Dois filmes interessantes: "Confiar", de David Schwimmer, é mais mediano do que bom, na verdade. Porém, tem várias coisas que mexeram comigo. O tema é a pedofilia via internet, que evolui para o abuso sexual real. A vítima é uma menina de 14 anos, os pais (Clive Owen e Catherine Keener) enlouquecem, o caso bagunça a família toda. Eu, pai de uma garotinha, sou público-alvo desse tipo de filme, um filme, diga-se, que vai bem conduzido e foge da fórmula da justiça feita ainda que pelas próprias mãos. Não é assim. O filme mostra a fragilidade em que todos nós nos encontramos, a impossibilidade de evitar que os filhos se metam em fria etc. E o start para o drama é a confiança. A menina conhece um rapaz pela internet e se deixa seduzir apesar de o cara mostrar que a está enganando (ele diz que tem 16 anos, depois 20, depois 25... até encontrar com ela e a garota constatar que é um adulto acima dos 35 anos). Nesse ponto, pesa o fato de as amigas serem "descoladas" e tratarem o assunto sexo de forma banal. Os pais nem desconfiam dos termos que a garota usa longe deles e de sua curiosidade imensa sobre a primeira relação sexual.
O segundo filme também aborda a questão sexual. Chama-se "Uma relação perigosa", de David Cronenberg, que conta a história do encontro e desentendimento dos dois grandes nomes da Psicanálise: Freud e Jung, vividos por Viggo Mortesen e Michael Fassbender, respectivamente. No meio dos dois, está a personagem de Keira Knightley, a senhora Spielrein. É um drama bem interessante com imensos diálogos e discussões sobre neuroses, comportamentos e distúrbios, tudo obviamente remetendo à vida dos próprios personagens em questão. Em certo ponto me incomodou um pouco ter tanto texto, o que caberia bem a uma peça de teatro. Nada, no entanto, que estrague a sensação de que são levantadas questões interessantes e há uma boa contextualização da briga entre os dois doutores, grandes nomes mesmo à época. Me incomodou um tantinho os trejeitos da Keira Knightley no início quando sua personagem está em surto. Ela chega à unidade de saúde se debatendo nas mãos de dois enfermeiros. Aos poucos vai sendo tratada e é curada, vindo a tornar-se mais tarde ela própria uma grande profissional da área.
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terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
São João
Final de semanda vendo filmes, claro. Entre um licor e outro, entre uma saída e outra. Saí bastante, desde quinta-feira, todos os dias pra tomar uma e curtir a companhia deliciosa da patroa. Foi um São João muito bom, divetido, nada cansativo, até dancei forró e fui tomar um café no Santo Antônio Além do Carmo. Um lugar charmoso, com aquela vista linda do mar, entramos pelo Cafelier, um café instalado num dos casarões do Centro Antigo, com trilha sonora de bossa nova.
Dos filmes que vi, o melhor foi "Shame", de Steve McQueen. É o filme em que o Michal Fassbender é um viciado em sexo e tem essa irmã problemática, a bonitinha e sensualíssima Carey Mulligan. A cena dela cantando "New York, New York" é triste e bem interessante. O filme é ritmo lento, tem esse personagem quieto, complicado, triste do Fassbender. Às vezes um ator se destaca e quando vê está aparecendo em tudo quanto é filme. É este o caso aqui, mas o cara é muito bom mesmo. Confesso que gostei do filme, gostei mais ainda da Carey.
A versão de David Fincher para "Os homens que não amavam as mulheres" é melhor que o original sueco. Gostei de ambos, mais o de Fincher é mais autoral, tem mais estilo, é um produto melhor. O meu problema é que não fico totalmente satisfeito com nenhum filme adaptado de livro. Sempre acho que a versão cinematográfica atropela tudo e sai comendo passagens importantes, detalhes que fazem toda a diferença. É um problema, na maioria das vezes, sem solução porque o filme sempre será um espaço curto para uma história que teve todo tempo necessário no papel. Dito isso, é preciso dizer que o filme de Fincher é bem digno.
Vi o terror "O despertar" que no trailer parecia ser bem melhor (E olha que em geral não gosto dos trailers atuais, que são videoclipes iguais uns aos outros com seu cortes acelerados). O filme é bem mais ou menos. A coisa boa é a beleza magnética da Rebecca Hall (uma das estrelas de "Vicky, Cristina, Barcelona", de Woody Allen), ela tem ótima presença em cena. Na cena de toalha então, excelente.
Já o filme "Sherlock Holmes", do Guy Ritchie, fui ver não sei porque cargas d'água. Desde o início, a idéia de um sherlock "moderno", físico, e distante do personagem que conhecemos dos livros, me pareceu bizarra e totalmente nada a ver. Foi exatamente o que achei nos primeiros minutos do filme, apesar do Robert Downey Jr., que é um cara de quem gosto. Desliguei ainda no começo e fui procurar melhor coisa para fazer. Como diz o Inácio Araújo, já tinha perdido o meu dinheiro. Não precisava perder também o meu tempo.
Dos filmes que vi, o melhor foi "Shame", de Steve McQueen. É o filme em que o Michal Fassbender é um viciado em sexo e tem essa irmã problemática, a bonitinha e sensualíssima Carey Mulligan. A cena dela cantando "New York, New York" é triste e bem interessante. O filme é ritmo lento, tem esse personagem quieto, complicado, triste do Fassbender. Às vezes um ator se destaca e quando vê está aparecendo em tudo quanto é filme. É este o caso aqui, mas o cara é muito bom mesmo. Confesso que gostei do filme, gostei mais ainda da Carey.
