Volto ao blog como se nada tivesse acontecido. Como se não houvesse tirado férias dele como tirei férias no trabalho. Não nego que pensei em abandonar o barco, aproveitar a ausência e sair fora de vez. Mas volto. Gosto do exercício que esta página me proporciona.
Para variar, nessas férias (que acabou há mais de uma semana, diga-se) vi em cinema e em DVD o monte de filmes que costumo ver quando tenho tempo. Não vou lembrar de cabeça todos agora, mas espero ter ânimo para falar aqui sobre todos aqueles que eu for lembrando ao longo dos próximos dias.
Livros, eu lembro, li dois nesse intervalo: "As boas mulheres da China" e "Em algum lugar do paraíso", de Veríssimo. Ambos foram presentes de amigas. Nesse período também terminei de ler "Mitologia africana" e comecei "A chave do tamanho", mais um clássico de Monteiro Lobato, autor que adoro e de quem estou conseguindo fazer a minha filha gostar também. Espero poder falar um pouco mais sobre cada um desses livros mais adiante.
Descobri nessas férias que estou doente. Pelo menos, o meu fígado está. Não é nada do outro mundo, e eu não deixo de trabalhar, viver, etc. Estou com a taxa de triglicerídeos alta, a médica passou um tratamento com remédios, mudou toda a minha alimentação, recomendou ficar longe do álcool e de comidas pesadas. E, até para minha surpresa, estou seguindo tão fielmente quanto posso àquilo que a médica ordenou.
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Sono
"Não durmo nem espero dormir./Nem na morte espero dormir."
Cito esses versos de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa com frequência, um poeta que adoro, e um poema ("Insonia"), dos que mais me deslumbram na obra do escritor português. O poema que já conhecia e amava se tornou o tema de um espetáculo de balé encenado pelo Balé TCA, uma apresentação vigorosa, de não sei quantos anos atrás, e que até hoje me vêm à memória quando penso no poema. Cito muito esses versos porque tenho frequentemente problemas com sono, agitação durante a noite e cansaço durante o dia. Não é um troço saudável. Gosto da noite, de sair, de fazer atividades, de ver TV, de ficar com a patroa na sem vergonhice etc. Mas detesto não conseguir dormir. E sinto que isso me desequilibra. Nos dias que dumo bem, acordo melhor. Nos dias que durmo mal - muitos, muitos - acordo chateado, pilhado.
E o poema na íntegra:
"Insônia
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo."
Cito esses versos de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa com frequência, um poeta que adoro, e um poema ("Insonia"), dos que mais me deslumbram na obra do escritor português. O poema que já conhecia e amava se tornou o tema de um espetáculo de balé encenado pelo Balé TCA, uma apresentação vigorosa, de não sei quantos anos atrás, e que até hoje me vêm à memória quando penso no poema. Cito muito esses versos porque tenho frequentemente problemas com sono, agitação durante a noite e cansaço durante o dia. Não é um troço saudável. Gosto da noite, de sair, de fazer atividades, de ver TV, de ficar com a patroa na sem vergonhice etc. Mas detesto não conseguir dormir. E sinto que isso me desequilibra. Nos dias que dumo bem, acordo melhor. Nos dias que durmo mal - muitos, muitos - acordo chateado, pilhado.
E o poema na íntegra:
"Insônia
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo."
