sábado, 14 de agosto de 2010

O Bem Amado

Estou pouco me lixando para esse papo de cinema popular e cinema de autor. Se o filme é bom, tem qualidades, captura o espectador, voilá, cumpriu o dever. Mas, poxa, sacanagem, fiquei frustrado com "O Bem Amado", novo longa do Guel Arraes. Achei que, no mínimo, ia me divertir muito. Principalmente porque o diretor vem vindo num crescente no cinema: "O Auto da Compadecida", superado por "Lisbela e o Prisioneiro", superado por "Romance"...

"O Bem Amado" tem algumas coisas das que mais irritam no cinema de Guel. Uma delas, e que já era forte em "Lisbela", é o uso (abuso) da trilha sonora. A música é utilizada em demasia, e não é trilha de fundo, composição de ambiente etc, é música alta, com o compositor cantando em confronto com o que se vê na tela, na verdade um desfilar demasiado de clipes musicais.

Putz, e a montagem é doida, com cortes em profusão, não pára. Uma cena após outra sem pausa, sem silêncios, sem momentos de descanso ou reflexão. É movimento o tempo inteiro, ação o tempo inteiro. Se ainda assim, tudo conspirasse a favor da história, mas ao contrário, parece que esse mosaico doido apenas enfraquece o que tem de melhor o filme de Guel (e que não é de autoria do diretor e sua equipe): o texto delicioso de Dias Gomes. O texto salva a alma de Guel do inferno, é onde estão os motivos mais fortes para o filme ter a força que ainda tem.

Claro, Nanini construiu um personagem magnífico; Zé Wilker, caramba, o Zé Wilker está incrível como o Zeca Diabo, não pensei que ele ainda fosse capaz de mostrar um trabalho tão bom depois de tanta tralha e tanto isopor nas últimas décadas. O Zé Wilker está vivo como ator. Podia manter essa disposição, essa alma de artista, nos papéis seguintes.

Se temos alguns personagens excelentes, temos muitos personagens que não enchem os olhos. O romance entre os personagens de Maria Flor e Caio Blat me parece apenas uma historinha incluída à força para atrair o público jovem num elenco majoritariamente de coroas. (Parênteses: eu fui um desses bobos que mordeu a isca, e não arrependo: a primeira aparição da Maria Flor tirando a roupa para tomar banho de calcinha valeu o dinheiro da entrada). Mas é um romance que nada tem a ver com a trama principal. Poderia sair sem prejuízo nenhum à história que está sendo contada. Sem falar que o romance em si é falso, numa cena a Maria Flor mergulha na água, Caio é um desconhecido. Na outra cena, ela está brigando com pai para casar com o cara. Hein? Como assim?

Outro desacerto foi fazer um elo forçado (pelo menos soou totalmente artificial) entre a história em Sucupira e os acontecimentos em torno da ditadura militar e a redemocratização do país. Eu ri em vários momentos do filme, o texto de Dias Gomes e a canastrice do personagem de Nanini são um bom casamento, um acerto. Eu achei excepcional o sinistro e iletrado Zeca Diabo do Wilker. Mas esperava muito, muito mais de um filme de Guel Arraes.

Vai ficar me devendo, bicho.

Obs.: devo dizer que Eloá se divertiu de monte, adorou o filme, riu o tempo inteiro. Saiu da sessão com a alma lava e enxaguada.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Brigada Ligeira

Comecei a ler "Brigada ligeira e outros escritos", do crítico literário Antonio Candido. E uso um dos presentes de Dia dos Pais que ganhei da filha: um marcador de página feito por ela em sala de aula. Um luxo. Concilio com o final da leitura de Nelson Rodrigues (eu sei, estou atrasado, é que as férias bagunçaram a minha vida).

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Estou seguindo firme nas águas na terceira temporada de Lost. Concordo com quem disse que as duas primeiras temporadas são melhores. Mas a série continua intrigando. Não tenho tido condições de dividir meu tempo livre com outras séries. É só Lost.

Liberdade, liberdade

Estou acompanhando os lances da campanha eleitoral. Não sei o que vou fazer em termo de voto: o quadro é triste, monocórdio, pobre. Mas quero estar tranquilo para, após o pleito, acompanhar com atenção quem quer que seja o eleito. Os eleitos. Já devo ter falado isso, mas falo de novo. Até aqui, o que sei é que, seja lá em quem vote, não será com entusiasmo. O que é uma pena.