A versão de David Fincher para "Os homens que não amavam as mulheres" é melhor que o original sueco. Gostei de ambos, mais o de Fincher é mais autoral, tem mais estilo, é um produto melhor. O meu problema é que não fico totalmente satisfeito com nenhum filme adaptado de livro. Sempre acho que a versão cinematográfica atropela tudo e sai comendo passagens importantes, detalhes que fazem toda a diferença. É um problema, na maioria das vezes, sem solução porque o filme sempre será um espaço curto para uma história que teve todo tempo necessário no papel. Dito isso, é preciso dizer que o filme de Fincher é bem digno.
Vi o terror "O despertar" que no trailer parecia ser bem melhor (E olha que em geral não gosto dos trailers atuais, que são videoclipes iguais uns aos outros com seu cortes acelerados). O filme é bem mais ou menos. A coisa boa é a beleza magnética da Rebecca Hall (uma das estrelas de "Vicky, Cristina, Barcelona", de Woody Allen), ela tem ótima presença em cena. Na cena de toalha então, excelente.
Já o filme "Sherlock Holmes", do Guy Ritchie, fui ver não sei porque cargas d'água. Desde o início, a idéia de um sherlock "moderno", físico, e distante do personagem que conhecemos dos livros, me pareceu bizarra e totalmente nada a ver. Foi exatamente o que achei nos primeiros minutos do filme, apesar do Robert Downey Jr., que é um cara de quem gosto. Desliguei ainda no começo e fui procurar melhor coisa para fazer. Como diz o Inácio Araújo, já tinha perdido o meu dinheiro. Não precisava perder também o meu tempo.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Prometheus
Fui ver "Prometheus" neste fim de semana, a prequel de "Alien - O oitavo passageiro", dirigido por Ridley Scott. Gostei muito do filme, provavelmente um dos dois ou três entre os melhores filmes que vi este ano (nos últimos cinco anos?). "Prometeus" é muito bom. Especialmente se a gente vai ao cinema atrás de entretenimento de bom nível. Gosto muito de como as coisas são apresentadas, os cortes, a montagem e roteiro que vão revelando as coisas aos poucos. O bom suspense é feito de uma estrutura em que o espectador só fica sabendo das coisas na hora certa. Até lá vamos recebendo pedaços de informação para ir montando o quebra-cabeças. Está aí um dos prazeres: ir reunindo as informações e montando o quadro. O filme é grandioso, claustrofóbico e épico em diferentes momentos. Há as cenas em ambientes mínimos (dentro de uma cápsula de cirurgia) e em ambientes macros: na superfície da lua alienígena, cenas que na verdade foram filmadas num pedaço deslumbrante da Islândia. O elenco é estelar e está muito bem, com destaque ao quarteto central (Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron e Guy Pearce). Desse grupo, não é difícil destacar o robô do Michael Fassbender, incrivelmente verossímil e cativante. Não é um personagem fácil, em boa parte do filme ele é um ser misterioso apesar do tom de voz educado e simpático. No final das contas, é um dos antagonistas e responsável por uma experiência traumática para a heroína da trama. Por falar nisso, ela também merece destaque: o papel aqui recaiu sobre a atriz Noomi Rapace, que está muito bem em cena. Como em Alien, sem informação prévia, não dá para saber quem vai ou não sobreviver a uma experiência aterrorizante que não promete muitas esperanças aos humanos. O filme fala sobre origem da espécie, busca de respostas sobre quem somos e para onde vamos, questiona religião, põe em xeque a ciência. Nada disso é tão interessante quanto a sensação passada ao espectador de vulnerabilidade total diante do desconhecido. Essa que é a matéria prima de todas as histórias de suspense e terror. O filme combina questões metafísicas com cenas de ação muito bem feitas. É um trabalho pelo qual vale a pena sair de casa e sentar na frente da tela do cinema.
*
Ridley Scott é um cara que admiro. Os seus dois Aliens (O oitavo passageiro e O resgate) são excelentes, estão entre os melhores filmes de ficção e suspense da história do cinema. Sua filmografia é bem irregular, tem de tudo um pouco. Eu adoro Blade Runner, sobre o qual já fiz trabalho na faculdade, um filme que sempre me fascinou. Outros destaques, eu citaria “Thelma & Louise”, “Gladiador”, “O gângster” e “Um bom ano”. Mas é uma escolha absolutamente pessoal. O critério é o meu próprio gosto. Em outros filmes seus, não morro assim de amores, mas ele é um diretor que sempre tem algo interessante a dizer.
*
Ridley Scott é um cara que admiro. Os seus dois Aliens (O oitavo passageiro e O resgate) são excelentes, estão entre os melhores filmes de ficção e suspense da história do cinema. Sua filmografia é bem irregular, tem de tudo um pouco. Eu adoro Blade Runner, sobre o qual já fiz trabalho na faculdade, um filme que sempre me fascinou. Outros destaques, eu citaria “Thelma & Louise”, “Gladiador”, “O gângster” e “Um bom ano”. Mas é uma escolha absolutamente pessoal. O critério é o meu próprio gosto. Em outros filmes seus, não morro assim de amores, mas ele é um diretor que sempre tem algo interessante a dizer.
