Enquanto Salvador vivia este momento intranquilo, mantive no sábado o compromisso com a família. Fui eu mesmo à cozinha e preparei um cozido com mocotó entre as carnes.
Como na festa de natal não pude tomar bebida alcóolica, combinei este mocotó em minha casa para poder tomar todas e ter essa desculpa para juntar a família de novo.
Até que fui comportado. Só lá pelas tantas, tomei umas duas doses de conhaque depois de ficar umas horas na cerveja.
Botei pra tocar as marchinhas de Carnaval só para ouvir piadas de cinco em cinco minutos. No fim, acho que as pessoas gostam de marchinhas. São eternas, tem ritmo, não apelam para as partes do corpo nas rimas, nem abusam de duplo sentido como se fosse uma obrigação poética.
Depois, o grande Bezerra da Silva e sua cantilena que evoca a malandragem, a bandidagem, as drogas. Não sei o que seria de Bezerra da Silva se tivesse feito suas músicas hoje, seria fortemente atacado pelos imbecis do politicamente correto.
A pedidos, Raul Seixas dominou uma parte da festa. Um dos meus irmão adora. Todos nós da família temos uma relação afetiva com o cancioneiro de Raul.
Teve mais coisas na trilha da noite, sambas, canções mais atuais de Carnaval e a boa banda "Movidos a álcool", que mistura brega com rock and roll.
Acho que 30% das conversas foram sobre a greve da polícia na cidade da Bahia.
Meu irmão, que chegou a pouco da Europa, me trouxe uma garrafa de vinho do Porto.
O cozido estava delicioso. Só faltou o molho de pimenta.
Com tantos afazeres, quando lembrei da pimenta, o horário já estava adiantado. E a preguiça não me deixou me mover.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Coisas
Fizeram muita coisa boa no Carnaval. Falo de canções, as marchinhas maravilhosas, que ainda hoje são atraentes e atuais nessa época do ano. Claro que ajuda o fato de o time de compositores das marchinhas mais longevas ser muito bom (gente como Adoniran Barbosa, Mário Lago, Lamartine Babo, Zé Keti, Noel Rosa etc). Estive pesquisando para a trilha sonora de um encontro em casa com a família e revivi coisas deliciosas.
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Ainda bem que existem as séries para me salvar as noites, porque é muito ruim a novela do Aguinaldo Silva. Em geral, sua falta de senso de ridículo é terrível. Pior, é ele fazendo propaganda dele mesmo como se sempre entregasse uma obra irretocável. Não me incomodo com gente que se acha, tudo bem, é uma maneira de afirmação e auto-estima. Mas é preciso ser realmente muito bom para posar de muito bom, senão fica feio demais. Não dá para achar que é o maior de todos os tempos se não tem condições para isso. Tem que ser pelo menos um Dias Gomes para se achar Dias Gomes. Há acertos nessa novela como em outras, sempre há o que se salve (como a boa construção de Marcelo Serrado; e mesmo no chatíssimo texto e contexto do politicamente correto, Lilian Cabral não consegue entregar um personagem ruim há muito tempo; ela continua ótima). Mas o inverrossímel e o esforço para tratar o espectador como imbecil nessa novela é de doer.
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Pelo que li sobre o assunto, parece que Rita Lee exagerou na reação aos policiais de Aracaju. Em geral, quando há conflito com a polícia, minha tendência natural é desconfiar dos fardados. Mas, pelo que se demonstra até agora, os policiais não fizeram nada demais, pelo menos nada que justificasse que fossem chamados de "cachorros", "filhos da p..." etc. Apesar disso, fiquei com pena de Rita. Gosto muito dela. Irreverência e atitude não é algo que se vê por aí todo dia...
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Assisti com atraso monumental à quarta temporada de True Blood. Tanto que já está no ar o teaser da próxima temporada. O que sei é que vi muita gente falar mal na internet. Minha amiga Juliana largou no meio e torceu o nariz. Eu gostei. Há momentos e momentos, altos e baixos, uma ou outra coisa mais chata. No geral, é o mesmo programa de sempre (sexy, irônico, politicamente incorreto, até bobo), um bom passatempo mesmo com os excessos e tudo mais. E o episódio final foi especialmente inspirado e cheio de promessas de que coisas muito boas podem estar por vir. Se não for só promessa...
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Estou observando com animação e espectativa o movimento "Desocupa, João".