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Daí um amigo me incita a me filiar ao seu partido. Com um amigo desses... Gosto mais do estilo "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós" que a prisão a um partido político. Por isso nunca me filiei. Já fui muito simpático à idéia de filiação, é verdade. Por um tempo (era um outro tempo mesmo, do "Fora, Collor" etc), pensei bastante no PT. Isso porque gostava dos caras que conheci ligados ao partido na escola. E porque fiquei amigo e quase-namorado de uma moça (linda) do partido.

Depois fiquei muito simpático à idéia de aderir ao PV. Entrevistei um dos quadros uma vez, fiquei muito impressionado. A ótima impressão veio de bonde. Mas uma decpção sobre rumos, definições, coligações e etc veio em seguida, com o tempo. A última vez que pensei (já não tão empolgado) em ingressar num partido político foi com o PPS, por causa do Ciro Gomes (de quem ainda gosto) e por causa da amizade com o grande Alfredinho, o presidente do partido em Alagoinhas, cidade onde vivi um período.

Felizmente, nunca cedi à tentação da carterinha. Claro, teria sido uma experiência. Mas gosto de não estar comprometido a entender a idiossincrasia dos partidos, que é uma lógica muito escrota às vezes.

Gosto da liberdade de poder discordar, falar mal, se for o caso. E também de gostar de quem eu quiser. (Isso me lembra Renato Russo. Foi ele quem gritou uma vez num show, "eu amo quem eu quiser". As patrulhas caíam em cima por causa da opção sexual do roqueiro que declarou que gostava de meninos e meninas. Ele reagiu. Tava certo ele.)

Estar em um partido é assinar embaixo das coisas mais espantosas que podem ser feitas para que seja possível governar ou minimamente disputar o poder. Tem gente que gosta de jogar esse jogo. Tem gente que não. Prefiro ter a minha voz e opinião livres. E dormir tranquilo. Se antes, quando era inocente, puro e besta, não me meti na asneira de me filiar a um partido, não será agora que o farei.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sobre filmes "B". E "Lost"...

São tantas coisas para fazer... uma delas é conhecer meu sobrinho, recém-nascido. Outra é ver "O Bem Amado", a versão do Guel para o clássico de Dias Gomes. Em eras passadas, numa dessas repetições da TV vi bom pedaço da novela. São imagens que não me saem da cabeça de um Paulo Gracindo iluminado. E de um Lima Duarte aterrorizante como o Zeca Diabo. Mas no fim de semana passado não fui ver as novidades da versão de Guel, um cara de que gosto muito, falem o que quiserem dele. Acabei pegando o desvio dos filmes "B" roliudianos, com mais uma continuação de Predador. O que me fez cair em "Os predadores" foi o interesse vivo que tenho por esses filmes, a participação do Robert Rodriguez no projeto - na verdade achei que ele dirigia, quando em vez disso ele assina a produção. Por fim, tinha a escolha nada óbvia do Adrien Brody de anti-herói e Alice Braga na ponta do elenco. A curiosidade matou o gato e me fez ir direto conferir o filme. Eloá começou dizendo "Ai, meu deus", talvez não achasse que fosse uma produção tão "B". Depois curtiu. Eu gostei do programa. Não empolga como o original, mas não desagrada também. A mim, pelo menos, que sabia onde estava me metendo, foi o tipo certo de programa que eu queria naquela tarde. Agora preciso arrumar tempo para ver meu sobrinho que nasceu. Sábado vou lá. Sem desvios...

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Juliana me venceu. Resolvi dar uma chance a Lost e... estou viciado. Há uns dois anos, vi três ou quatro episódios apenas e tive a sensação de que era uma daquelas série que é enrolação pura. Não deixa de ser, mas é um troço bom, bem feito. Estou no meio da segunda temporada, as férias me permitiram ver coisa de quase 30 episódios. Entrei totalmente no universo e na sintonia da série. Fiquei vidrado. Tudo de mal que falei de Lost todo esse tempo, retiro o que disse. A série é boa. Cléo Pires tinha razão...