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terça-feira, 5 de junho de 2012
Mitologias africanas
Ufa, finalmente terminei a leitura de "Os meios de comunicação como extensões do homem". Já posso seguir adiante e começar a ler os livros, presentes de aniversário que ganhei em maio. Na verdade, já comecei a ler o livro "Mitologias africanas", dado pelo amigo Fábio, que se amarra em mitologias de todo tipo. Estou nas primeiras páginas (50 e alguma coisa), são relatos bem curtos, não há complexidade alguma, até minha filha poderá ler sem grande dificuldade. Parece ter sido um esforço de simplificar bastante a rica mitologia africana, numa linguagem que se aproxime de outros tantos casos extraordiánarios. Em princípio, não gosto desse expediente para atrair o leitor. E sempre que vejo esses trabalhos feitos para serem mais facilmente assimilados, rejeito. Lembro sempre que aprender, estudar, conhecer é muito prazeroso, mas requer esforço e empenho. Na verdade, o prazer está também no esforço. E quanto mais conhecemos mais nos sentimos bem com obras que nos exigem um pouco mais. É o que se chama de respeitar a inteligência do leitor, tratá-lo como adulto. Esse livro "Mitologias africanas", vê-se logo, trata o seu leitor como criança. Se o leitor não tem dez anos, fica se sentindo um imbecil em diversas passagens. Prefiro os livros infantis que, sendo absolutamente interessantes para as crianças, também não fazem feio com os adultos.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Livros
Já tive momentos na vida de procurar livros para ler, de estar sem opção. No máximo tenho um único à minha espera enquanto termino o que estou a ler. Eu, que detesto a experiência de ler dois livros ao mesmo tempo, procuro sempre ler um de cada vez. Pois neste exato momento, enquanto não terminar "Os meios de comunicação como expressões do homem", nada menos que três livros me aguardam. Mês de aniversário, as pessoas sabem que é fácil acertar no presente para mim quando escolhem livros. Ainda não apurei, mas deve ser mesmo o presente que eu mais gosto de ganhar.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Hora livre
Estou com essa agora de às vezes empacar numa leitura, não ata nem
desata. Antropologicamente, ter comprado um carro me tirou o tempo
precioso que tinha livre no ônibus, onde ia lendo por pelo menos meia
hora por dia o livro da vez. Imagine você o que é meia hora por dia, um
assombro, ainda mais se a gente somar a uma hora aqui outra ali antes de
dormir e nos consultórios. Essa meia hora diária me fez bater recordes
de leitura sem sentir dor, sem parecer que fazia algo extraordinário.
Agora só me resta a hora daqui e dali do consultório e do tempo livre
antes do sono. O problema é que não tenho tido tempo. Estou há mil dias
com esse “Os meios de comunicação como extensões do homem”, de Marshall
McLuhan, e não passei da página 180, acho. Mas o livro é muito bom. Ele
agora está numa reflexão sobre o relógio, diz que o relógio muda
completamente as relações, passamos a ter tempo livre (“terei a semana
livre”) ou não (“estou com agenda cheia”). É uma discussão para dizer,
entre outras coisas, que uma nova tecnologia muda radicalmente a vida
das pessoas e faz com que todas as outras tecnologias se conformem à
nova realidade. Antes de falar do relógio, McLuhan faz seu escrutínio do
dinheiro, que também é outra mudança e tanto na vida humana. O livro
levanta ótimas questões e faz pensar em muita coisa. Quando tenho a hora
livre, me divirto muito.
segunda-feira, 26 de março de 2012
McLuhan
Comecei a ler o livro de Marshall McLuhan, "Os
meios de comunicação como extensões do homem". Li um ou outro capítulo na
faculdade de comunicação, mas minha lembrança mais forte ligada ao autor é a sua
participação no filme de Woody Allen. Ele tem uma aparição relâmpago em "Noivo
neurótico, noiva nervosa" apenas para desmentir uma pessoa na fila do cinema. O
cara está discutindo com o personagem de Allen e cita Mcluhan, dizendo saber
muito bem o que está falando. O próprio Mcluhan aparece para confrontá-lo. É
hilário.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Ainda sobre 'Minha Razão de Viver'
Estou entrando pela metade do livro "Doidas e Santas" de Martha Medeiros e não falei que terminei "Minha razão de viver", do Samuel Wainer. Terminei. É um livro muito instrutivo, bem escrito, revelador. Conta a trajetória do jornalista, desde a criação da revista "Diretrizes", que reuniu grandes nomes da literatura brasileira nos anos 30. Em seguida, concentra-se em narrar os eventos que levaram o autor a fundar o jornal Última Hora, uma publicação importante na história da imprensa (e na história do país). O livro mostra em detalhes a relação bem próxima que Samuel Wainer estabeleceu com os poderosos que passaram pela presidência do país, entre eles os emblemáticos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. E conta como tornou-se, o próprio Wainer, um homem de poder, estando ou não de braços dados com o mandante da hora. Os fatos narrados vão até o declínio e venda de Última Hora que, fundado no Rio de Janeiro, tornou-se um jornal influente, com edições em diversas regiões do país. O período coberto é amplo, desde antes da ditadura de Vargas, com o Estado Novo, até a fase de endurecimento da ditadura militar com o AI 5 e as perseguições aos direitos civis. O depoimento deixa clara a relação entre imprensa, poder e dinheiro que se estabeleceu em todo esse período de consolidação de diversos grupos que ainda hoje tem muita influência no país. Uma leitura realmente esclarecedora.
terça-feira, 20 de março de 2012
Doidas e santas
"Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?
Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo "Veja bem..." e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento."
O trecho é do livro "Doidas e santas" de Martha Medeiros. Comecei a ler ontem à noite, gostei muito. Há algum tempo quando ouvi falar nesse livro, me senti atraído, mas fiquei preocupado: e se for mulherzinha demais? e se ainda assim eu gostar? Por via das dúvidas fiquei bem longe. Vai saber. Mas ele veio atrás de mim. E a boa notícia é que não é mulherzinha (ufa!), é bem rock and roll, na verdade. No espírito.
O trecho é do livro "Doidas e santas" de Martha Medeiros. Comecei a ler ontem à noite, gostei muito. Há algum tempo quando ouvi falar nesse livro, me senti atraído, mas fiquei preocupado: e se for mulherzinha demais? e se ainda assim eu gostar? Por via das dúvidas fiquei bem longe. Vai saber. Mas ele veio atrás de mim. E a boa notícia é que não é mulherzinha (ufa!), é bem rock and roll, na verdade. No espírito.
terça-feira, 13 de março de 2012
Minha Razão de Viver
Bem interessante esse livro do Samuel Wainer, "Minha Razão de Viver",
que começo a ler. O jornalismo - e o país - eram completamente outros
nesses anos 30 e 40 do século passado. Para mim foi uma curiosidade e
tanto ver relatadas situações como a de João Goulart, numa festa na casa
de Getúlio Vargas, subindo numa árvore (?!) para exaltar o ex-ditador
do Estado Novo e então candidato à eleição presidencial de 1950. Putz,
em cima de uma árvore! E alguém consegue imaginar um repórter com uma
entrevista bombástica que precisa esperar pacientemente dias e dias até
que possa ser publicada, porque o jornal não funcionava durante o
Carnaval, nem mesmo na quarta-feira de cinzas? E o que dizer de um
político graúdo numa reunião importante - com a presença da imprensa -
que se vê contrariado e para demonstrar essa iritação dá uma cusparada
no meio da sala e solta um sonoro "filho da puta". Tirando essas
curiosidades de época, me deixou intrigado saber a turma que se reunia
com Samuel Wainer na sua revista "Diretrizes" (começou a circular em 1938)
de linha editorial francamente antifascista numa época em que não eram
poucos os simpatizantes do fascismo europeu - incluindo o próprio
Vargas. Essa turma de "Diretrizes" contava com gente como Jorge Amado,
Graciliano Ramos, Gilberto Freyre, Érico Veríssimo, Manuel Bandeira,
Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Di Cavalcanti e Moacir Werneck de
Castro.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Entre as garfadas do almoço, terminei de ler o livro de Kotscho. É um bom livro, se a gente considerar a segunda metade, dedicada à sua participação nas campanhas e no primeiro governo Lula. Mal termino um livro e já pulei nas páginas de outro, que me foi trazido pelo amigo Franklin: "Samuel Wainer - Minha Razão de Viver". Continuo, como se nota, em obras de jornalistas. Wainer foi contemporrâneo de Assis Chateaubriand e trabalhou nos seus Diários Associados, quando entrevistou Getúlio Vargas. O prefácio do livro é de ninguém menos que Jorge Amado. Pois é, mal comecei a ler e já bateu saudade da prosa de Jorge (num passado longíquo, quando conheci a literatura do baiano, não gostei. Hoje adoro o autor). Foi um começo extremamente convidativo.
Uma vida de repórter
Entrando nas campanhas de Lula à presidência, o livro de Ricardo Kotscho ("Do golpe ao Planalto - Uma vida de repórter") me interessou bastante. Acho até que ele deveria ter concentrado todo o livro em um único tema, seja a sua vida de repórter, seja a sua presença na política e governo. A sensação de estar lendo um livro irrgular que não se detém em assunto nenhum e passeia por várias paisagens não me despertou tanto. Da metade para o final, quando o relato se detém na sua passagem como assessor de Lula e posteriormente como secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência, a história ganha um foco, e prende a atenção. Conhecia Ricardo Kotscho de nome e de algumas matérias em sua passagem por grandes veículos de imprensa. Não tinha uma opinião fechada e dificilmente teria comprado esse livro. Ganhei de presente no Natal do amigo Hederverton. Estou nas últimas páginas, no posfácio, quando o autor conta suas impressões sobre a crise do mensalão no governo, quando ele já estava fora do Planalto. Esse relato da trajetória do ex-presidente, desde o surgimento no sindicalismo do ABC paulista, fundação do Partido dos Trabalhadores, passando por sua fase de deputado da constituinte, candidato derrotado em três eleições e finalmente presidente do Brasil, esse é um relato que merece um grande livro. Kotscho conta de sua participação apenas. Temos uma visão incompleta, por motivos óbvios, e fica claro que o tema merece um trabalho que aborde o período de maneira aprofundada.