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sábado, 9 de junho de 2012
Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
Gostei bastante de "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios", filme de Beto Brant e Renato Ciasca. No começo, confesso que estranhei as cenas sem explicação que vão se sucedendo, sem uma narrativa propriamente. Também encasquetei com a mulher pelada na praia aparentemente posando para um ensaio fotográfico. Gosto de nudez, tudo certo, mas uma nudez gratuita não ajuda um filme. Ainda acho aquela abertura dispensável. Mas isso é de menos. O filme tem uma coerência e sua narrativa estranha, fugindo da linearidade do começo, meio e fim, acaba-se acostumando com ela. A mistura de narrativa com imagens do ambiente - florestas, rios e outras paisagens do norte - é um atrativo e enriquece o filme. Os diretores não deixam de criticar o desmatamento da floresta e a exploração das riquezas naturais, há cenas de personagens discursando contra essa exploração. Sem o cenário, seria apenas uma (boa) história de triângulo amoroso. O ambiente faz toda a diferença e dá força incomum ao drama. Camila Pitanga está bem, sem vergonha, mostra talento, se entrega bastante ao personagem. É uma figura bela, com os lábios grandes e bonitos bem adequados ao título. Seu personagem é forte e multifacetado. E a atriz segura a onda bem nos vários momentos do filme. O restante do elenco também está bem em cena: Zecarlos Machado é o marido da personagem de Camila; Gustavo Machado é o outro vértice do triângulo. Como se deve imaginar, não espere final feliz neste filme. O que não é ruim.
*
Me aborreceu um pouco o filme "A dama de ferro", de Phyllida Lloyd. Gosto das cenas que contam como uma mulher conseguiu ascender ao principal posto político de uma Inglaterra dominada por homens. Não gosto tanto das cenas da velhinha tentando conviver com seus fantasmas e suas lembranças da mulher que foi. E são essas passagens que guiam o filme. No final, é um filme de atriz, feito sob medida para Meryl Streep brilhar em cena. Ela, como sempre, não decepciona. Mas está longe de ser um filme imperdível.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
Tributo à Legião
Acho o Wagner Moura um ator talentoso. Já gostava dele aqui em
Salvador, gosto ainda mais agora depois que a experiência mostra os
benefícios em sua carreira. Nunca empolguei com o Wagner cantor. E
fiquei curioso para vê-lo no papel do band leader desse tributo que a
MTV faz à Legião Urbana, uma banda que fez minha cabeça desde os onze ou
doze anos de idade. Vi o show com atenção e novamente não empolguei com
a performance, apesar de que o repertório da banda remexe coisas lá no
fundo da alma. Muita gente deve ter gostado, a emissora faz bem em
ousar, para o mercado certamente é um bom negócio - vai virar CD, DVD e
não sei mais quantas repetições na televisão. Da minha parte, poderia
passar perfeitamente bem sem esse tributo. Vale mais ouvir - mais uma
vez - as versões originais nos discos da banda.
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terça-feira, 15 de maio de 2012
Paraísos Artificiais
Não esperava exatamente um filme incrível. Confesso que fui assistir ao brasileiro "Paraísos Artificiais", de Marcos Prado, atraído pela promessa de nudez da linda Nathalia Dill. Não há decepções nesse quesito e a atriz segura bem a onda de seu personagem. Ela é uma DJ que tem envolvimento com drogas e sofre as consequências da relação com pílulas, gotas e amizades descontroladas. O mocinho da história, se é que se pode falar assim, é o ator Luca Bianchi, que faz o personagem Nando. Os dois se envolvem amorosamente, as festas de música eletrônica, o uso de drogas e o sexo (a dois e a três) são pano de fundo. Parte da história se passa em Amsterdã. O filme trata de uma série de questões que estão no entorno do uso das drogas pela juventude. A família e amigos de Nando aparecem, ele perdeu o pai e se culpa por isso. O irmão mais jovem é o garoto que herda as amizades do irmão quando ele vai preso (o filme começa com o Nando saindo da cadeia). A mãe sofre por um e outro. Mas quem segura essa moçada quando quer sair, agitar, tomar todas? Não é um filme complicado, mas acontece em dois tempos, presente e passado, sem que essa opção traga qualquer dificuldade para se entender o que vai na tela. No final da projeção não há muito sobre o que pensar, não dá pra dizer que ficamos com questões na cabeça, que traga qualquer aprofundamento ou abordagem diferenciada sobre qualquer dos pontos apresentados. Também não é um filme ruim. E acima de tudo, como consolo de luxo, sempre temos a lembrança das lindas imagens da Nathalia Dill pelada. Presença em cena ela tem, magnetismo também, e não é nenhum vazio de talento. O que mais precisa uma estrela?
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segunda-feira, 14 de maio de 2012
Estamos juntos
Assisti "Estamos juntos", filme de Toni Venturi, com Leandra Leal e Cauã Reymond. Fui com toda vontade de gostar do filme, até porque acho a Leandra Leal uma atriz muito boa, que está na profissão desde
menina. Uma pena, não gostei nada do filme que me pareceu meio perdido. Outro brasileiro que não me empolgou foi "2 Coelhos", de Afonso Poyart. Apesar da beleza da Alessandra Negrini, a produção não me conquistou com seus flashbacks, reviravoltas, e tom de filme moderninho. Fiquei bem entediado na verdade. Gosto do Fernando Alves Pinto. O filme Terra Estrangeira de Walter Salles com ele (creio que é sua estréia na telona), é um dos filmes que mais gosto. Preciso até rever para saber se ainda hoje mantenho essa opinião. Quando vi a primeira de umas três vezes, fiquei siderado. O Fernando não está ruim em "2 Coelhos", a questão é que o filme como um todo não me convenceu.
