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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estás, e estou do nosso antigo estado!

Torço para Albino Rubim ser bom secretário de Cultura. Como as coisas vem indo, talvez não seja suficiente ser bom. Há coisas demais por fazer. Torço para ele estar no tamanho certo de enfrentar a encrenca. Não entendo bem esse negócio de professor/ pesquisador/ intelectual como gestor público. Mas pode funcionar, exemplos não faltam de gente de uma formação diferente da de administrdor, sair-se bem em função tal. Conheci Albino da Faculdade de Comunicação, todos que passaram pela Facom nos últimos 20 anos sabem quem ele é. Sempre foi um dos grandes professores, uma estrela, do qual ninguém (ou poucos) questionava a competência. Tanto que acumulava funções disso e daquilo, coordenava não sei quantos projetos, foi diretor pelo menos duas vezes, que eu lembre. Não é uma unanimidade, mas sabe-se que não é um zero à esquerda. É vinculado ao PT há muito tempo, soube até que é filiado, coisa que não sabia até semana passada. A Bahia passa por uma fase terrível, escrota, não merece isso. Salvador, então, tornou-se um problema sério (e o interior do Estado não vive nenhum paraíso). Torço para, embalado nos ares do Mundial de Futebol, a Bahia comece a se encontrar no tempo e no espaço. Torço para parar de ter vergonha de andar nas ruas, de viver por aqui.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Meus votos

A campanha eleitoral avança para os instantes finais. Acompanho tudo, me informo diariamente, mas confesso que já estou ficando de saco cheio. Tomara que chegue logo o dia. E vamos virar a página, seguir a vida.

Já defini quase todos os meus votos. Meu candidadto à deputado estadual é Joseildo Ramos, ex-prefeito de Alagoinhas, trabalhei com ele. É um cara muitíssimo competente. Fez um trabalho espetacular em dois mandatos em Alagoinhas. Saiu com aprovação imensa.

O deputado federal é, por enquanto, Emiliano José. Foi meu professor de jornalismo na faculdade. Venho acompanhando sua trajetória política desde que saiu candidato a vereador, foi também deputado estadual, depois federal (ocupou o mandato final de Pelegrino). Escreve muito sobre o período da ditadura militar. Escreve muito bem, é bom professor, debatedor. Tem sido um parlamentar aguerrido. É íntegro e tem aquela ternura dos homens sérios.

O senador é Edivaldo Brito. Depois que vi ele falar em alguns encontros fui investigar sua vida. É incrível. Foi lavador de carros, família paupérrima, para virar doutor. Tem uma trajetória bonita, mas mais do que isso, até onde compreendo, ele alia capacidade com integridade.

Não estou decidido pelo governador. Se a eleição fosse hoje, votaria talvez em Wagner (contrariado pela falta de opção).

A candidata a presidente é Marina Silva. A cada dia, ela me ganha mais um pouco. O engraçado é que a primeira pessoa a se empolgar com Marina foi a minha filha de oito anos. Até panfleto com lápis de cor ela tem feito para convencer os colegas na escola. Convencer a nada, vocês sabem, criança não vota mas adora dar palpite.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Liberdade, liberdade

Estou acompanhando os lances da campanha eleitoral. Não sei o que vou fazer em termo de voto: o quadro é triste, monocórdio, pobre. Mas quero estar tranquilo para, após o pleito, acompanhar com atenção quem quer que seja o eleito. Os eleitos. Já devo ter falado isso, mas falo de novo. Até aqui, o que sei é que, seja lá em quem vote, não será com entusiasmo. O que é uma pena.

*

Daí um amigo me incita a me filiar ao seu partido. Com um amigo desses... Gosto mais do estilo "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós" que a prisão a um partido político. Por isso nunca me filiei. Já fui muito simpático à idéia de filiação, é verdade. Por um tempo (era um outro tempo mesmo, do "Fora, Collor" etc), pensei bastante no PT. Isso porque gostava dos caras que conheci ligados ao partido na escola. E porque fiquei amigo e quase-namorado de uma moça (linda) do partido.

Depois fiquei muito simpático à idéia de aderir ao PV. Entrevistei um dos quadros uma vez, fiquei muito impressionado. A ótima impressão veio de bonde. Mas uma decpção sobre rumos, definições, coligações e etc veio em seguida, com o tempo. A última vez que pensei (já não tão empolgado) em ingressar num partido político foi com o PPS, por causa do Ciro Gomes (de quem ainda gosto) e por causa da amizade com o grande Alfredinho, o presidente do partido em Alagoinhas, cidade onde vivi um período.

Felizmente, nunca cedi à tentação da carterinha. Claro, teria sido uma experiência. Mas gosto de não estar comprometido a entender a idiossincrasia dos partidos, que é uma lógica muito escrota às vezes.

Gosto da liberdade de poder discordar, falar mal, se for o caso. E também de gostar de quem eu quiser. (Isso me lembra Renato Russo. Foi ele quem gritou uma vez num show, "eu amo quem eu quiser". As patrulhas caíam em cima por causa da opção sexual do roqueiro que declarou que gostava de meninos e meninas. Ele reagiu. Tava certo ele.)