Uma observação final: Kotscho relata que o presidente o tinha como um cara que entendia de relacionamento com a imprensa, porém era um ingênuo em matéria de política. O livro meio que conclui exatamente isso. Não é um demérito, o livro traça uma fotografia simpática do seu autor. Eu, por exemplo, estou bem mais simpático ao jornalista do que era antes de começar a leitura.
Uma observação final: Kotscho relata que o presidente o tinha como um cara que entendia de relacionamento com a imprensa, porém era um ingênuo em matéria de política. O livro meio que conclui exatamente isso. Não é um demérito, o livro traça uma fotografia simpática do seu autor. Eu, por exemplo, estou bem mais simpático ao jornalista do que era antes de começar a leitura.
segunda-feira, 5 de março de 2012
A parte relativa à campanha das "Diretas Já" é a mais animadora do livro de Ricardo Kotscho até aqui. Estou na metade da leitura e já passamos pelo AI-5 (de raspão), por um período de repressão durante a ditadura militar, pela sua fase de correspondente internacional, pela seu contato com personalidades, suas inúmeras matérias que ganharam repercussão nacional. O livro é irregular. Kotscho foi repórter a vida inteira até se tornar assessor de Lula. É essa trajetória que ele conta ("do golpe ao Planalto"), ressaltando o que viu e viveu como repórter em veículos como Estadão, Jornal do Brasil, Jornal da República e Folha de São Paulo. Há varias passagens interessantes e diversos casos envolvendo nomes conhecidos da imprensa de quem ele foi colega. Gosto de algumas coisas, outras nem tanto. Voltarei ao assunto.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O jogador
Em passo de tartaruga ainda lendo "O jogador", de Dostoiévski. Eu sei, eu sei, podem atirar as pedras. É uma releitura, o que seria mais um motivo para ler com alguma celeridade num ano marcado por boas e muitas leituras. Mas eis que esse quinto final do ano me trouxe muitas novidades e me ocupou o tempo de uma forma tremenda. E mudou minha rotina, pôs meus hábitos abaixo com o carro e o novo endereço. Resultado: quase parei de ler o livro. De vez em quando, como hoje, encontro um tempo para ler duas ou três páginas. Não há complicação, a leitura flui como se não a tivesse deixado. Bom demais a leitura. Vou tomar vergonha e dar atenção às coisas importantes da vida.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Viagem ao céu
Saí do meio do sertão das gerais, o mundo incrível das peripécias de Riobaldo e Diadorim, para voar alto em um mundo não menos incrível com Pedrinho, Narizinho, Emília e companhia. O livro "Viagem ao céu" é de cair o queixo de tão bom, tão instrutivo e tão fácil de ler. Sempre achei que não se deve tratar criança como debilóide, que são pessoinhas espertas, captam as coisas, montam seus raciocínios. Monteiro Lobato entendeu isso. Escrevia sobre assuntos complicados de maneira saborosa. Não há criança ou adulto que não embarque nas suas aventuras e, de lambuja, aprende-se muito.
Terminada essa jornada com a turma do sítio, já estou no cenário das histórias de Dostoiévski. Comecei "O jogador", livro que tinha lido há tanto tempo que pouco lembro da história. Vamos indo...
Terminada essa jornada com a turma do sítio, já estou no cenário das histórias de Dostoiévski. Comecei "O jogador", livro que tinha lido há tanto tempo que pouco lembro da história. Vamos indo...
domingo, 16 de outubro de 2011
Lobato
E mal terminei de ler Guimarães Rosa, passo ao livro que presenteei minha filha há alguns meses: "Viagem ao céu". Ela leu antes de mim e adorou. É mais um livro de Monteiro Lobato, esse autor por quem tenho grande, imenso apreço.
Grande sertão
Escalei uma montanha.
Terminei a leitura de "Grande sertão: veredas", o clássico de Guimarães Rosa.