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Tudo pelo poder
Vi “Tudo pelo poder” às escuras, ou seja, sem saber nada sobre ele, e terminei o filme de George Clooney pensando muito em Shakespeare. Daí vou ler o que se escreveu sobre o longa e descubro que já no título original “Ides of March” há referência à obra de Shakespeare, ao conhecido episódio do assassinato de Júlio César por Brutos. Não fui tão certeiro, mas assim que o filme terminou pensei na frase clichê “na veia”, no caso, “Shakespeare na veia”. Achei o filme bom pra c…, de longe o melhor que vi no ano inteiro até aqui. Exagero? Provavelmente, mas dá a dimensão do que o filme provocou em mim. Achei que seria mais um desses filmes chatinhos sobre bastidores do poder na América. Olha, o filme não tem nada de chato e traz um Ryan Gosling de atuação hipnótica. Ele é um ator incrível. O elenco é de muitas estrelas, todos grandes atores, e muito bem em seus papéis: George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood. Na trama, a campanha para as prévias do partido democrata. O centro da atenção é o personagem de Gosling. É um filme acelerado, com boas cenas envolvendo a relação imprensa x poder e mais ainda o papel central dos assessores na trajetória do candidato. No filme, política é coisa suja, ponto. Quem vence, não faz isso sem sujar as mãos. Parece um quadro redutor de um ambiente tão complexo. É mesmo redutor, mas dá sinais bem evidentes de como as coisas se passam longe dos olhos do público. Seja nos states, seja aqui mesmo em nossa república.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
Televisão
Na internet, vi o primeiro episódio de "Louco por elas", série com o Du Moscovis, e achei muito simpático. Seria surpresa não ser bom com gente como João Falcão, Adriana Falcão e Guel Arraes envolvidos.
*
Novela, eu sempre quero ver as primeiras semanas. É um período em que o material está mais bem trabalhado e ainda não houve interferências e mudanças de rumo impostas pela audiência. Mas mesmo nessas primeiras semanas, minha implicância com o autor de "Avenida Brasil", João Emanuel Carneiro, não desaparece, ao contrário. O que, de fao é muito legal, nessa nova novela? A vilã de Adriana Esteves comprova o talento indiscutível da atriz, mas sua personagem não está um tom acima? Murilo Benício já foi uma grande promessa da televisão. Até hoje não saiu da promessa. Faz exatamente os mesmos tipos de sempre, com os mesmos cacoetes. E não é que seja o mesmo e esse mesmo seja legal (tipo um Pedro Cardoso). Benício é a mesma chatice de sempre. Débora Falabella é a vingadora a la Kill Bill da vez (só eu pensei nisso quando vi aquele close dela na moto?). Débora é boa atriz, mas ainda não apareceu com força na trama. Até agora só franziu a sobrancelha e fez cara de choro (diferente da garotinha que faz seu personagem criança e que é mesmo um achado, apesar do texto extremamente clichê). E o que dizer de personagens que são salvos de viver na miséria de um lixão, vão morar bem (até em outro país), ter tudo, mas retornam à miséria para fazer visita e matar saudades. Hein? É possível? Sem falar que o lixão é tipicamente um lixão para inglês ver, né. Pelo visto (e por ter lá uma potência como a Vera Holtz), vê-se que será uma locação importante na trama, onde os personagens estarão voltando sempre para que ali coisas aconteçam. Personagens bem de vida, alguns com carrão, viagem para o exterior, e mansão com empregados, todos frequentando lixão? E o núcleo cômico feito por Alexandre Borges e suas diferentes mulheres que não sabem uma da outra? Quem não já viu esse filme, digo, essa novela? Em pelo menos todas as anteriores. Quem é legal em papéis menores? Nathalia Dill é linda e até agora isso tem sido suficiente. Débora Bloch continua bela, mas é atriz para muito mais. Ísis Valverde é talentosa, tomara que seu personagem não caia na pura caricatura. Marcello Novaes, um ator carente de cloreto de sódio, tem um único papel, servir de escada para Adriana Esteves. Fabíula Nascimento, essa ótima atriz, tomara que não fique reduzida na trama a uma sombra andando atrás da Heloísa Perissé.
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Novela, eu sempre quero ver as primeiras semanas. É um período em que o material está mais bem trabalhado e ainda não houve interferências e mudanças de rumo impostas pela audiência. Mas mesmo nessas primeiras semanas, minha implicância com o autor de "Avenida Brasil", João Emanuel Carneiro, não desaparece, ao contrário. O que, de fao é muito legal, nessa nova novela? A vilã de Adriana Esteves comprova o talento indiscutível da atriz, mas sua personagem não está um tom acima? Murilo Benício já foi uma grande promessa da televisão. Até hoje não saiu da promessa. Faz exatamente os mesmos tipos de sempre, com os mesmos cacoetes. E não é que seja o mesmo e esse mesmo seja legal (tipo um Pedro Cardoso). Benício é a mesma chatice de sempre. Débora Falabella é a vingadora a la Kill Bill da vez (só eu pensei nisso quando vi aquele close dela na moto?). Débora é boa atriz, mas ainda não apareceu com força na trama. Até agora só franziu a sobrancelha e fez cara de choro (diferente da garotinha que faz seu personagem criança e que é mesmo um achado, apesar do texto extremamente clichê). E o que dizer de personagens que são salvos de viver na miséria de um lixão, vão morar bem (até em outro país), ter tudo, mas retornam à miséria para fazer visita e matar saudades. Hein? É possível? Sem falar que o lixão é tipicamente um lixão para inglês ver, né. Pelo visto (e por ter lá uma potência como a Vera Holtz), vê-se que será uma locação importante na trama, onde os personagens estarão voltando sempre para que ali coisas aconteçam. Personagens bem de vida, alguns com carrão, viagem para o exterior, e mansão com empregados, todos frequentando lixão? E o núcleo cômico feito por Alexandre Borges e suas diferentes mulheres que não sabem uma da outra? Quem não já viu esse filme, digo, essa novela? Em pelo menos todas as anteriores. Quem é legal em papéis menores? Nathalia Dill é linda e até agora isso tem sido suficiente. Débora Bloch continua bela, mas é atriz para muito mais. Ísis Valverde é talentosa, tomara que seu personagem não caia na pura caricatura. Marcello Novaes, um ator carente de cloreto de sódio, tem um único papel, servir de escada para Adriana Esteves. Fabíula Nascimento, essa ótima atriz, tomara que não fique reduzida na trama a uma sombra andando atrás da Heloísa Perissé.