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Trânsito
Atualmente, nessa minha vida de condutor, tenho observado coisas. Por exemplo, Salvador é muito ruim em matéria de sinalização de trânsito. A cidade é ruim em muitas coisas, em sinalização é péssima. Nos bairros mais nobres há alguma coisa parecida com sinalização horizontal e vertical, porém quando vamos mais para a periferia, é o inferno. Sem falar no crime de haver tantos e tão variados buracos ao longo do asfalto (que se multiplicam quando chove), ondulações inexplicáveis na pista, lombadas a torto e a direito, sem nenhum critério. Ser motorista numa cidade entregue à própria sorte como essa é um negócio absurdo. O que eu acho curioso é que tomamos conhecimento de motoristas punidos por infrações de trânsito - em quantidade infinitamente menor do que o que se pratica. Mas o que intriga mesmo é que, no entanto, nunca se ouve falar de um gestor público que tenha sido penalizado por estupenda ausência de gestão em matéria de trânsito.
domingo, 25 de setembro de 2011
Siricotico
Estava com saudade de ir ao teatro. Por isso, recebi com satisfação a sugestão dos amigos para ver algo no sábado à noite.
Muito divertido o espetáculo "Siricotico - Uma comédia do balacobaco", dirigido por Fernanda Paquelet, com a Companhia Baiana de Patifaria.
Propositadamente exagerada e cheia de reviravoltas calculadamente "teatrais", a peça se alimenta do mundo do teatro, da indústria do entretenimento local e do noticiário sobre Salvador para fazer seu repertório de piadas.
A turma se sai muito bem em um trabalho longo (quase duas horas em cena), mas que tem fôlego até o final.
Os atores são incansáveis e fazem rir o tempo inteiro.
Um teatro comercial de boa cepa, feito com inteligência e conteúdo.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
O turista
Muito simpático o Espaço Unibanco Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. Todo o entorno está maltratado, como virou regra em Salvador. Mas o cinema é bacana, tem um café e uma livraria arrumados e portas de vidro que deixam ver a paisagem belíssima da Baía de Todos os Santos. Fomos eu e a patroa ver "O Turista", filme com a Angelina Jolie e o Johnny Depp. Como esperava uma bomba (era Eloá quem queria ver), no fim não achei tão ruim. As cenas gravadas em Veneza são bem bonitas, a Angelina tem aquele rosto belo que já garante 50% da satisfação com qualquer filme e ver o Johnny Depp atuando não é mau negócio (mesmo ele tão longe das atuações grandes que já fez na tela). Em termo de enredo, o filme não convence com seus jogos de identidade, nem como história de amor. O suspense segura o interesse no início, mas não mantém a tensão necessária até o final. Fico agradecido de as cenas de perseguição estarem livres de efeitos digitais incríveis e coreografias espeaculares. Não é um filme que chega a aborrecer. Mas também não é nada demais.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Torço para Albino Rubim ser bom secretário de Cultura. Como as coisas vem indo, talvez não seja suficiente ser bom. Há coisas demais por fazer. Torço para ele estar no tamanho certo de enfrentar a encrenca. Não entendo bem esse negócio de professor/ pesquisador/ intelectual como gestor público. Mas pode funcionar, exemplos não faltam de gente de uma formação diferente da de administrdor, sair-se bem em função tal. Conheci Albino da Faculdade de Comunicação, todos que passaram pela Facom nos últimos 20 anos sabem quem ele é. Sempre foi um dos grandes professores, uma estrela, do qual ninguém (ou poucos) questionava a competência. Tanto que acumulava funções disso e daquilo, coordenava não sei quantos projetos, foi diretor pelo menos duas vezes, que eu lembre. Não é uma unanimidade, mas sabe-se que não é um zero à esquerda. É vinculado ao PT há muito tempo, soube até que é filiado, coisa que não sabia até semana passada. A Bahia passa por uma fase terrível, escrota, não merece isso. Salvador, então, tornou-se um problema sério (e o interior do Estado não vive nenhum paraíso). Torço para, embalado nos ares do Mundial de Futebol, a Bahia comece a se encontrar no tempo e no espaço. Torço para parar de ter vergonha de andar nas ruas, de viver por aqui.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Claudinha

Fiquei indeciso até o último minuto. Enfim sai de casa para o show de Claudia Leitte ontem, no Farol da Barra. Minha indecisão tem razões. Não gosto de muita gente junta, não dessa forma. Brinquei meus mais de 20 carnavais, eu sei, sou um entusiasmado dessa festa. Mas sei onde piso, os lugares onde vou e o quanto de multidão quero encarar. Em geral, gosto de show para ver no conforto, sentadinho. Neste sentido, sou mais de ver um Paulinho da Viola... Mas consigo me meter numa festa de rua também. Sei me adaptar. Claudinha (muitos a chamam assim) fez um show grande, bem produzido. Me interessou bastante a abertura com aqueles soldados em estilo romano. E do meio do turbilhão foi bonito ver a cantora flutuar do meio do palco, aterrisando mais à frente para começar o show. Foi um início de impacto.
