio de Nabokov (e o próprio autor russo escreveu o roteiro), ainda assim é nítido que o livro é bem diferente do filme. O livro é mais complexo, mais perturbador. O filme tem qualidades, claro, e o quarteto central do elenco é um dos pontos bons. Porém, um elenco que conta com alguns ótimos atores, também pode ser uma faca de dois gumes. Peter Sellers, por exemplo, faz o antagonista, é um ator cheio de recursos, mas não sei dizer se fez bem ao filme. No livro, seu personagem tem uma passagem discreta, pequeníssima. No filme, ele se agiganta. É uma deformação e tanto do original. Entendo que as elucubrações do personagem Humbert Humbert, sua mente pervertida, não pode ser tão bem aproveitada na tela. O cinema é imagem em movimento, é ação. Perde-se com isso o melhor do livro de Nabokov que é a expressão de uma personalidade refinada e doentia em toda sua complexidade. O ator James Mason, que faz o Humbert, se esforça, mas o caminho escolhido por ele leva o drama do professor de literatura em outra direção. Outro ponto: no filme, a questão sexual evapora e dá lugar a um drama de amor e obsessão. Sem o conhecimento prévio do romance de Nabokov o filme fica menos interessante. Não digo que o talento do cineasta não se veja no longa, vê-se. E as cenas mais intimistas são algumas das melhores. De toda sorte, não me fará mal (nem à obra de Kubrick, que é um dos meus diretores favoritos) que eu volte a este filme depois. Revisitá-lo, sem ter cada frase do livro ainda ecoando na cabeça, permitirá olhar para o filme e conseguir enxergá-lo. Assim espero.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Pacote de maldades
Filhos, melhor não tê-los. Vinícius estava muito certo nisso (e também quando fala que o uísque é o melhor amigo do homem). Filhos são um problema eterno. Eu fui criado debaixo de muita porrada. E cresci um rapaz bom, respeitador, zeloso, tímido e com esse encanto natural. Todas as coisas pérfidas e escrotas da minha natureza, aprendi a manter guardadas no lugar certo e reservar às ocasiões apropriadas. Enfim, me tornei uma pessoa saudável e integrada. Por isso, não entendo bem essa política certinha de não poder - sob as circunstâncias certas - descer o braço num filho endiabrado. A minha pequena flor trouxe da escola outro dia um lista de queixas da professora sobre o seu comportamento. Dizia a professora que a pequena está impossível, não obedece, não pára quieta, conversa mais que o devido (e nas horas erradas), influencia mal os colegas. O problema de maior gravidade, entretanto, foi uma troca de cartas com um pequeno infante. Cartas de amor, subtendido pelos desenhos de coração e frases como "eu te amo". Meu primeiro impulso foi dar uma boa sova. Daquelas do tempo do meu pai. Mas aí tem esses tempos modernos que não acomodam as soluções mais eficazes para enquadrar menores infratores. Por isso, resolvi inaugurar um pacote de maldades e apreciar o seu efeito. Entre os tantos itens, está um que fala mais forte aos bons tempos que não voltam mais. São páginas diárias em que minha flor deve escrever dezenas de vezes a mesma frase: "Eu prometo que vou me comportar na escola". Meu pacote também inclui, claro, suspensão por tempo indeterminado de TV e internet. No primeiro dia depois do pacote, a professora disse que a menina parecia um anjinho na sala de aula. Mas calma. Ainda é cedo para se animar com o efeito do remédio. Se o pacote de maldades não funcionar, tudo bem. Posso me entregar, sem culpa e sanguinariamente, à tarefa de descer o sarrafo na criatura verticalmente prejudicada. E assim seremos todos felizes para sempre.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Francês
Comecei bem devagar uma paquera com o idioma francês. Estimulado, claro, pelo entusiasmo de Eloá. E também pela leitura de "Lolita". Sim, Lolita. O autor é russo, escreveu sua obra em inglês, mas o que não faltam são expressões em francês em seu livro.
Recolhimento
Estava avistando coisas sobre Vladimir Nabokov. E cheguei até a notícia de que seu filho vai lançar uma obra sua inédita. Chama-se "O original de Laura", um livro que Nabokov não terminou e deixou indicação expressa de que deveria ser destruído. Claro, estava preocupado com seu nome. Essa conversa me conduz a uma notícia que vi mais cedo. Gerald Thomas fala em parar com as peças e diz algo interessante a esse respeito. Ele recorda que muito artista não sabe a hora de sair de cena, que depois que você chega num pico, vira um repetidor de si mesmo. "Acho meus últimos trabalhos péssimos", diz. Thomas é um cara bastante prolífico. (Acompanho com interesse seus pronunciamentos, textos e polêmicas - não suas peças. Vi um único esptáculo dele aqui em Salvador em eras priscas, com o Ney Latorraca na frente do elenco. Me lembro de ter gostado da cenografia, assinada por Daniela Thomas, a parceira de filmes de Walter Sales). Essa inquietação do Gerald Thomas é sempre bem-vinda. É mais negócio ficar com as melhores obras de determinado autor do que testemunhar sua decadência, seu caminho em direção ao deserto da criatividade.
E Nabokov estava certo. Se a obra é ruim, melhor mesmo nunca ver a luz do dia.