Não é uma obra fácil de atravessar.
Há sentimentos diversos para quem lê o romance.
Um deles é um incontornável prazer: não faltam passagens deliciosas no livro (algumas reproduzi aqui no blog).
Mas é um livro que requer uma certa paciência do leitor nos momentos menos emocionantes.
Não acho que seja um livro difícil, a linguagem é diferenciada mesmo, mas depois que acostumamos, vamos embora sem grandes problemas.
Há aqueles pontos altos, um deles é o julgamento de Zé Bebelo, outro é a cena de guerra no final - todo aquele monte de informação que vem de vez.
Não vou estragar pra quem não leu e falar sobre isso aqui.
Posso dizer apenas que fiquei triste com o final, não direi desapontado, porque foi uma experiência muito boa. Valeu muito a pena ter lido o livro.
E gosto muito da relação entre os dois jagunços, o sentimento confuso de Riobaldo por Diadorim. Confuso não! Riobaldo está certo que ama Diadorim. É um amor genuíno de um jagunço por outro jagunço, um amor com tudo que tem direito.
A maneira como isso se desenrola, como vemos o relacionamento acontecer, tudo isso é muito bem manipulado. Se parar para pensar, o fato de Diadorim ser mulher é um detalhe.
O autor queria essa ambiguidade, trabalhou para isso.
É uma riqueza uma história assim.
Os tipos que aparecem ao longo do livro também são bem interessantes: Hermógenes, Joca Ramiro e Otacília são alguns deles.
É uma história regional, então o lugar onde tudo acontece faz toda a diferença para as coisas serem como são.
O Riobaldo é um personagem rico, não só no que sente, no que diz, mas como expressa tudo e como interpreta e avalia os fatos passados que narra.
Sua referência constante ao ouvinte, um senhor instruído a quem ele conta a sua história, é uma informação interessante.
A mim ficou sendo que o ouvinte é o próprio autor, o próprio Rosa.
Enfim, é uma boa montanha, um bom livro, uma boa opção para passar o tempo...
Terminei a leitura de "Grande sertão: veredas", o clássico de Guimarães Rosa.
Não é uma obra fácil de atravessar.
Há sentimentos diversos para quem lê o romance.
Um deles é um incontornável prazer: não faltam passagens deliciosas no livro (algumas reproduzi aqui no blog).
Mas é um livro que requer uma certa paciência do leitor nos momentos menos emocionantes.
Não acho que seja um livro difícil, a linguagem é diferenciada mesmo, mas depois que acostumamos, vamos embora sem grandes problemas.
Há aqueles pontos altos, um deles é o julgamento de Zé Bebelo, outro é a cena de guerra no final - todo aquele monte de informação que vem de vez.
Não vou estragar pra quem não leu e falar sobre isso aqui.
Posso dizer apenas que fiquei triste com o final, não direi desapontado, porque foi uma experiência muito boa. Valeu muito a pena ter lido o livro.
E gosto muito da relação entre os dois jagunços, o sentimento confuso de Riobaldo por Diadorim. Confuso não! Riobaldo está certo que ama Diadorim. É um amor genuíno de um jagunço por outro jagunço, um amor com tudo que tem direito.
A maneira como isso se desenrola, como vemos o relacionamento acontecer, tudo isso é muito bem manipulado. Se parar para pensar, o fato de Diadorim ser mulher é um detalhe.
O autor queria essa ambiguidade, trabalhou para isso.
É uma riqueza uma história assim.
Os tipos que aparecem ao longo do livro também são bem interessantes: Hermógenes, Joca Ramiro e Otacília são alguns deles.
É uma história regional, então o lugar onde tudo acontece faz toda a diferença para as coisas serem como são.
O Riobaldo é um personagem rico, não só no que sente, no que diz, mas como expressa tudo e como interpreta e avalia os fatos passados que narra.
Sua referência constante ao ouvinte, um senhor instruído a quem ele conta a sua história, é uma informação interessante.
A mim ficou sendo que o ouvinte é o próprio autor, o próprio Rosa.
Enfim, é uma boa montanha, um bom livro, uma boa opção para passar o tempo...
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Julgamento de Zé Bebelo
“Acusação, que a gente acha, é que se devia de amarrar este cujo, feito porco. O sangrante... Ou então botar atravessado no chão, a gente todos passava a cavalo por riba dele – a ver se vida sobrava, para não sobrar!” (Trecho de "Grande Sertão: Veredas")
*
Estou descobrindo a roda. E achando incrível...