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E depois de um longo inverno, Hederverton deu as caras. Bem-vindo de volta, garoto.

sábado, 10 de julho de 2010

João Falcão

Acabo de eleger mais um diretor brasileiro entre aqueles que me interessam, seja lá o que quer que façam. João Falcão é um cara para se prestar muita atenção. Eu sou daqueles que piraram com o filme “A Máquina”, sua estréia no cinema. Seu segundo longa chama “Fica comigo esta noite”, não supera a beleza, inventividade e surpresa que me causaram aquele primeiro filme, mas, poxa, ainda assim é delicioso. E tem uma vantagem que eu admiro, é conciso. Com 75 minutos diz tudo o que tem a dizer, não aborrece ninguém, e vai me deixar pensando na Aline Moraes o resto do dia (do mês?). Ela, que é atriz de TV, mostra com essa experiência que tem potencial para ser uma grande estrela de cinema. Tem mais: se fosse só a Aline que estivesse bem, ainda estava valendo. Mas o elenco inteiro é muito bacana. Vladimir Brichta faz bem o mocinho, par de Aline, e o cara que morre sem antes se despedir da esposa. Ele vai tentar a todo custo ter uma última noite de despedida, por isso terá que fazer contato com o mundo dos vivos. Só poderá conseguir o tento com a ajuda de outro morto, interpretado pelo ótimo Gustavo Falcão (protagonista de “A Máquina”). O filme tem uma referência clara aos quadrinhos, tem ritmo, uma fotografia muito bacana colorida e, embora tenha origem numa peça de teatro, se sai muito bem na transição para filme. Lembrando que nesse como no filme anterior de João Falcão, a “pegada” de teatro é óbvia – e algo que ele ressalta como parte da estética, da sua maneira de fazer as coisas. Tem gente que acha fake. Eu gosto muito. João, bem-vindo ao grupo dos meus diretores favoritos.

Alguns filmes

Vi alguns filminhos esses dias de férias. Alguns bons, outros meia boca. Mas felizmente nenhum terrível a ponto de sentir que rasguei dinheiro.

Um dos que mais gostei foi "O aprendiz", de Bryan Singer. Embora trate do nazismo, fala muito mais sobre natureza humana do que de qualquer outra coisa. Especialmente sobre o que somos capazes de fazer. Aquele menino, Todd Bowden (interpretado pelo ator Brad Renfro), faz uma dupla arrepiante com ex-militar nazista Kurt Dussander, feito pelo veterano (e ótimo) Ian McKellen. Os dois se desafiando, num jogo de nervos, rendem ótimas cenas. Mas o filme vai além do conflito casual que se arma (e ganha força) entre um estudante e um velho com passado criminoso. Aquela cena em que o sobrevivente do holocausto reconhece o personagem de McKellen no hospital é assombrosa.

Vi um pouco depois "O Leitor", filme que foi bastante comentado à época por causa da indicação de Kate Winslet ao Oscar. O filme também traz para dias atuais a reflexão sobre crimes cometidos pela SS Nazista. Kate é ótima, mas sempre sou meio frio com essas caracterizações que colocam os personagens envelhecidos com maquiagem em nossa frente. Por mais que os movimentos e a expressão da jovem Kate permitam passar os sentimentos de uma velha, não consigo comprar a coisa e entrar na fantasia. Penso o tempo todo que é uma atriz interpretando. Isso é péssimo. E provavelmente é um defeito meu. Outro inconveniente é que o Ralph Fiennes é um ator que não me desce a goela. O filme mostra um caso entre a personagem de Kate com um garoto. Fiennes faz esse garoto na idade adulta. É um personagem importante. Ok, mas tem muitos méritos a história da ex-agente da SS que gosta de ouvir que leiam livros para ela. Acho o filme irregular, a metade aponta para uma coisa. A partir da metade se torna um outro filme. Por fim, temos o reencontro dos ex-amantes e aquele desfecho previsível. Meu professor de crítica de cinema da faculdade diria que é um filme que não sabe o que quer, não se decide. De qualquer forma, não diria que é uma grande obra.

As coisas melhoram bastante com o cinismo dos irmãos Joel e Ethan Coen. Vi deles "Queime depois de ler". Com as primeiras cenas, comecei achando que ia me irritar. Mas reconheço que é uma comédia esperta, com um ótimo elenco que é bem aproveitado em cena. A história é uma grande brincadeira com os filmes de espionagem, não tem como não admirar o engenho dos diretores. O filme funciona e faz rir, com humor negro, inteligência. É um trabalho inferior a um "Onde os fracos não tem vez", da mesma dupla de diretores, mas ainda assim de bom nível.

Sou fã do Benicio del Toro e só por causa dele fui ver a versão de "O Lobisomem" de Joe Johnston. Não é bom. Não por causa de Benicio del Toro, que continua o bom ator de sempre. Mas o filme não diz a que veio. Começa e termina sem que tenhamos um grande motivo para ter passado duas horas na frente da tela. Dizer que os efeitos especiais são convincentes é não dizer nada. Efeitos hoje em dia podem ser (e tem sido bastante) uma maquiagem para esconder um projeto sem sal nem açúcar.