E Nabokov estava certo. Se a obra é ruim, melhor mesmo nunca ver a luz do dia.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Rubem
Talvez o melhor escritor do mundo para o meu paladar de garoto: Rubem Fonseca. Ele está com novo livro na praça, "O Seminarista". Que fazer? Apenas correr desembestado à livraria, ora.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Assado
Então voltei a um assado este fim de semana. Cupim (meu preferido) e costelas, que são boa companhia em qualquer estação do ano. Nos dois casos, temperei apenas com sal, alho e azeite. A costela ficou mais salgada que o cupim. Deixei quatro horas no forno pra descobrir que não precisava tanto. O fato é que Eloá elogiou, o que me valeu o esforço (ok, valeu o meu dia inteiro). Acompanhei com macarrão e molho de tomate tradicional feito em casa. Tudo muito simples e gostoso. Quem sabe na próxima semana eu desencanto o molho béarnaise que tanto quero fazer?
Cuide de você
A "culpa" certamente não é apenas de minha nova cunhada. O fato é que ver a exposição "Cuide de você", da francesa Sophie Calle, neste domingo, rendeu uma noite de discussões bem interessantes. Fomos em casalzinhos, eu e Eloá, de um lado, meu irmão e sua quase esposa, a suíça mais simpática de que tenho notícia - desde a minha adorável professora Liv. (Poucos nomes é ótimo negócio para uma conversa discreta.) Teríamos ido ver a exposição de Sophie de qualquer maneira. Mas duvido muito que tivéssemos levado o assunto a tal ponto e em tal extensão. Minha nova cunhada é artista plástica e se deliciou em provocar todos sobre a exposição e, mais ainda, sobre arte propriamente. Alguém pode imaginar que foi um papo chato e teórico sobre coisa nenhuma. (Sob certo aspecto pode até ter sido teórico, mas nem um pouco chato.) Foi uma conversa agradável e entrecortada por casos curiosos sobre os dois - meu irmão e ela - como se conheceram, por exemplo, em Paris, exatamente durante uma exposição de arte. Essas conversas de bar, após um programa cultural, nós sabemos como funcionam. Há casos leves e piadas salpicadas no meio de todo o papo. O que desmonta a possibilidade de uma sala de aula fora de lugar. Ninguém se levou tão a sério a ponto de querer falar verdades sobre as coisas. E a cerveja ajudou a digerir palavrões inevitáveis como "arte contemporânea", "Aristóteles" etc e abriu caminho para citar à vontade uma Marilyn Monroe, uma Maria de Medeiros...A nota é que eu gostei bastante da exposição que, diga-se de passagem, não foi aprovada por todos. Mas até com isso eu me diverti.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Distrito 9
O início de "Distrito 9", do diretor estreante Neill Blomkamp, me deixou apreensivo. A princípio me incomodou aquele prólogo em forma de documentário com a câmara trêmula. Pensei que talvez não tivesse sido boa idéia ir ao cinema. Os aliens do filme são feios, nojentos e nada simpáticos. Pelo menos no começo. Aos poucos fui me acostumando àquela sujeira, a história vai tomando rumo, as coisas vão ficando claras, a narrativa se impõe. E o filme só cresce até o final. Surpresa boa. Teve gente que opinou que o filme é bom porque usa a sci-fi para tratar de um drama, recordando o apartheid. Não achei. Achei entretenimento puro. Não é um drama social. É um bom filme de ação, com idéias e um ótimo elenco de desconhecidos. Um roteiro bastante original, mesmo que abusando de referências. Foram duas horas muito bem aproveitadas. Passei a dar mais valor ao Peter Jackson que, como produtor, assumiu os riscos de um filme desses, sem estrelas no elenco, com baixo orçamento, respeitando a idéia original, sem ceder ao gosto palatável do público médio. De certa forma, é um filme asqueroso, violento, inclemente, duro. Mas nem por isso deixa de ser um ótimo programa.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Tenho que lembrar de comprar umas cervejas pretas, encorpadas, para tomar no sábado, aniversário da minha mulher. Alguém dirá que vinho vai melhor para a ocasião. Não acho. Gosto de vinho. Nem conheço tanto assim, como bem me lembrou uma vez o meu amigo da onça, Franklin. Tenho me esforçado folheando um livro ou outro e lendo as matérias que me chegam à mão sobre o assunto. O fato é que gosto muito de vinho. E gosto muito de cerveja. Claro que cada ocasião específica vai determinar a opção por uma bebida ou outra. E aí ninguém precisa brigar. O ideal é ter em casa várias opções.