Esse julgamento de Zé Bebelo, o líder de jagunços capturado vivo, que negócio tremendo.
Nesse episódio, como em outros, Guimarães Rosa vai montando pedaço por pedaço a sua trama, cria aquele suspense. E são várias as camadas, porque não se sabe exatamente como vai terminar o julgamento, não se sabe se e quando o herói Riobaldo vai se intrometer, se terá apoio, se o líder Joca Ramiro tomará uma decisão que não traga revolta, divisão do grupo.
É tensão pura em páginas que se seguem umas mais nervosas que as outras. E vamos acompanhando aquilo meio estupefacto, eu pelo menos...
Já estou com saudades de quando o livro terminar.
*
Estou descobrindo a roda. E achando incrível...
Esse julgamento de Zé Bebelo, o líder de jagunços capturado vivo, que negócio tremendo.
Nesse episódio, como em outros, Guimarães Rosa vai montando pedaço por pedaço a sua trama, cria aquele suspense. E são várias as camadas, porque não se sabe exatamente como vai terminar o julgamento, não se sabe se e quando o herói Riobaldo vai se intrometer, se terá apoio, se o líder Joca Ramiro tomará uma decisão que não traga revolta, divisão do grupo.
É tensão pura em páginas que se seguem umas mais nervosas que as outras. E vamos acompanhando aquilo meio estupefacto, eu pelo menos...
Já estou com saudades de quando o livro terminar.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
vexável afeição
"...eu dele era louco amigo, e concebia por ele a vexável afeição que me estragava, feito um mau amor oculto..."
Já estudaram essa obra, "Grande sertão: veredas", de trás para frente e de frente para trás, pouco importa. O que me vale é a minha experiência pessoal. E eu estou boquiaberto. Juro. Confesso que estou confuso, mesmo meio que sabendo do que se trata, e como a história se desenrola. É o mal do século. Tudo já foi tão destrinchado e citado e recitado, que nada é totalmente novo. Mesmo para quem não leu um determinado clássico diretamente, sabe dele por meio das homenagens, paródias, citações etc.
Ok, então voltando ao livro "Grande sertão...". A essa altura, não tem como não saber que Diadorim é mulher. E que Riobaldo gosta dela, tem ciúmes, sente saudade, o coração aperta etc. Mas tudo isso acontece ANTES de ele saber que Diadorim é mulher. Significa que até o momento da descoberta, o jagunço está tendo sentimentos por outro jagunço (Como assim? Sem que isso lhe revolucione todo?). Não quero me antecipar, mas não é um negócio de doido? É quase uma bandeira gay num tempo em que não se falava em bandeiras.
Olha esse trecho a seguir, na página 82. Ele pega a narrativa no momento em que o líder do bando de jagunços morre e alguém precisará assumir a chefia:
"Num nu, nisto, nesse repente, desinterno de mim um nego forte se saltou! Não. Diadorim não. Nunca que eu podia consentir. Nanje pelo tanto que eu dele era louco amigo, e concebia por ele a vexável afeição que me estragava, feito um mau amor oculto - por mesmo isso, nimpes nada, - era que eu não podia aceitar aquela transformação: negócio de para sempre receber mando dele, doendo de Diadorim ser meu chefe, nhem, hem? Nulo que eu ia estuchar."
Vamos indo...
Já estudaram essa obra, "Grande sertão: veredas", de trás para frente e de frente para trás, pouco importa. O que me vale é a minha experiência pessoal. E eu estou boquiaberto. Juro. Confesso que estou confuso, mesmo meio que sabendo do que se trata, e como a história se desenrola. É o mal do século. Tudo já foi tão destrinchado e citado e recitado, que nada é totalmente novo. Mesmo para quem não leu um determinado clássico diretamente, sabe dele por meio das homenagens, paródias, citações etc.
Ok, então voltando ao livro "Grande sertão...". A essa altura, não tem como não saber que Diadorim é mulher. E que Riobaldo gosta dela, tem ciúmes, sente saudade, o coração aperta etc. Mas tudo isso acontece ANTES de ele saber que Diadorim é mulher. Significa que até o momento da descoberta, o jagunço está tendo sentimentos por outro jagunço (Como assim? Sem que isso lhe revolucione todo?). Não quero me antecipar, mas não é um negócio de doido? É quase uma bandeira gay num tempo em que não se falava em bandeiras.