Outro filme: "P2 - Sem Saída". Confesso que fui ver por causa da Rachel Nichols com aquele vestido justo colado. Ainda mais que vi num trailer uma cena com o vestido encharcado, colado ao corpo. Mas é um filme fraquinho demais para um suspense do gênero. Pense em todos os clichês das histórias de suspense apresentados sem nenhuma criatividade. Para piorar, o filme aumenta violentamente de volume na hora dos sustos. Um filme sem substância, movido a sustos. Passo.

Já a animação "Tá chovendo hamburguer" é outra história. Criativo, com um enredo bem amarrado e original, o filme é bacana do começo ao fim. Não é uma obra-prima como tem acontecido com algumas animações nos últimos anos, mas é bem divertido.

Outro que gostei bastante foi "Amor sem escalas". Vendido como comédia romântica, quem assistiu esperando um exemplar desse gênero quebrou a cara. Felizmente, o que temos ali é muito melhor. Eu, pelo menos, me amarrei. O filme trata do tema atualíssimo de uma América em crise que precisa demitir milhares de pessoas. Mas como fazer isso, tarefa das mais ingratas? Para essa função há especialistas em demitir pessoas, profissionais que viajam de norte a sul apenas para fazer aquilo que o chefe não quer ter o desprazer, desligar seu funcionário. Daí somos apresentados a personagens complicados que tentam se encaixar do seu jeito no mundo. E sofrem com suas escolhas. Seja a garota nova que é a sensação na empresa especializada em demitir. Seja o veterano (George Clooney) que acumula milhas, não tem casa, e se sente melhor viajando que com endereço fixo. Sua filosofia é que cada pessoa deve carregar o mínimo de coisas consigo, apenas o que cabe na mochila. Com isso vive afastado da família e de relacionamentos sérios. Gostei do clima desesperançado e ao mesmo tempo leve do filme. Fala de coisas difíceis e trata o espectador como adulto. Não quer agradá-lo. Por isso, não espere final feliz.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Julie e Julia

Curti muito o filme da Nora Ephron sobre a vida de Julia Child, a lendária culinarista americana, autora de Mastering the Art of French Cooking. O filme conta duas histórias paralelas. De um lado, está o relato da vida de Júlia Child (papel de Meryl Streep) em Paris nos anos 50. Na outra ponta, conta o desafio que se propôs a jovem americana Julie Powell (Amy Adams) que, na época atual, resolveu refazer todas as receitas do livro de Child em um ano e contar a aventura em um blog. Enquanto vemos Julia sair da condição de mera acompanhante do marido diplomata para tornar-se um cozinheira famosa, assistimos, ao mesmo tempo, o esforço de Julie no presente para fazer as receitas, dar atenção ao casamento e manter um emprego chatinho de telefonista num órgão público. Confesso que fiquei bem identificado com a frustração da personagem quando errava uma receita. É possível ficar muito bravo quando as coisas dão errado na cozinha. E o que é pior: é muito fácil errar na cozinha. É um trabalho que exige muita paciência. Não há como negar que, no filme, a parte da história que se detém na vida de Julia Child é mais viva e interessante. Meryl Streep tem tudo a ver com isso, sua construção da personagem é incrível. Mas não desgosto da Amy Adams, acho ela muito boa atriz. Soube que as duas trabalharam juntas em "Dúvida". Já anotei no caderninho para ir atrás. Enfim, o filme mostra as pessoas comendo bastante. Para mim não há programa melhor que passar duas horas vendo uma história sobre comida, com preparo e degustação de pratos, que envolve ainda a alimentação de um blog (de culinária!) e a publicação de livros. É um filme muito simpático que quero ter em casa.