Bourne
Nessas duas semanas, revi, um atrás do outro, "Identidade Bourne" e "Supremacia Bourne". São os dois primeiros filmes da trilogia de ação e espionagem que tem no centro da trama um agente desmemoriado (Matt Damon), sozinho, perseguido pela mega estrutura da agência de espionagem americana. Sabemos como são os filmes, o herói sofre, parece que será pego, mas escapa daqui e dali até alcançar e derrotar os inimigos que o querem morto. Não importa o tamanho da máquina inimiga, pouco importa que seus tentáculos se espalhem pelo mundo inteiro, que tenha agentes tão bem treinados à caça do herói, dinheiro sem limite, e estrutura e tecnologia à vontade. Não importa, porque no fim o herói vai vencer. Quanto mais verossímil é essa façanha, mas o filme interessa. Acho que boa parte do prazer de ver esses filmes é testemunhar que mesmo na desproporção entre o poder de fogo de uma estrutura gigante contra um homem sozinho, sabemos que esse homem vai sobreviver às armadilhas e impor uma derrota aos seus persguidores. É algo que dá uma sensação de equilíbrio ao mundo, de justiça. Talvez o raciocínio seja que os maus, mesmo que muito poderosos, terão o que merecem. Pelo menos na ficção.Obs.: e que bela está a Franka Potente nesses dois filmes!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Frost/Nixon
Um bom filme esse "Frost/Nixon". Estou vendo com atraso filmes que já entraram e saíram do circuito e fizeram o barulho que tinham que fazer. Pouco importa. Meu relógio é diferente mesmo. Faz tempo que não vejo um filme de embate entre duas personalidades assim. O filme tem como forte o enfrentamento de dois homens com motivos distintos. Nixon é o presidente americano que foi obrigado a renunciar ao cargo depois do escândalo do Watergate, nos anos 70. Frost, o jornalista de variedades com reputação zero em matérias políticas. Frost quer fama e credibilidade e encontra um Nixon que aceita ser entrevistado por dinheiro (e para tentar dar a volta por cima depois que saiu da presidência humilhado). Os dois tem muito a perder caso não se saiam bem e para isso vão com tudo para essa contenda que se tornou material histórico nos Estados Unidos. O ator Frank Langella, como Nixon, é impressionante pela construção bem cuidada do personagem. Frost é vivido pelo ator Michael Sheen que já havia mostrado sua capacidade de interpretar bem personagens reais com o Tony Blair do filme "A Rainha". Os dois em cena estão ótimos. Mas há muito mais cartas na manga do diretor Ron Howard, além da dupla central: há o elenco de apoio, a montagem, o trabalho de arte, o figurino, um roteiro que traz o essencial da entrevista e dá bom espaço para a preparação e os bastidores. Tudo converge para um filme de primeira linha. E é isso que vemos.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Pessoa
"O meu olhar é nítido como um girassol./ Tenho o costume de andar pelas estradas/ Olhando para a direita e para a esquerda,/ E de vez em quando olhando para trás.../ E o que vejo a cada momento/ É aquilo que nunca antes eu tinha visto" (Alberto Caeiro)
"Dá-me mais vinho, porque a vida é nada." (Fernando Pessoa)
Uma saudade incrível de Fernando Pessoa. De todos eles. Sempre lembro que comecei meu interesse por Pessoa depois que meu irmão leu para mim uns poemas sorteados de Alberto Caeiro. Depois fui atrás sozinho. Depois fiz de Pessoa a minha companhia constante. É muito importante a influência que os mais velhos exercem sobre nós. Penso bastante nisso quando lembro da minha responsabilidade educativa com minha filha pequena. Eu tinha doze anos quando meu irmão me leu aqueles versos. Eu volto a ter doze anos sempre que leio e releio Pessoa. O impacto é sempre fresco como naquela primeira vez.
"Dá-me mais vinho, porque a vida é nada." (Fernando Pessoa)
Uma saudade incrível de Fernando Pessoa. De todos eles. Sempre lembro que comecei meu interesse por Pessoa depois que meu irmão leu para mim uns poemas sorteados de Alberto Caeiro. Depois fui atrás sozinho. Depois fiz de Pessoa a minha companhia constante. É muito importante a influência que os mais velhos exercem sobre nós. Penso bastante nisso quando lembro da minha responsabilidade educativa com minha filha pequena. Eu tinha doze anos quando meu irmão me leu aqueles versos. Eu volto a ter doze anos sempre que leio e releio Pessoa. O impacto é sempre fresco como naquela primeira vez.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Kate Beckinsale é a mais sexy do mundo segundo uma publicação dessas aí (pouco importa). Concordo. Como concordaria se fosse qualquer outra das minhas admiradas. Halle Berry, por exemplo, já foi a eleita. É mesmo linda, e rende muito em bons papéis (como comprovou em "Monster's Ball"). Tenho uma história de amor com Kate há algum tempo, desde "Ilusões perigosas", filme de 1995 sobre o qual quase não vejo as pessoas comentarem. Fiquei encantado com ela desde aquele momento. E sigo encantado.
Passageiros
O filme "Passageiros", coitado, é um trabalho que nada oferece em termos de cinema ao mais miserável espectador. O diretor, Rodrigo García, é filho do genial escritor Garcia Marquez. É uma informação inútil porque, a julgar por esse longa metragem, a genialidade da família ficou com o pai. "Passageiros" te leva por um caminho óbvio, tenta dar uns dois sustos e falha, não consegue estabelecer um clima de suspense e o final "surpreendente" não surpreende ninguém. Para não dizer que não vale nada, a beleza de Anne Hathaway é a única coisa que compensa seu dinheirinho gasto. O parceiro de cena (e par romântico) de Hathaway é o ator Patrick Wilson, que em geral é bom ator, mas aqui não convence ninguém (bem melhor é vê-lo em "Watchmen", por exemplo). Para efeito de comparação perversa, qualquer filme de M. Night Shyamalan é cem vezes superior. Nem precisa ser "O sexto sentido". E saiba que dizendo isso já estou entregando o ouro em relação a "Passageiros".