Cláudia não é um projeto comercial para enganar trouxa. Não é um artifício. Sei que isso é complicado. Tem muita gente que gosta de bater firme na música de sucesso feita na Bahia. Mas seus shows não fazem sucesso à toa. Para as pessoas atentas, daquele palco, um século de história os contempla. (A paródia a essa frase de Napoleão, creio que vem à calhar - ele teria dito aos soldados na invasão do Egito: "Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam". É a mesma frase que o baiano Castro Alves usa de epígrafe em seu lindo poema "O século"). Naquele palco, naquele repertório, até no remelexo de cintura de Claudia Leitte tem uma tradição baiana, tem uma história. A Bahia aprendeu a fazer muito dinheiro com talento, molejo, cultura, tradição e, óbvio, com o aceno ao componente sexual.
Há artistas que sabem compor tudo isso bem, que usa bem esse repertório cultural e sabe prestar as devidas reverências ao patrimônio que esse pedaço de terra acumula. É bom ver que o show dá mostras de muita gente de alto nível profissional envolvido. Do figurino à luz, das coreografias aos arranjos (que, para regozijo de gente como eu, traz pitadas de samba-de-roda aos montes). Foi um show bom, em local amplo e belo, acessível a todos que quiseram ver. Retornei para casa feliz. Com a imagem na cabeça de Claudinha sambando feito uma desvairada. Linda como sempre.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Lembrança
Aí eu fumava quando dava na telha. Era mais de sarro. E sempre gostei de fazer coisas que insultam as patrulhas organizadas. E não há nada mais insuportável que as comadres (homens e mulheres) que berram, fazem discursos emocionados para você parar de fumar. Mesmo que você se isole, ache um buraco e fique lá tragando sozinho, não há perdão. Pior que o pessoal anti-fumo é o pessoal que reverbera contra o consumo de carne. Ô raça ruim. O cara não se contenta em fazer uma escolha para a vida dele, quer levar o mundo inteiro para o seu paraíso (mesmo que seu paraíso seja o inferno). Mas enfim, essas noites eram maravilhosas. Em minhas lembranças, há os porres homéricos, os papos incríveis. Salvador era diferente. Na época da faculdade, na verdade começou bem antes, tive a sorte de me bater com uns caras muito legais, loucos, uns amigos do peito que tenho até hoje. E era acolhido pela porralouquice, pela vontade de fazer cinema ou teatro, de ser um grande poeta, de fundar um movimento literário. Meu amigo Franklin dizia que com dois poetas já era possível fazer um grande barulho, pensávamos em Mário e Oswald de Andrade, creio. Nunca fui muito do Oswald, apesar de tudo o que ele significou para a tropicália e tal. E Cazuza, que gosto até hoje, musicou um poema do Oswald, "Balada do Esplanada", lindamente. Mas meu coração sempre foi do Mário. Recitava sozinho "Eu sou trezentos, sou trezentos e cinqüenta". Estávamos no ensino médio, em cursos técnicos, mas ninguém queria ser técnico nem engenheiro, o passo seguinte. Todos queríamos ser artistas. Os mecânicos, eletrotécnicos, instrumentistas, eletrônicos, químicos, todos queríamos ser cineastas, poetas, compositores, queríamos chutar o pau da barraca, fazer a revolução. E mesmo numa escola técnica, discutíamos mais política e cultura do que leis da física. Ninguém saiu ileso daqueles tempos.
terça-feira, 10 de março de 2009
Alice
Alice Braga é uma menina boa, talentosa. E em "Cidade Baixa", de 2005, primeiro filme dirigido pelo baiano Sérgio Machado, ela está especialmente interessante ao lado de Lázaro Ramos e Wagner Moura. Faz tempo que vi esse filme, de fotografia linda, que traz um drama amoroso (que por pouco não se torna tragédia) ao cenário das ruas da Cidade Baixa, em Salvador. Vi o filme duas vezes, a última vez em Alagoinhas. A imagem acima, de Alice Braga no filme, passa a ilustrar o blog. Este blog, eu sei, está diferente a cada dia.
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