Lobato

Engraçado. Fiz um acordo com a minha filha. Fomos comprar um livro outro dia. Disse que ela podia escolher o que ela quisesse (entre as opções que eu ia oferecer, é claro). O problema é que ela saiu da minha lista e escolheu um livro suspeito. Dei uma passada de olho, é um livro de uma série onde cada volume fala sobre um tema diferente. O escolhido por ela falava sobre separação (eu e a mãe dela somos divorciados). Todos os temas são trabalhados para a leitura de crianças, a linguagem e o tratamento são adequados à faixa etária. Tudo bem, deixei. Não se pode controlar tudo sobre os filhos. Mas eu queria mais. Não uma escritora de livros infantis desconhecida. Queria que minha filha tivesse amigos entre os clássicos desse universo infantil. Foi então que propus novo acordo. Ela poderia levar o livro escolhido por ela. E por meu lado, a presenteei com o melhor autor infantil de que se tem notícia. O livro é "Emília no país da gramática", de Monteiro Lobato. Ela adorou a idéia. Claro, ia levar o livro que queria e ainda outro. Ainda mais que esse outro era com a turma do Sítio do Pica Pau Amarelo, que ela conhece bem e adora. Tudo muito bem. Enquanto ela começou a devorar sua historinha de separação que é contada do ponto de vista de duas crianças da família, comecei a ler o livro de Lobato. E estou pirando com a viagem do grupinho ao país da gramática, conduzida pelo rinoceronte Quindim. O livro que minha filha escolheu, li os dois primeiros capítulos, não é ruim. É fininho, traz linguagem que ela se identifica rápido, e é bom que ela leia essas coisas. Mas o de Lobato é um encanto, um negócio extraordinário. Acho que essa diferença fará bem para ela. Creio que um bom leitor é talhado entre o extraordinário e o ordinário. É desse equilíbrio que é feito o gosto.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

The good wife

Ainda não me convenci de que "The Good Wife" é boa coisa. O piloto não apaixona de cara. Tem méritos, claro. O maior deles é tratar de um drama de tribunal da perspectiva feminina. Achei soturno, sem humor, um pouco quadrado demais. Sou um cara do politicamente incorreto. Sou mais o escracho de um "Boston Legal" que a correção e o bom mocismo de uma esposa que levanta a cabeça e continua a vida depois de perdoar em público a traição do marido. Espero que seja só um começo, o caso apresentado no piloto foi interessante, e tudo resolvido no mesmo capítulo, com agilidade e eficiência, sem deixar buracos. Isso foi legal. Espero que o ambiente de trabalho da boa esposa piore, que o outro candidato à sua vaga na firma de advocacia mostre as garras e as coisas fiquem um pouco mais difíceis - e emocionantes - para a protagonista. É uma série que tem sido bastante elogiada e até onde sei tem feito boa audiência. Vou dar uma chance. Vamos ver o que vem por aí.

Jean Charles

"Jean Charles" é um filme muito simpático. Principalmente porque nada promete e o que entrega não aborrece ninguém. Gosto mais ainda da metade final quando as coisas vão se complicando até chegar ao desfecho que todo mundo conhece (o brasileiro é confundido com um terrorista no metrô de Londres e assassinado pela polícia inglesa). Não dá pra morrer de amores com algumas interpretações, depois entendi que o diretor Henrique Goldman misturou atores e não atores. Mas mesmo atores profissionais como a bonitinha Vanessa Giácomo não pareceram nada menos que corretos (o que já é grande coisa). Selton Melo faz um trabalho bom, o seu Jean Charles cativa. O meu personagem preferido é o Alex, interpretado pelo baiano Luiz Miranda. O diretor diz que fez um filme de ficção com elementos reais, misturou ficção e realidade para contar a história com a contundência que achou devida. Eu acho que ele teve mais acertos que erros. É um filme honesto, um trabalho que vale a pena ver.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Partida

“A Partida” é provavelmente o melhor filme que vejo em 2010. Se soubesse que era tão bom, não teria esperado tanto. O longa japonês, direção de Yojiro Takita, é uma ótima surpresa. Um filme tocante, que vai crescendo até aquele final belíssimo. Eu estou ficando um banana, porque foram várias as vezes em que fiquei tocado, querendo chegar às lágrimas. "A Partida" é envolvente, lírico, engraçado, tem história para contar. Aquele cuidado, aquele ritual envolvendo a preparação de mortos, achei aquilo muito lindo. De fato, é o aspecto que aparece mais, é a cena mais repetida e que, imagina-se, demandou muito preparo. Sei que há outras coisas que o diretor Takira quis abordar ao falar da morte. Aquela história toda envolvendo o pai do protagonista é o tronco que explica as motivações do atrapalhado, sensível e bom coração Daigo Kobayashi (feito pelo ator Masahiro Motoki). Mas eu viajei mesmo foi no assessório. Adorei a música, adorei os personagens secundários (lembro agora, por exemplo, daquele funcionário que fica responsável por continuar a casa de banhos, mas há muitos outros que aparecem e somem), adorei as cenas em que as pessoas aparecem comendo, cenas que estão entre o cômico e o gracioso. Gosto bastante do ator que faz o chefe da empresa que prepara corpos. Acaba meio que sendo um pai para o perdido Daigo. Pelo menos foi o que enxerguei ali. Chorei com a cena do Daigo encontrando o pai de verdade, um pai que o abandonou ainda criança. A cena da secretária que conta que também abandonou um filho é a chave para entender o que houve com o pai do protagonista. A vergonha é tamanha, que quanto mais o tempo passa mais é difícil voltar àqueles que eles abandonaram.