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Parece que sim, que voltei a Terra. Estou mudado, sem tanto prazer em escrever. Se pudesse, passava o resto da vida viajando, conhecendo lugares e pessoas novas. Até cansar. Não dá pé. Tenho uma vida real, trabalho, rotina, obrigações... Estou entediado com as coisas de cozinha. Estou sem paciência para ver séries. Voltei a ver filmes em casa. Parei de ler há mais de um mês. Comecei "Viva o povo brasileiro", mas me deu uma preguiça terrível de João Ubaldo. Estou sem ânimo para certas coisas. Estou gostando mais de ler revistas e jornais. E de não pensar em nada.
Benjamin Button
Não me empolgou tanto "O curioso caso de Benjamin Button". Não é que seja um filme que aborreça. Dá pra ver com certo interesse. Mas ficou aquém das minhas expectativas. David Ficher é bom diretor e tal e coisa, mas achei o filme sem encanto. O que para uma fábula é um pecado. Há boa carpitaria, um certo perfeccionismo, a maquiagem é excepcional, a luz é excelente, há atuações convincentes da dupla Pitt/Blanchett, bom elenco secundário. Mas é um filme que não me capturou. Achei tudo muito frio, na verdade. O longa traz no início uma pequenina história que me interessou mais que todo o filme que veio a seguir. A história do homem que constrói um relógio cujos ponteiros andam no sentido contrário para tentar fazer o tempo voltar e, quem sabe, ter de volta seu filho que morreu na guerra. Muito bonitinho. Entendo que dentro dessa historinha está a lógica do homem que nasce velho e vai rejuvenescendo até morrer bebê nos braços da mulher amada. A idéia é original, não há dúvida. Mas o mérito maior é de Fitzgerald, autor do conto que deu origem ao filme. O filme em si é dispensável.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Retornando
Voltando aos poucos ao planeta terra. Tirei férias de tudo mesmo, blog incluído. E coisas sérias e importantes aconteceram. Minha antiga vida foi soterrada. É bom ver as coisas com outros olhos. Estou retornando... de longe.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Dollhouse
Comecei a ver outro dia e me interessei bastante pelo novo seriado da Fox, "Dollhouse". Havia lido que a série não começava bem e só depois ia melhorando. É verdade. O episódio piloto é tão confuso que o próprio criador da série, Joss Whedon, resolveu refazer tudo. Ao contrário do usual, a série começa de fato no episódio 1. O piloto virou material de curiosidade, embora traga várias cenas que foram reutilizadas depois. Vi o piloto e mais seis episódios. Lembra a série "Alias", sucesso estrelado por Jennifer Garner. Mas "Dollhouse" mistura muitas outras coisas, ficção científica, suspense, ação, investigação policial e aventura. Não é difícil desvendar suas referências em filmes recentes de ação e ficção. Mesmo assim se baseia numa idéia criativa que tem muito o que explorar.A idéia: uma organização recruta pessoas e apaga suas memórias. Essas pessoas recebem personalidades sob medida para atender à fantasia de clientes endinheirados. Num dia podem ser o(a) namorado(a) apaixonado(a), no outro um(a) fanático(a) religioso(a), no terceiro um(a) negociador(a) de reféns e assim por diante. É como se cada uma dessas pessoas fossem uma folha em branco onde a organização "imprime" o que bem quiser. Depois é só apagar e esperar o próximo cliente. O problema - e é nesse ponto que a série inicia - é que a garota mais solicitada da "Dollhouse", Echo (interpretada pela atriz Eliza Dushku), dá sinais de que não é uma boneca como as outras.
Ao longo dos episódios, ela vai demonstrando que consegue reter informações que deveriam ter sido apagadas. Para complicar a situação, um agente do FBI está investigando a organização e procurando pistas justamente de Echo. A série vai num crescente e melhora bastante a partir do sexto episódio. Cada episódio conta uma história diferente em que os "ativos" (assim são chamados os sem memória) estão em missão. Soube que a série ganhou o direito a uma nova temporada depois de muita especulação sobre seu fim. Provavelmente, a melhorada nos episódios contribuiu. O fato é que "Dollhouse" é muito interessante e pode vir a ser tão boa quanto as melhores séries em exibição. Potencial ela já mostrou que tem.
P.S.: há um motivo a mais de interesse em "Dollhouse". Para a segunda temporada, foi confirmada a presença de Summer Glau, a Cameron de "The Sarah Connor Chronicles", que era uma das coisas mais legais daquela série.
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Sobre o livro. De novo
Eu não deveria ter opinado sobre um livro no meio do caminho. Vou dar a impressão de que mudo de opinião toda hora. O fato é que não gostei tanto de "A arte de fazer um jornal diário", de Ricardo Noblat. Depois de ler inteiro, a sensação é que o autor pegou ali uma dúzia de conceitos sobre a "arte" com que trabalha há algumas décadas, reuniu essas idéias e deu o livro por encerrado. O livro é isso mesmo: idéias soltas, arrumadas numa prosa bem escritinha. Pelo meio, entre os parágrafos, de vez em quando o autor salpica lições a estudantes: "leia tudo que lhe chegue às mãos", "consulte o dicionário", "leia em voz alta o próprio texto", "reescreva sempre que necessário" etc.