Olha esse trecho a seguir, na página 82. Ele pega a narrativa no momento em que o líder do bando de jagunços morre e alguém precisará assumir a chefia:
"Num nu, nisto, nesse repente, desinterno de mim um nego forte se saltou! Não. Diadorim não. Nunca que eu podia consentir. Nanje pelo tanto que eu dele era louco amigo, e concebia por ele a vexável afeição que me estragava, feito um mau amor oculto - por mesmo isso, nimpes nada, - era que eu não podia aceitar aquela transformação: negócio de para sempre receber mando dele, doendo de Diadorim ser meu chefe, nhem, hem? Nulo que eu ia estuchar."
Vamos indo...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Como não ter Deus?!
Posso ser bobo, mas esse foi o trecho mais bonito que li até agora de "Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa. Está na página 60:
"Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no Vale do Arassuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não dói até em criancinhas, em bichos e nos doidos – não dói sem precisar de ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver a morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há."
"Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no Vale do Arassuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não dói até em criancinhas, em bichos e nos doidos – não dói sem precisar de ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver a morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há."
Inconspícuo
"Aprendi novas palavras/e tornei outras mais belas". Drummond
Já avancei um bom trecho de "Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa. Mas ainda estou um pouco no efeito da releitura de Rubem Fonseca, do seu livro de tema inusual chamado "Secreções, excreções e desatinos".
Costumo anotar uma ou outra palavra que vejo pela frente. Não precisa ser desconhecida, basta que eu não saiba o significado, que não seja do meu repertório. Nem sempre me contento em apreender do contexto. Também anoto palavras que tem uma sonoridade especial aos meus ouvidos.
Por isso, uso bastante dicionário. Aliás, adoro consultar dicionário.
Me amarro em aprender palavras novas. Olha essa aqui, que delícia, que vi no livro de Fonseca: "Inconspícuo". Bom de pronunciar, precisa ter cuidado, pensar antes para não errar nenhum pedacinho ali pelo meio.
Inconspícuo significa algo que não é conspícuo, claro. É algo "que não é facilmente perceptível; que não é notável; comum, ordinário".
Já "Pertinácia", vista no mesmo livro, é a qualidade de pertinaz, ou seja, é o mesmo que obstinação, teimosia, tenacidade.
Lendo o Observatório da Imprensa, o Alberto Dines, que tem um texto muito bom, veio essa palavra: "Álgido". Segundo o Michaelis, álgido pode ser entendido como algo "muito frio".
No texto de Dines aparece assim:
"A Folha de S.Paulo abafou as conclusões do congresso petista enfiando-as dentro de uma matéria política mais ampla e O Globo – seguindo as normas editoriais recentemente adotadas – registrou-as de forma álgida, distante, como mereciam".
Já avancei um bom trecho de "Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa. Mas ainda estou um pouco no efeito da releitura de Rubem Fonseca, do seu livro de tema inusual chamado "Secreções, excreções e desatinos".
Costumo anotar uma ou outra palavra que vejo pela frente. Não precisa ser desconhecida, basta que eu não saiba o significado, que não seja do meu repertório. Nem sempre me contento em apreender do contexto. Também anoto palavras que tem uma sonoridade especial aos meus ouvidos.
Por isso, uso bastante dicionário. Aliás, adoro consultar dicionário.
Me amarro em aprender palavras novas. Olha essa aqui, que delícia, que vi no livro de Fonseca: "Inconspícuo". Bom de pronunciar, precisa ter cuidado, pensar antes para não errar nenhum pedacinho ali pelo meio.
Inconspícuo significa algo que não é conspícuo, claro. É algo "que não é facilmente perceptível; que não é notável; comum, ordinário".
Já "Pertinácia", vista no mesmo livro, é a qualidade de pertinaz, ou seja, é o mesmo que obstinação, teimosia, tenacidade.
Lendo o Observatório da Imprensa, o Alberto Dines, que tem um texto muito bom, veio essa palavra: "Álgido". Segundo o Michaelis, álgido pode ser entendido como algo "muito frio".
No texto de Dines aparece assim:
"A Folha de S.Paulo abafou as conclusões do congresso petista enfiando-as dentro de uma matéria política mais ampla e O Globo – seguindo as normas editoriais recentemente adotadas – registrou-as de forma álgida, distante, como mereciam".
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