Gostei muito da transformação do protagonista, o respeito que passa a ter pelo ofício de preparar o cadáver e ajudar na "passagem para o outro mundo". Um filme que tem pouco diálogo, boas imagens, e um protagonista que nada tem de herói – ou talvez tenha, de um outro jeito. De qualquer forma, um filme e um personagem que crescem aos olhos do espectador. Parece que a lição é que podemos aprender muito com a morte. É um clichê, mas mesmo clichês bem trabalhados podem oferecer um frescor e uma visão diferenciada. E o principal, há tantas coisas que se pode trazer do filme, o enredo central está amparado em ótimas circunstâncias e situações que enriquecem a experiência do que se está vendo. É um filme que parece simples, é simples, mas tem muitas camadas. Antes mesmo de terminar, eu ficava pensando que queria ver "A Partida" outras vezes. Isso só acontece quando a obra captura mesmo a gente. Me capturou.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Filmes, férias etc

Apesar do 3D (saco...), aguardo ansioso por esse "O último mestre no ar", novo filme do M. Night Shyamalan. Diferente de muita gente por aí, sou fã do diretor mesmo em filmes que não foram bem acolhidos como "Fim dos tempos" ou "A dama na água". Acho preciosidades obras como "A vila", "Corpo fechado" e "O sexto sentido". Me amarro nas esquisitices do diretor.

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Caramba, há muito tempo não curto tanto uma novela como estou agora com "Passione". É, na minha modesta opinião, um dos melhores trabalhos do Silvio de Abreu (que é um cara muito inventivo e cheio de referências de cinema). A novela é inflada em núcleos, historias grandes e pequenas, personagens, mas tudo é bem aproveitado, anda com ritmo, e se conecta com o conjunto. Personagens mais imporantes rivalizam em interesse com personagens menores, e todos contribuem para o andamento da história. Prazerzão seguir essa novela todas as noites.

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Outra coisa bacana é conferir a tosquice deliciosa de "Ana Raio e Zé Trovão". Não pensei que ia gostar de rever algo de Jayme Monjardim com tal prazer sádico. Estou curtindo.

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Estou saindo de férias. Alguns filmes que quero ver entre os 500 que estou em atraso: "Ao sul da fronteira", "O escritor fantasma", "Viajo porque preciso, volto porque te amo", "Sonhos roubados", "As melhores coisas do mundo", "Onde vivem os monstros", "Um homem sério", "Amor sem escalas", "A partida", "Meu caro Francis", "O homem que engarrafava nuvens", "Tudo pode dar certo", "Julie & Julia", "Educação"... Bom, chega, né? Não vou listar os 500...

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Nessas férias espero escrever muito nesse blog. Inclusive coisas pessoais como Hederverton gosta.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sono

Não entendo esse negócio de sono. Sei que sou um bom menino nesse quesito, porque deito e levanto cedo, me esforço para conseguir as oito horas mínimas de repouso, evito cafeína depois das 18h. Mas não adianta. Esse negócio de sono é uma m... mesmo. Preciso descobri o que se passa, porque embora me empenhe bravamente continuo a acordar no meio da noite, passo o dia meio zumbi, não consigo aquele sono dos justos - o que é uma sacanagem. Meus pais acordam às quatro horas da manhã. Dormem como bebês, no meio da tarde, no meio da novela, e tem muita disposição para a idade deles. Eu tenho acumulado queixas nesse departamento. Nas férias, fica tudo bem. Quando o sono não ajuda, levanto e vou pra internet ou pra TV. Em dias normais não dá. Tenho que ficar lá bonitinho para não piorar as coisas. Meu recurso é contar carneirinho. E imaginar a Mariana Ximenes pelada...

domingo, 20 de junho de 2010

Toy Story

Me diverti muito com "Toy Story 3". Fui ao cinema na estréia com Eloá e a pequenina. Voltei a ser criança. As cenas mais legais não são aquelas que mostram estripulias em efeitos digitais - nem mesmo a abertura pomposa e espetacular. As cenas que mais me capturaram foram as mais simples, intimistas, sentimentais. O final me arremessou direto aos, sei lá, seis ou sete anos. Não faltou vontade de chorar.