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segunda-feira, 19 de março de 2012
Filmes
Gostei muito de "Deixa ela entrar", o filme sueco que narra uma amizade/amor entre um garoto e uma menina vampira. Tinha visto primeiro o remake americano, chamado "Deixe-me entrar", pelo qual morri de amores e já escrevi aqui sobre. É, a rigor, a mesma história com outros atores. Ambos são muito bons, mas meu coração ainda bate mais forte pelo remake, que vi primeiro - o impacto foi maior. Acho que, como é a mesma história, o segundo já não era uma novidade, era mais uma curiosidade. De qualquer forma, são dois ótimos filmes.
*
Pelo trailer, eu imaginei que "Gigantes de aço" era daqueles filmes comerciais piegas e entupidos de clichês. Ele é exatamente isso e ainda assim é um programa bem divertido. Assiste-se com prazer à história num futuro próximo do ex-lutador de boxe (Hugh Jackman) que ganha a vida com robôs lutadores. Os robôs, como se imagina, tem esses movimentos bem impressionantes que já não são novidade nessa indústria. O garoto é o filho renegado, que o pai vende para saudar dívidas e comprar mais um robô. Até o final, pai e filho terão oportunidade de se conhecer melhor e se acertar. Claro que já vimos esse filme antes. O bacana é que a produção usa a seu favor - e desavergonhadamente - enredos já conhecidos para entregar um produto bem simpático.
*
Como fiquei tanto tempo sem ver esse filme em que há cenas de pegação entre as incríveis Megan Fox e Amanda Seyfried, "Garota infernal"? Talvez porque o filme só tem isso de bom... É um thriller que deveria meter algum medo e fazer algum sentido. Nem uma coisa nem outra. Porém contudo essas duas se agarrando numa cena de, sei lá, menos de um minuto, compensa bastante um roteiro acéfalo.
*
Pelo trailer, eu imaginei que "Gigantes de aço" era daqueles filmes comerciais piegas e entupidos de clichês. Ele é exatamente isso e ainda assim é um programa bem divertido. Assiste-se com prazer à história num futuro próximo do ex-lutador de boxe (Hugh Jackman) que ganha a vida com robôs lutadores. Os robôs, como se imagina, tem esses movimentos bem impressionantes que já não são novidade nessa indústria. O garoto é o filho renegado, que o pai vende para saudar dívidas e comprar mais um robô. Até o final, pai e filho terão oportunidade de se conhecer melhor e se acertar. Claro que já vimos esse filme antes. O bacana é que a produção usa a seu favor - e desavergonhadamente - enredos já conhecidos para entregar um produto bem simpático.
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Como fiquei tanto tempo sem ver esse filme em que há cenas de pegação entre as incríveis Megan Fox e Amanda Seyfried, "Garota infernal"? Talvez porque o filme só tem isso de bom... É um thriller que deveria meter algum medo e fazer algum sentido. Nem uma coisa nem outra. Porém contudo essas duas se agarrando numa cena de, sei lá, menos de um minuto, compensa bastante um roteiro acéfalo.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Drive
"Drive", do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, é um bom filme de ação e suspense. Tem aquele ar retrô, parece filme velho, a ponto de minha esposa perguntar de que ano era o filme. Eu disse que era recente, de 2011, ela fez cara de dúvida. Mas essa ambientação ajuda o filme, que é silencioso, tem uma trilha muito boa e muita tensão. O Ryan Gosling é o astro, seu personagem é um desses caras que fazem miséria com um carro na mão. Ele trabalha como dublê em cenas perigosas envolvendo veículos e também numa oficina (seu chefe é o Bryan Cranston, de Braking Bad). À noite, ele arruma tempo para dirigir em assaltos. Seu passado é um mistério, o que ajuda no clima de suspense. Não sabemos exatamente o que esperar do seu personagem quando as coisas se complicam. E as coisas ficam muito complicadas quando ele resolve fazer mais um "serviço". Sua intenção aqui é ajudar uma garota (Carey Mulligan), cujo marido está em dívida com criminosos. Para pagar a dívida, os bandidos querem que o tal marido execute um roubo. O personagem de Gosling vai ajudar, mas não sabe que é uma armadilha, daquelas situações em que nada sai como previsto. Estamos então na metade final e o filme se torna mais e mais violento. Não gostei tanto das cenas de sangue, que são bem feias. Mas gosto muito do jeito instrospectivo e quieto do personagem de Gosling. Sua relação com a garota por quem desenvolve um vínculo afetivo é bem trabalhada no início e se degrada com os acontecimentos. De qualquer forma é um filme não tão convencional e com várias cenas inspiradas.
*
E o que dizer do novo "Anjos da noite"? Apenas que é bom ver a Selene, personagem da estonteante Kate Beckinsale, socando os lycans maus. Cada vez gosto menos de filmes de efeitos e etc. Mas como resistir ao charme de Beckinsale? Sem ela, quebra-se as duas pernas da produção. A não ser que se arrume uma Rhona Mitra. Mas aí é outra história...