Tem sua utilidade para jornalistas em formação, mas nada acrescenta à imensa literatura que já existe sobre o assunto. Por tanto, não entendo o motivo de sua existência. Por que dizer de novo o que já foi dito melhor e com mais profundidade? Não sei. É uma pergunta para Noblat. Alguém pode dizer que o jornalista trouxe sua contribuição pessoal sobre o tema. É uma meia verdade. Isso só ocorre quando Noblat conta casos que viveu. Nesse ponto, há muita coisa que se aproveita e o texto bem humorado conta pontos a seu favor. O livro cresce em interesse sempre que ele traz um desses casos (o relato sobre a entrevista com Gilberto Freyre é um exemplo). Mas não dá para se animar, porque são poucos.
Talento para contar, Noblat demonstra que tem. Poderia ter explorado muito mais seu viéis de contador de história em vez do viéis do teórico da comunicação. O último capítulo é bem interessante e valia um livro inteiro: a reforma gráfica e editorial por que passou o Correio Braziliense a partir de 1994. Mas não é aqui que a obra se salva. Noblat achou por bem que um único capítulo era suficiente para tratar do assunto que poderia ser o diferencial do livro. Uma pena. Pelo talento e pelo tempo de carreira, Noblat poderia ter ido mais longe. Ficou devendo.
Tem sua utilidade para jornalistas em formação, mas nada acrescenta à imensa literatura que já existe sobre o assunto. Por tanto, não entendo o motivo de sua existência. Por que dizer de novo o que já foi dito melhor e com mais profundidade? Não sei. É uma pergunta para Noblat. Alguém pode dizer que o jornalista trouxe sua contribuição pessoal sobre o tema. É uma meia verdade. Isso só ocorre quando Noblat conta casos que viveu. Nesse ponto, há muita coisa que se aproveita e o texto bem humorado conta pontos a seu favor. O livro cresce em interesse sempre que ele traz um desses casos (o relato sobre a entrevista com Gilberto Freyre é um exemplo). Mas não dá para se animar, porque são poucos.
Talento para contar, Noblat demonstra que tem. Poderia ter explorado muito mais seu viéis de contador de história em vez do viéis do teórico da comunicação. O último capítulo é bem interessante e valia um livro inteiro: a reforma gráfica e editorial por que passou o Correio Braziliense a partir de 1994. Mas não é aqui que a obra se salva. Noblat achou por bem que um único capítulo era suficiente para tratar do assunto que poderia ser o diferencial do livro. Uma pena. Pelo talento e pelo tempo de carreira, Noblat poderia ter ido mais longe. Ficou devendo.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Arte de fazer jornal
Sou um vira-folha mesmo. Já a partir do segundo capítulo começo a gostar do livro de Ricardo Noblat, "A arte de fazer um jornal diário". O começo me assustou um pouco com aqueles números sobre queda na leitura dos jornais e o argumnto de sua caminhada inexorável para o desaparecimento. Uma conversa que não traz novidade para quem acompanha o assunto. Mas aos poucos o livro vai deixando claro para quem se destina e isso é fundamental para entendê-lo. Ele se destina aos profissionais que estão chegando ao mercado e a estudantes. Isso fica claro com o tom da prosa de Noblat e com a sua série de dicas de como trabalhar texto e outros pontos do bebabá do jornalista. Neste contexto, vale a pena trazer de volta essa discussão da importância do jornal e seu lugar no mundo. Totalmente pertinente. Sua fala sobre ética também é muito bem-vinda. Na verdade, me senti no meio de uma conversa com um profissional que tem tempo de profissão e boas histórias para contar. Dessa forma, o livro está sendo não só útil, como saboroso.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Festinha
Aí fui convidado para o aniversário da minha cunhada ontem. Uma festa surpresa com familiares e tal. Em geral, resisto sair da minha rotina durante a semana. É do trabalho para casa e só. Mas atendi ao convite do meu irmão. E foi bem divertido. Tomei uns dois ou três copos de cerveja gelada, joguei conversa fora, belisquei um pedaço de bolo. Tinha criança na festa e Marisa Monte no aparelho de som para agradar uns e desagradar outros. A aniversariante gosta, razão que justifica plenamente a presença da cantora. Antes das 21h, já estava em casa na santa paz. Aprendo que não é nada demais sair um pouco do piloto automático.
Jornal
Depois de Machado de Assis, emendei a leitura de livro sobre jornalismo. Estou com "A arte de fazer um jornal diário", de Ricardo Noblat, publicado em 2002. A leitura é facinha como minha amiga Najara alertou. No primeiro capítulo, Noblat chove no molhado dizendo que o jornal perde leitores e vai deixar de existir. Ele próprio diz que esse diagnóstico já fora feito antes e o jornal continua de pé, continua importante. A diferença na fala de Noblat em relação a outros mensageiros do fim do mundo é que o problema não está nos novos tempos, a culpa é da incompetência dos donos de jornal e dos jornalistas, cujo trabalho não é direcionado para o leitor (cidadão), mas para seus pares (outros jornalistas). Não sei não, mas não fiquei convencido. Não quero emitir um opinião fechada sobre o livro, olhando apenas o primeiro capítulo. Vamos ver o que mais diz o jornalista sobre o assunto.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Chope
Reencontrei um grande amigo esses dias. Está mudado. Não bebia, bebeu uma duzia de chopes comigo. Foi uma confusão a conversa. Muita coisa acumulada e até a gente se atualizar foi um atropelando o outro. No fim, nos entendemos bem. Falamos pelos cotovelos sobre nossas vidas de casado, filhos, coisas que a gente gosta em cinema e música. E para variar, sobre o passado, casos antigos. Ele é desenhista, o melhor que já conheci na vida. Prometemos nos rever breve. Despedimos e fomos para casa com a tonturinha boa do chope na cabeça. Eu ainda emendei a noite. Ele é bom moço. Foi direto para casa.