Estar em um partido é assinar embaixo das coisas mais espantosas que podem ser feitas para que seja possível governar ou minimamente disputar o poder. Tem gente que gosta de jogar esse jogo. Tem gente que não. Prefiro ter a minha voz e opinião livres. E dormir tranquilo. Se antes, quando era inocente, puro e besta, não me meti na asneira de me filiar a um partido, não será agora que o farei.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Voto

As pessoas estão falando bastante nos jogos do mundial de futebol. Mas também muito se fala nas eleições que se aproximam. Depois de 11 de julho, fim da copa, a eleição vai ganhar o primeiro plano do noticiário e dos comentários de bar. Que coisa engraçada, a minha filha pequena, oito anos, me disse ontem que vai votar em Marina Silva. É claro que com essa idade ela não vota em ninguém, mas em toda eleição tem a sua preferência e a manifesta. Marina Silva é aquela candidata que tem a simpatia de uma parte de artistas e intelectuais (Gilberto Gil, Fernando Meireles já manifestaram apoio. Diferente de Rita Lee que disse que ela tem cara de quem está com fome.). Uma amiga me perguntou em quem eu pretendo votar. Ainda não tenho resposta para essa pergunta, mas a despeito da divisão ideológica que possa promover em casa, espero mesmo que não seja na Marina. Quando fui questionado, pensei na eleição em geral. Nem me detive num candidato. Acho que é porque a angústia é a mesma, quer essa amiga tenha se referido ao pleito estadual, quer tenha questionado sobre a disputa nacional. Eu nunca estive com tanta vontade de votar nulo. Por princípio, não vou anular o meu voto (nunca o fiz). O que torna a minha decisão ainda mais difícil. As opções são tristemente (aborrecidamente?) semelhantes. A pobreza, a falta de opções diferenciadas, é um sintoma ruim para o eleitor. Tenho a sensação de que, qualquer que seja a minha escolha, estarei me sabotando.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Janela

Levanto a mão se alguém pergunta quem é favorável à atitude da Petrobras que criou o blog "Fatos e Dados". Que gol, hein! E a estatal está sendo acusada de publicar no blog não só os esclarecimentos e respostas que têm dado em entrevistas, mas também as perguntas enviadas por jornalistas. Pela primeira vez testemunho uma reação inteligente ao "posso tudo" que a imprensa pratica em nome dos seus próprios interesses. Quem acha que CPI é instrumento de investigação séria e não palco para a atuação de políticos profissionais e interesses mil tem muita fé na humanidade. Eu não tenho. Falei outro dia aqui que os grandes órgãos de imprensa têm poder demais e não querem que mexam em seus privilégios, mesmo que cometam erros que não são corrigidos com o mesmo destaque e prejuízos (intencionais ou não) à imagem de empresas e pessoas a torto e a direito. Essa reação da Petrobras é uma janela para o futuro. Nessa briga, estou com Luis Nassif: "Está se encerrando a era das informações seletivas para compor reportagens. Não restará outra alternativa senão fazer reportagens tecnicamente bem feitas, baseadas em fatos não questionáveis. Em suma, praticar jornalismo."

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pode escrever o caralho aí

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever o caralho aí." Ciro Gomes, deputado federal

Tenho simpatia pelo Ciro Gomes. Há um histórico complicado na sua relação com jornalistas. Ciro tem boca suja, não engole provocação e fala o que pensa, mesmo que crie saia justa para aliados e problemas para ele mesmo. O que não é nada bom para um virtual candidato à presidência. Há uma implicância nítida de alguns profissionais de imprensa com ele. Bem fácil, as coisas esquentam. Mas esse post não é para falar disso. Minha cabeça estava mais na cobertura política dessa última semana. O bate-boca dos ministros do STF, a questão das passagens aéreas no Congresso e, claro, o noticiário antecipado sobre a movimentação para as eleições de 2010. Nossos políticos não são santos. Menos ainda a nossa imprensa. Eu sou jornalista. E favorável à imprensa livre. Mas acho que há exageros e muito "maria vai com as outras" na cobertura da imprensa. Muito legítimo pegar no pé de autoridades, se há razão para tal. Mas se comportar com generalismo e como se ela, a imprensa, fosse inimputável é complicado. Qualquer crítica à abordagem dos meios de comunicação é tratada como um absurdo, como algo fora de lugar e, não raro, rechaçada com veemência. Ora, a cobertura dos veículos ao mesmo tempo que é míope em relação a muito do que acontece no país, especialmente fora dos grandes centros, por outro lado é excessiva, repetitiva, em relação a determinados temas. Sem falar que sua relação nebulosa com o poder é um dado da realidade que põe suspeita sobre muito do que é veiculado. Não sou bobo de achar que as coisas que são veiculadas atendem ao estrito e digno interesse público. É bem mais complicado que isso.