*
E o que dizer do novo "Anjos da noite"? Apenas que é bom ver a Selene, personagem da estonteante Kate Beckinsale, socando os lycans maus. Cada vez gosto menos de filmes de efeitos e etc. Mas como resistir ao charme de Beckinsale? Sem ela, quebra-se as duas pernas da produção. A não ser que se arrume uma Rhona Mitra. Mas aí é outra história...
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sexta-feira, 2 de março de 2012
A invenção de Hugo Cabret
Uma das coisas mais divertidas no filme "A invenção de Hugo Cabret" é a personagem da excelente Chloe Moretz, a pequena que é fissurada em leitura e de vez em quando insere uma palavra "difícil" em suas falas. Essa menina é um talento, recentemente fez alguns filmes marcantes da cultura pop ("Kick Ass - quebrando tudo" e o incrível "Deixe-me entrar") e é um dos atrativos desse novo trabalho de Martin Scorsese.
É preciso dizer que esse é um dos melhores filmes do diretor para o meu paladar. Gosto de muita coisa do Scorsese, desde trabalhos mais antigos como "Touro indomável" e "Taxi Drive" como também gosto de filmes mais novos como "O aviador" e "Infiltrados" (não amei, mas está longe de ser ruim o seu último filme, "A Ilha do Medo", de 2010).
A história do garotinho que vive numa estação de trem, comete pequenos furtos e sofre com a ausência do pai é muito prazerosa de acompanhar. Gosto de um filme que fala e mostra que o cinema pode ser um caminho, uma opção de vida, que mostra a beleza dessa arte. E Scorsese faz uma homenagem muito simpática a um dos pioneiros da história do cinema, o diretor Georges Miélès. E fala de uma maneira encantadora, tanto que a minha filha de dez anos amou o filme.
É mesmo um filme amável, traz aquela sensação de que se está em um sonho. O tratamento dado ao 3D, pela primeira vez me senti à vontade com esse recurso que gosto tanto de falar que odeio. Aqui gostei. É provável que tenha sido capturado pela abertura do filme, quando vemos do alto a cidade de Paris e a câmera faz um movimento lindo mergulhado de cima para baixo e avançando pelo corredor humano na estação de trem. Uau. Coisa de mestre mesmo. Assim como a cena em que os meninos derrubam uma caixa cheia de desenhos e os desenhos parecem vivos. Um efeito de cinema, simples, mas mágico.
A menina se enamora do novo amiguinho atraído pela aventura que podem vir a viver. E de fato é isso que Scorsese nos entrega, uma aventura sofisticada e simples, bem contada, feita com gosto.
É preciso dizer que esse é um dos melhores filmes do diretor para o meu paladar. Gosto de muita coisa do Scorsese, desde trabalhos mais antigos como "Touro indomável" e "Taxi Drive" como também gosto de filmes mais novos como "O aviador" e "Infiltrados" (não amei, mas está longe de ser ruim o seu último filme, "A Ilha do Medo", de 2010).
A história do garotinho que vive numa estação de trem, comete pequenos furtos e sofre com a ausência do pai é muito prazerosa de acompanhar. Gosto de um filme que fala e mostra que o cinema pode ser um caminho, uma opção de vida, que mostra a beleza dessa arte. E Scorsese faz uma homenagem muito simpática a um dos pioneiros da história do cinema, o diretor Georges Miélès. E fala de uma maneira encantadora, tanto que a minha filha de dez anos amou o filme.
É mesmo um filme amável, traz aquela sensação de que se está em um sonho. O tratamento dado ao 3D, pela primeira vez me senti à vontade com esse recurso que gosto tanto de falar que odeio. Aqui gostei. É provável que tenha sido capturado pela abertura do filme, quando vemos do alto a cidade de Paris e a câmera faz um movimento lindo mergulhado de cima para baixo e avançando pelo corredor humano na estação de trem. Uau. Coisa de mestre mesmo. Assim como a cena em que os meninos derrubam uma caixa cheia de desenhos e os desenhos parecem vivos. Um efeito de cinema, simples, mas mágico.
A menina se enamora do novo amiguinho atraído pela aventura que podem vir a viver. E de fato é isso que Scorsese nos entrega, uma aventura sofisticada e simples, bem contada, feita com gosto.