Tô com saudade de ver um filminho bom no dvd. Tenho visto toneladas de séries, o que não é ruim, porque tenho visto coisas ótimas. Mas sinto falta do ritmo diferente dos filmes. E principalmente de retomar o objetivo de ver filmes importantes que ainda não assisti. Fiz uma listinha de western. Quero ter tempo para procurar os filmes nas férias, porque sei bem que não se acha fácil determinados títulos. Mas não reclamo das séries, que têm me feito muito feliz. A segunda temporada de "The Office", por exemplo, está hilária. Me dizem que a primeira temporada era cópia descarada dos episódios originais ingleses, o que explica porque nem sempre as coisas funcionavam. Agora é outra história, nota-se logo. Não deixei de ver "True Blood", que está na reta final da session two e vai muito bem. E estou me preparando para ver "Dollhouse" e "Roma".
Dom Casmurro
Então terminei de ler Dom Casmurro. Acho que vou ler cem vezes e cem vezes eu vou ficar compadecido com Capitu naquela hora fatal que Bentinho diz que o menino não é seu filho. Toda a seqüência desde a tragédia na praia até o desenlace propriamente dito é forte, emocionante. Até o último minuto, parece que Bentinho vai voltar atrás e perdoar. Ele não perdoa. Nem pestaneja. Não falo com isso que acho que Capitu é culpada nem que é inocente. Falo que independente de culpa, ela ganha as minhas simpatias desde a primeira leitura. É um personagem magnético. Tudo no romance respira na direção de apontar a culpa de Capitu. Mas é fácil aceitar o argumento de que Bentinho não é narrador confiável. E como é cruel e frio no fim, putz. Aquela situação do filho, que o adora, e ele frio, querendo distância, é de cortar o coração. É um sujeito magoado, ferido de morte pela crença de que fora traído. Claro que Dom Casmurro só é o romance que é porque as coisas não terminaram bem. Um final feliz condenaria o livro ao esquecimento. Felicidade a gente esquece. Um acontecimento ruim corta a carne. Fica na memória. Mais uma vez valeu a pena ter lido. É um livro soberbo. E me cativou mais que a leitura de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", que também não é um livro ordinário. Longe disso.
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Agora quero rever a microssérie "Capitu", de Luis Fernando Carvalho, que acaba de sair em DVD.
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Agora quero rever a microssérie "Capitu", de Luis Fernando Carvalho, que acaba de sair em DVD.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Gripe
"O medo, com sua capa, nos dissimula e nos berça." (Carlos Drummond de Andrade)
A minha filha ficou doente. Gripe. Chegou a ter febre por dois dias. A médica disse que a febre que vai e volta é normal. No terceiro dia, não teve febre, mas manteve a manha, o dengo. Estamos acompanhando e, pelo visto, o quadro tende à normalidade; os sintomas vão cessando. Curar gripe é mais fácil que curar o medo. Drummond dizia que "fomos educados para o medo". É pior quando se tem filho. Não queremos que nada aconteça com eles. Podemos nós, os pais, dar uma palavra mais alta. Ou aplicar um peteleco, quando passam do limite. Mas não queremos vírus nenhum se metendo a besta.
A minha filha ficou doente. Gripe. Chegou a ter febre por dois dias. A médica disse que a febre que vai e volta é normal. No terceiro dia, não teve febre, mas manteve a manha, o dengo. Estamos acompanhando e, pelo visto, o quadro tende à normalidade; os sintomas vão cessando. Curar gripe é mais fácil que curar o medo. Drummond dizia que "fomos educados para o medo". É pior quando se tem filho. Não queremos que nada aconteça com eles. Podemos nós, os pais, dar uma palavra mais alta. Ou aplicar um peteleco, quando passam do limite. Mas não queremos vírus nenhum se metendo a besta.