sábado, 19 de junho de 2010

Nota 6

Ok, me rendo. Vi os dois últimos episódios de “Fringe” e admito. Foram muito bons - o último episódio, então, dá aflição para a gente ver logo o que vai acontecer na terceira temporada. O conflito entre os dois universos está claro e estabelecido. Tomamos pé do conflito, sabemos mais ou menos porque as coisas aconteceram da forma como aconteceram. Muito legal isso. Mas volto à minha queixa: por que a série não continua nesse caminho? O episódio final foi eletrizante, subiu cem vezes o nível. Porque tantos duzentos episódios isolados com casos isolados que começam e morrem ali, sem conexão com o drama principal. Pelo menos foi assim que se desenrolou a história na primeira e na segunda temporada. Poxa, os caras tem uma boa história na mão, “Fringe” tem material para ser muito melhor do que é. Às vezes é difícil acompanhar. Se tivesse que dar nota, daria um 9,0 para o episódio final dessa segunda temporada. E nota 6,0 para a série em geral.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Voto

As pessoas estão falando bastante nos jogos do mundial de futebol. Mas também muito se fala nas eleições que se aproximam. Depois de 11 de julho, fim da copa, a eleição vai ganhar o primeiro plano do noticiário e dos comentários de bar. Que coisa engraçada, a minha filha pequena, oito anos, me disse ontem que vai votar em Marina Silva. É claro que com essa idade ela não vota em ninguém, mas em toda eleição tem a sua preferência e a manifesta. Marina Silva é aquela candidata que tem a simpatia de uma parte de artistas e intelectuais (Gilberto Gil, Fernando Meireles já manifestaram apoio. Diferente de Rita Lee que disse que ela tem cara de quem está com fome.). Uma amiga me perguntou em quem eu pretendo votar. Ainda não tenho resposta para essa pergunta, mas a despeito da divisão ideológica que possa promover em casa, espero mesmo que não seja na Marina. Quando fui questionado, pensei na eleição em geral. Nem me detive num candidato. Acho que é porque a angústia é a mesma, quer essa amiga tenha se referido ao pleito estadual, quer tenha questionado sobre a disputa nacional. Eu nunca estive com tanta vontade de votar nulo. Por princípio, não vou anular o meu voto (nunca o fiz). O que torna a minha decisão ainda mais difícil. As opções são tristemente (aborrecidamente?) semelhantes. A pobreza, a falta de opções diferenciadas, é um sintoma ruim para o eleitor. Tenho a sensação de que, qualquer que seja a minha escolha, estarei me sabotando.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Somewhere

Vem aí mais um filme da Sofia Coppola, "Somewhere". A filha do diretor de "O Poderoso Chefão" é uma das minhas autoras favoritas. Gosto muito dos seus filmes, todos bem intimistas, centrados em um ou dois personagens, um negócio pequenino, confessional, um clima entre o doce e o amargo (mas sempre interessante). Sei que tem gente que torce o nariz, especialmente pela sua última obra, "Maria Antonieta". Eu gosto de tudo em Sofia Coppola. Até sua participação tão criticada no filme do pai, a terceira parte do chefão, acho ótima. Não que precise, mas ela tem e terá em mim um defensor enquanto fizer coisas como as que vem fazendo. Vou contar os dias para a estréia de "Somewhere".

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fringe

Não sei, não sei. As pessoas têm falado maravilhas de "Fringe", a série de J.J.Abrams. Estou chegando ao final dessa segunda temporada, mas não me convenci de que a série é algo especial. Gostei do começo e do final da primeira temporada. Também gostei de como eles mantiveram o ritmo e a intensidade no início da season two. O problema é esse. Até chegar ao que realmente interessa, "Fringe" é aquela série que enrola demais. Cada dia é um caso, não necessariamente ligado com a trama principal. Não gosto de série assim. Não gosto de ser enrolado, e é essa sensação que tenho. As pessoas parecem adorar o doido do doutor Bishop. Não estou nesse time. Tenho simpatia por uma ou outra coisa dele, nada demais. Me ligo de verdade quando a história avança. Aquela coisa dos universos paralelos me interessa muito. A agente Olivia é outro atrativo, é bela, meio macho, é sexy, boa de ver em cena. Não digo que morro de amores em cada episódio. Alguns são bem chatinhos. Vamos ver se minha opinião muda depois de ver os três ou quatro episódios que faltam. Acho difícil, mas...