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Estava bastante cansado ontem à noite, mesmo assim me diverti muito com o filme "O artista", de Michel Hazanavicius. Tinha cá meus medos de que fosse chatinho ou "de arte", que é pior ainda. Mas não, é um filme muito bacana sobre o perído de transição entre o cinema mudo e o cinema falado. Os dois astros são Jean Dujardin e Bérénice Bejo. Para variar, caí de amores por ela. O filme é um encanto do começo ao fim.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Entre irmãos
Fiquei bem impressionado com Tobey Maguire no filme "Entre irmãos", de Jim Sheridan. Ele é um oficial das forças armadas que precisa se afastar da famlía (a esposa é Natalie Portman) para uma missão no Afeganistão. O helicóptero em que está cai e ele é dado como morto. Mas não morre, é capturado e submetido a uma experiência traumática. No período em que fica desaparecido, o irmão Jake Gyllenhaal se aproxima da sua esposa e das duas filhas pequenas. O oficial retorna à família que por vários meses o tinha como morto. As coisas não são mais como antes. O personagem de Maguire retorna transtornado. Ele está bem magro e angustiado. Portman é essa atriz bonita que conhecemos (embora aqui não seja muito mais que isso). São três bons atores e mais o Sam Shepard, que faz o pai dos dois irmãos. O filme é uma boa experiência, especialmente na cena climax quando o capitão tem uma reação explosiva na porta de casa. Nessa cena, os três atores estão muito bem. E Maguire está ótimo.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Luzes da cidade
Bia, minha filhinha de dez anos, assistiu comigo a um dos filmes que mais gosto da filmografia de Charles Chaplin: "Luzes da cidade". É aquele filme em que um vagabundo (Carlitos) é confundido com um homem rico por uma moça cega que vende flores. Não demora e ele cai de amores por ela. Ao mesmo tempo, o vagabundo salva da morte um homem realmente rico que acaba de ser abandonado pela mulher. Nas noites de bebedeira, o rico homem tem no vagabundo um grande amigo e anda com ele para todos os lados. Quando passa o efeito da bebida, o ricaço não quer saber do vagabundo, não o reconhece. Há muita situações divertidas como aquela em que Carlitos tenta conseguir dinheiro lutando boxe. Depois que o filme terminou, minha filha pediu para assistir tudo de novo. Achei bem curioso esse interesse. Não é a primeira vez que ela vê os filmes de Chaplin e sempre gosta. Ela viu "O circo", "O grande ditador" e agora "Luzes da cidade". Isso mostra como certos autores são grandes. Mesmo com tanto tempo de feitos, são filmes que continuam com algo a dizer. E para todas as faixas de público.
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O homem do futuro
Não é nada demais o filme "O homem do futuro", de Claudio Torres. Mas tem uma coisa que faz toda a diferença em relação a outras produções do gênero: Alinne Moraes. É uma pena que ela tenha feito poucos filmes. Alinne é muito talentosa e ajuda bastante ela ter essa beleza grande. Em "Fica comigo está noite", filme bacana do João Falcão, ela já mostrou que tem força na tela grande. Eu me senti recompensado em cada centavo que paguei no DVD de "O homem do futuro" exclusivamente por causa dela. Pena que não possa dizer o mesmo do filme como um todo... Há uma ou outra coisa mais simpática no longa, a canção em torno da qual tudo gira é um clássico dos anos 80, "Tempo perdido", da Legião Urbana, e é bem utilizada e tem tudo a ver com o tema etc. Mas aquela confusão com as viagens no tempo não empolga como deveria. Aliás, esse é um tema batido depois de "De volta para o futuro". Mesmo assim o cinema comercial americano fez coisas muito melhores. E não estou falando de nada que custe rios de dinheiro, não se trata de efeitos especiais e sim de criatividade. Penso nos recentes "Contra o tempo" e "Agentes do tempo", que vi também por agora. O tratamento é muito superior, anos luz. Nenhum assunto deve ser considerado esgotado, sempre é possível tirar algo de um enredo aparentemente óbvio. Ruim é partir do óbvio para não chegar a lugar nenhum. Mas louvo que o cinema comercial brasileiro lute para fazer público. Espero que a gente chegue a algum lugar.
P.S.: E não há como não registrar que Wagner Moura continua sendo um ator importante no cinema nacional, que tem engolido os filmes que faz. Em alguns casos como aqui, e em "Vips", os filmes giram em torno dele, simplesmente.
P.S.: E não há como não registrar que Wagner Moura continua sendo um ator importante no cinema nacional, que tem engolido os filmes que faz. Em alguns casos como aqui, e em "Vips", os filmes giram em torno dele, simplesmente.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O que primeiro me chamou a atenção, me dizendo que se tratava de um bom filme, foi a fotografia.
"Precisamos falar sobre Kevin", da diretora escocesa Lynne Ramsay, começa com aquela imagem incrível da guerra de tomates, a tela é tomada pelos corpos labuzados em vermelho sangue.
É uma festa tradicional, mas sabemos que em cinema as imagens se comunicam com o que o filme está dizendo.
A câmera vai fechando o enquadramento até chegar à protagonista, Eva, em êxtase no meio de tudo aquilo.
São os primeiros minutos do filme e estou totalmente conquistado. Se tudo fosse ruim a partir dali, poderia dizer que aquela abertura compensa o restante. Mas nem é o caso.
A abertura é apenas uma cena impressionante num conjunto forte.
O filme é econômico em termos de palavras. Não há necessidade delas. Fala-se muito pouco no filme e o que nos é mostrado é suficiente para a história que se está a contar.
É aquele tipo de filme que solicita o espectador, que se completa com a sua adesão. Não mastiga, não facilita a nossa vida, o que é ótimo. Porque no fim das contas, não há como não entender o enredo, mesmo com as idas e vindas na cronologia dos fatos.
O filme trata da relação entre um garoto e sua mãe, numa família aparentemente comum. Há ainda o pai e a filha caçula.
A mãe é interpretada por Tilda Swinton, que é a grande responsável por boa parte do impacto que o filme provoca; o pai é defendido por John C. Reilly, e o garoto de 16 anos é feito pelo desconhecido (e aqui ótimo) Ezra Miller.
É o tipo de filme que é melhor se não temos muita informação prévia sobre ele. Basta dizer que toca numa dessas situações, nos Estados Unidos, em que um jovem provoca uma tragédia numa escola.
O filme mostra o que há depois disso e, ao mesmo tempo, acompanha a vida do garoto desde o nascimento.
A mãe é o personagem através do qual somos conduzidos à trama.
Fiquei encantado com a qualidade do trabalho, em um filme que não é fácil, e não tem nada de doce das relações familiares que costumam ser retratadas no cinema.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Planeta dos Macacos
Essa semana, eu vi em DVD a versão mais nova do filme, chamada "Planeta dos Macacos: A Origem", de Rupert Wyatt. Na verdade é uma prequel, com fatos eventualmente passados antes do filme de Burton e, óbvio, antes dos fatos mostrados na famosa série dos anos 60.