Vampiro bom, vampiro mau
Não vi e não gostei de "Crepúsculo", o filme sobre vampiros que andam à luz do dia e se relacionam, pelo que se diz, à maneira adolescente. Pelo menos, há um grande público juvenil interessado em filme e livro que trazem essas histórias. E essa faixa etária é preciosa para a indústria, sozinha ela faz a fortuna dos estúdios. Sei que cedo ou tarde vou acabar diante de uma tela com esses new vampiros. O motivo é que Eloá já disse de seu interesse. Sem querer fazer julgamento antecipado, já sei que vou assistir e odiar. Ok, "odiar" talvez seja uma palavra forte. Fico curioso sempre que vejo algo sobre vampiros. Mas fico entediado com best-seller e mais ainda com filmes feitos a partir de best-seller. (Ainda me recupero da primeira adaptação de Dan Brown e seu "Código Da Vinci". Um livro ruim, com um ou outro momento mais interessante, se transformou num filme ruim. Apenas isso.) Para não perder esse post sobre um filme que não vi, posso falar sobre o que vi. Vamos permanecer no teritório dos sugadores de sangue. Há, como se sabe, um sopro bom, renovador, nas séries americanas. São obras que fazem valer a pena perder horas do dia diante da telinha. Neste blog, e no anterior, insistentemente venho falando do assunto. A cada hora, descubro um novo vício. E, de fato, há coisas muito especiais, de alto nível, sendo feitas.Minha mais recente febre atende ao nome de "True Blood". A série de vampiros sensuais e integrados (quase) ao convívio social é uma das melhores coisas já feitas sobre o tema. Tudo bem que é trash em diversos momentos, abusa de cenas de sexo, de rituais macabros, de violência e de muito sangue. Mas tudo é muito bem contextualizado, muito bem amarrado, e a série sabe trabalhar os diversos núcleos e personagens que vão surgindo. Há um casal protagonista, mas a trama divide sua atenção entre os muitos plots da narrativa. Explora de maneira inteligente os personagens secundários que chegam a competir em importância com o casal central. E não se limita a falar da convivência entre humanos e vampiros. Outros seres sobrenaturais aparecem na história. Poderia ser o samba do crioulo doido, mas não é. Aí está a questão. "True Blood" surpreende a cada episódio, não se importa de ser mais e mais ousado. E avança sempre um pouco em situações esdrúxulas. O que é legal é o fato de o seriado não ter pudor em ser politicamente incorreto, sem falar no seu humor negro. Poderia falar de outras coisas, a atualização do drama de vampiros como metáfora de minorias discriminadas certamente seria uma delas. A aposta em dramas de suspense e assassinato é outro viéis interessante. A série mistura elementos, não abusa de efeitos especiais, tem bons personagens, e centra o olhar nas relações pessoais. Tudo isso feito com respeito pela inteligência do espectador. Quem está a acompanhar um "True Blood", não pode se contentar com um "Crepúsculo" da vida.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Despedida
É em puro lirismo (e expectativa) que estou envolvido esses dias. Bom livro, o Dom Casmurro. Uma amostra. É o momento de despedida entre Bentinho e Capitu. Mesmo inevitável sua ida ao seminário, eles juram que irão casar. Ele está de malas prontas: "Juramos novamente que havíamos de casar um com o outro, e não foi só o aperto de mão que selou o contrato, como no quintal, foi a conjunção das nossas bocas amorosas... [...] Deus, como fez as mãos limpas, assim fez os lábios limpos, e a malícia está antes na tua cabeça perversa que na daquele casal de adolescentes... Oh! minha doce companheira da meninice, eu era puro, e puro fiquei, e puro entrei na aula de São José, a buscar de aparência a investidura sacerdotal, e antes dela a vocação. Mas a vocação eras tu, a investidura eras tu."
Que posso dizer? Beautiful.
Que posso dizer? Beautiful.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Sou homem
Primeiro beijo, primeiro amor. Ler o romance de Machado, Dom Casmurro, é tão delicioso que não dá vontade de fazer outra coisa da vida. A história é conhecida, quem não leu por curiosidade ou prazer, leu por obrigação na escola. Mesmo algum extraterrestre que nunca leu, já ouviu falar. Bento e Capitu são jovens, saídos da infância e estão descobrindo o amor. Bento deverá ir para o seminário, será padre, promessa de sua mãe. Diante da iminente separação, o sentimento cresce, o drama dos namorados ganha força, e vamos acompanhando tudo feito joguetes nas mãos de um autor que sabe manipular nossas expectativas. Tudo é bonito, tudo é tenso, tudo é descoberta e tudo tem um frescor tal que parece fácil nos transportar ao mundo em que vivem os dois pequenos. Falo "pequenos" porque, obviamente, ainda estou na primeira metade do livro em que os personagens são bem jovens. Nesse pedaço inicial do romance, quando Capitu e Bentinho dão seu primeiro beijo, durante o capítulo do penteado (magnífico capítulo), difícil não ficar um pouco tonto (eu, pelo menos) com a beleza de tudo que Machado descreve com pormenor. Depois, Bento vai saborear na memória seu primeiro beijo. Exclama sozinho: "Sou homem". E repete várias vezes. Quem não teve seu momento de Bentinho? Tenho uma teoria. Vamos aos livros para voltar a pressionar botões que já temos conosco. E para sentir de novo o que não nos é estranho. Vamos aos livros para reafirmar quem somos.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Película
"Quando pensei na minha paixão pela película cinematográfica, a verdadeira magia do cinema que é o modo como o filme, e só o filme, capta imagens em sequência e nosso olhar cria o movimento. Detesto digital. Odeio digital. É vídeo, para mim. É banal, sem magia. Não é possivel fazer nada além de novela com ele. Cinema de verdade é pelicula. E quando percebi que a película em si mesma podia ser uma arma... foi meu momento-eureka."
Quentin Tarantino
Quentin Tarantino
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Manoel Carlos
Não tem muito jeito pra mim. Estou a esperar o retorno de Manoel Carlos com sua próxima trama. Ele não é o autor de telenovela que mais me arrebata, porém eu - que sou um confesso apreciador do gênero - não sou indiferente à sua obra. Já escrevi bastante sobre isso no blog antigo. É uma peleja sempre que ele estréia algo. Gosto dele, bastante. E desgosto um outro tanto. Não é a admiração que tenho por um Sílvio de Abreu ou um Gilberto Braga, que para mim são o que há de melhor na televisão brasileira. Mas há uma admiração e a curiosidade pelo seu próximo projeto. Apesar da Taís Araújo, espero que venha coisa boa por aí.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Coraline
sábado, 8 de agosto de 2009
Doce vampira...
A série True Blood primeiro me assustou. O que melhor a definia na minha cabeça era algo do tipo "é bom, mas é estranho". Só depois me deixou viciado. Minhas dúvidas sobre o seriado começaram a ir embora no segundo em que bati os olhos em Ana Paquin. Sua personagem é esquisita sem deixar de ser graciosa. É o tipo "sem noção", mas com sentimentos. Não há como não gostar dela. A série cresceu bastante desde o episódio piloto, inclusive outras histórias ganharam força além daquela que envolve a dupla central em que Paquin, uma garota não exatamente normal, faz par romântico com um vampiro. Bem, leio uma notícia que tem potencial para deixar a segunda temporada ainda mais atraente (e a palavra atraente não está aqui à toa). Evan Rachel Wood, que aparece na foto acima, dos filmes "Aos treze" e "Vale proibido", é a atriz convidada para viver uma das vampiras da série. A notícia não poderia ser melhor.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Sobre filmes
Daí eu peguei esse texto do "The Observer", reproduzido na Carta Capital, e fiquei a pensar. É um artigo assinado por Tim Lott, que abre o coração e não se constrange ao falar mal de filmes considerados obras-primas. Entre os varios exemplos citados, estão "La Dolce Vita", "Jules e Jim" e "Morte em Veneza". Eu me identifiquei muito com as coisas que o Lott fala. Não quero dizer que não gosto de filme consagrado, mas não quero ter a obrigação de gostar de algo só porque a crítica inteira entendeu que se trata de algo genial, irretocável. Na conclusão de sua matéria, Lott dirige-se ao leitor: "sinta-se à vontade para escrever e destroçar qualquer desses filmes. Talvez eles mereçam. E creia-me: você vai se sentir muito melhor". Não duvido. É bom estar livre para dizer que não gostou de algo sem se sentir um alien por isso. Assim como é bom poder gostar de determinados filmes mesmo que eles não gozem do beneplácito dos especialistas.
Casmurro
Não vou mentir. Não morri de amores por "O Processo", de Kafka. A sensação de ler um livro que não foi concluído, em que há capítulo que não termina, e ao qual vem acrescido suplemento com trechos descartados pelo autor, essa sensação não é boa. É uma obra bastante citada, o texto tem mesmo muitas qualidades, mas não me ficou claro o porquê de tudo. Sei que não precisamos ter resposta para todas as coisas, ainda mais em trabalhos artísticos como esse, mas não fiquei feliz com as dúvidas que tive nem com o propósito do autor. Acho que serei mais feliz com o livro seguinte, que já comecei a ler: "Dom Casmurro". Será a terceira ou quarta vez que leio esse livro de Machado de Assis. E lá se vão pelo menos uns sete, oito anos. Até onde me lembro, era o melhor livro que já tinha lido na vida. Vamos ver o que se passa agora na revisão. Nada permanece igual depois de tantos anos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Pode entrar
Vi pedaços do novo DVD de Ivete Sangalo, "Pode entrar". Achei bem simpático o que vi. O que mais gostei foi do mar da Bahia, que aparece muito bem na foto, em barquinhos de pesca, pedaços da orla, pedaços da Baía de Todos os Santos. Toda a seqüencia com Bethânia é boa, como é bom o número musical das duas cantando "Obrigado, Axé". Fiquei querendo parar para assistir a tudo com calma.
Bizarro
Esse "O Processo" é um livro bem estranho. Uma amiga mais jovem diria que é "bizarro". Kafka é o escritor de histórias absurdas. Em seu livro mais famoso, que li há alguns anos, o personagem acorda em casa transformado em inseto. Assim, sem explicação. Aqui, em "O Processo", o pobre Josef K. acorda com dois homens o aguardando para informá-lo que está detido. E que corre contra ele um processo na Justiça. Nada que K. tenha feito faz supor que ele é culpado do que quer que seja. Não sabemos, tão pouco K., do que ele é acusado. Essa é a história. O personagem empreende o que pode em esforços para se ver livre desse processo de que não sabe quase nada. E esse pesadelo é tudo o que temos em boa parte das quase trezentas páginas. O mais angustiante é que estou no finzinho do livro e nada faz supor que estamos próximo da elucidação do caso. A substância da narrativa é esse percurso em que temos a sensação de que K. anda em círculo. Personagens aparecem, cada qual faz a história avançar um pouco, mas a sensação de que o personagem não tem saída é cada vez mais forte. A forma como é apresentada a Justiça não é nada boa: ela é terrivelmente lenta, burocratizada, corrompida.
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Uma coisa curiosa: o livro foi deixado incompleto pelo autor. Nas informações da editora, é dito que não havia necessidade de complementação. Tenho minhas dúvidas, ainda mais quando um dos capítulos é interrompido no meio e lemos a seguinte nota: "Este capítulo não foi concluído". Como assim? Como diria uma amiga minha, é mesmo bizarro.
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Uma coisa curiosa: o livro foi deixado incompleto pelo autor. Nas informações da editora, é dito que não havia necessidade de complementação. Tenho minhas dúvidas, ainda mais quando um dos capítulos é interrompido no meio e lemos a seguinte nota: "Este capítulo não foi concluído". Como assim? Como diria uma amiga minha, é mesmo bizarro.
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