Esse novo filme não é grande coisa. O macaco César (o nome é ótimo) é o astro do filme, portanto, um ponto a favor da tecnologia que permite esse tipo de coisa com assombroso realismo. Aqueles olhos são extremamente expressivos.
Mas, não sei, o drama não me instigou... não há de fato um drama. Há desculpas para um filme de ação e combate, que consomem a metade final do longa. Tudo é muito rápido e superficial, tanto quanto a agilidade do animal saltando de um lado a outro em tomadas exaustivamente repetidas.
No final, apesar de James Franco ser um ator de algum recurso e a Frida Pinto ser a lindeza que é, é mais um filme sem grande força... a não ser a de fazer bilheteria.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Fernanda
Lá vem aquele tipo de post que meu amigo Franklin odeia.
Desde o filme "A Casa da Mãe Joana", sou apaixonado pela Fernanda de Freitas. Estou curioso para ver "Malu de bicicleta". E, sim, gosto muito dela nas comédias que fez (e faz) na TV.
Pronto, falei.
Desde o filme "A Casa da Mãe Joana", sou apaixonado pela Fernanda de Freitas. Estou curioso para ver "Malu de bicicleta". E, sim, gosto muito dela nas comédias que fez (e faz) na TV.
Pronto, falei.
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sábado, 20 de agosto de 2011
Novela
Não posso ver sempre novela, nem tenho tanto saco como já tive.
Mas sou um apreciador de boas tramas na TV, ainda mais quando tecidas pelos autores que mais admiro. E Gilberto Braga é um deles.
Não acho que essa novela do Gilberto Braga faz jus ao que costumo esperar dele.
Mas novela é um negócio complicado, não dá pra ter a exigência que se tem de um filme ou uma série, quando a equipe tem um controle maior.
Novela vai mudando ao sabor da audiência, começa de um jeito e vai se transformando com o caminho.
Por pior que seja, uma novela de gente como Gilberto Braga tem um certo padrão de qualidade, uma certa coerência, que faz a gente seguir adiante.
Hoje, o que mais me irrita nas novelas é que todas precisam trazer algumas bandeiras, mostrar exemplos, colaborar com um mundo melhor, atacar preconceitos e denunciar coisas.
Pior que essas obras serem obrigadas a levantar bandeiras é a forma como tudo é feito. Tão pouco sutil como o cada vez mais presente merchandising.
Final de novela costuma ser um troço brochante: os maus são mortos, vão presos, enlouquecem ou ficam sozinhos. Sempre recebem o merecido castigo.
Os bons se casam, são acolhidos, caminham serenos para o happy end.
Tudo muito bem, mas falso, falso.
Não que ao longo dessas tramas a verossimilhança prevaleça. Às vezes o autor vacila, escorrega, cria um artifício que só depõe contra a história (a trajetória da personagem de Glória Pires é um exemplo).
Mesmo com algumas coisas irritantes, há os bônus.
O Leonardo do Gabriel Braga Nunes, principalmente quando esteve solto e aprontando, foi um show.
O banqueiro bandido do Herson Capri poderia ter muito mais cenas, o personagem é forte e o ator mandou muito bem.
O vilão do Thiago Martins foi um achado, ele não um ator iniciante. Já vem de uma trajetória interessante na TV e cinema.
Natália Timberg, grande atriz, nos momentos de maior exigência dramática, botava fácil os colegas de cena no bolso.
Houve alguns atores mais experientes que tiveram participação irregular, embora o talento compense os momentos mais ruins dos seus personagens. Foi o caso de gente como Lázaro Ramos e Camila Pitanga.
Alguns rostos menos conhecidos mostraram um trabalho bem interessante: Giovanna Lancellotti, e sua Cecília, Tainá Müller, e sua Paula, Bruna Linzmeyer, como Leila.
Nessa novela, houve um grupo de atores que apareciam em papéis pequenos e sumiam para nunca mais, em geral assassinados. Desses, a melhor participação foi de José Wilker no início, tão bom quanto seus melhores papéis na TV (e faz tempo que ele não é tão bom assim).
Outros atores em participações mandaram muito bem: Tuca Andrada, Nívea Maria, Milton Gonçalves, Cristiana Oliveira e Lavínia Vlasak são exemplos.
Recursos como o "quem matou", não acho que a novela precisasse disso. Quase sempre aparece mais como artifício para segurar ou atrair audiência. Há muito tempo deixou de ser algo instigante, é apenas repetitivo e aborrecido.
Não dá para falar dos personagens mais chatinhos, isso tinha muito (como os personagens da Maria Clara Gueiros e Ricardo Tozzi).
O bacana na trama do Gilberto é que ele tem muita coisa para contar e a velocidade dos acontecimentos é grande, tornando as tramas ágeis.
Política sempre entra na pauta do dia e a classe A tem sempre um papel importante, mesmo que a abordagem aos ricos seja crítica.
Tem que pensar essa novela quase como um conjunto de histórias separadas que tiveram um grupo de personagens comuns.
Às vezes esses núcleos se comunicavam com a trama principal, mas nem sempre.
E as tramas são tão pulverizadas hoje em dia, que falar de uma trama central nem mesmo é correto.
As tramas paralelas às vezes ganham maior dimensão que a principal, é um jogo, em que a audiência é sempre levada em conta.
E, sim, a Paola Oliveira mostrou que estava à altura de um papel principal. Talento e beleza de diva de cinema.
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