Los abrazos rotos

Minhas férias se aproximam, vou poder ver os bons filmes que perdi nos últimos tempos. Uma das minhas dores era não ter visto, logo que saiu, "Abraços partidos" ("Los abrazos rotos"), último Pedro Almodòvar. Estava com muita saudade do cinema de Almodòvar. De todos os seus filmes que vi (e vi muitos), só não me empolguei com "Má educação". Gosto demais desse universo do cineasta espanhol, incluindo os da época jurássica como "Maus hábitos" e "Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón". O primeiro filme que lembro ter visto dele - e que me atingiu como um raio - foi "A Flor do Meu Segredo". (Até hoje digo que esse é o meu filme preferido dele, mas preciso rever isso.)

Abraços partidos é um drama. Mistura tanta coisa, é uma história dentro da história, envolve passado e presente, idas e vindas. Um filme dentro do filme. Histórias que se cruzam. É um negócio complicado de contar, mas visto na tela, corre simples, flui, dá para entender tudo. É o dedo do autor que permite isso, claro. Há um certo jogo de espelhos interessante, e uma história de amor que costura tudo. O filme começa com esse cineasta e escritor que ficou cego e assumiu a identidade de um pseudônimo, criado por ele para assinar seus trabalhos. A história avança, sabemos mais, que ele se apaixonou por uma atriz casada com um cara rico que morre de ciúmes da mulher. Essa atriz é a Penélope Cruz (linda como sempre). Veremos que o marido é obcecado pela esposa a ponto de preferir ela morta a ter que ficar sem ela. E justamente a personagem de Penelópe apaixona-se e começa um caso com o cineasta. O início desse triângulo anuncia um tragédia que virá.

Há cenas belas, criativas, fortes nesse filme. Há uma coleção de ótimas cenas. A da leitura de lábios é uma das minhas favoritas, especialmente quando a personagem de Penélope Cruz dubla a si mesma diante de uma imagem que está sendo mostrada em vídeo. É a referência da referência, o filme do filme do filme. Me lembra uma caixa dentro de outra, de outra e por aí vai. O cineasta abraçando a imagem de si mesmo dando o último beijo na amada é lírica. O final do filme é outro grande achado. Almodóvar mostra um bom pedaço do filme dentro do filme, com um diálogo engraçado e lascivo (e que retoma bastante o próprio Almodòvar). Eu sei que nem todo mundo gostou desse "Abraços Partidos". Eu adorei. Pra mim, foi diversão do começo ao fim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Berro impresso

Errada dez vezes a minha amiga Marlla. Como não sou conhecido pela paixão pelo futebol, ela achou que eu não me importaria com um livro de crônica esportiva escrito por Nelson Rodrigues. O livro chama-se "O Berro Impresso das Manchetes", com crônicas escritas entre 1955 e 1959 para a Manchete Esportiva. Imagina se esses grandes escritores são menos geniais em qualquer coisa que escrevam. Nelson sempre esteve nessa categoria. Gosto dele sempre e agora também direi por aí que gosto dele igualmente na crônica de esporte. E por que não gostaria? (é outra coisa, mas do mesmo jeito estou me divertindo com os textinhos sobre a copa da África do Sul escritas diariamente pelo Veríssimo no Estadão). Nelson é incrível. Comecei a ler as primeiras páginas e o prazer foi imediato. Algumas frases dele:

Em 1911 ninguém bebia nem um copo d'água sem paixão.

Se entra um gol adversário, ele (o torcedor rubro-negro) se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um César apunhalado.

O tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para a mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho.

Em 1920 nenhum sanduíche poderia aparecer, num reservado de imprensa, sem perigo de vida. Era acometido por todos os lados, sumariamente.

*

Como não gostar de Nelson Rodrigues? Sua crônica sobre o juíz que foge vergonhosamente depois de uma tapa estalado no rosto é uma pequena jóia. É um pequeno tratado sobre a covardia de todos nós. E sobre a hipocrisia de todos nós. Esse "O Berro..." é um livro grande, volumoso. Vem muita coisa boa por aí.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Life Unexpected

Tenho uma filha pequena. Sou separado da mãe dela. E vivemos assim muitas situações que envolvem decisão sobre isto ou aquilo para a pequenina. Muitas vezes dá confusão. Muitas vezes dá entendimento. Corta. Sei que nada tem a ver, mas lembrei disso assistindo ao piloto de "Life Unexpected". É um drama familiar adocicado sobre uma garota de 15 anos que decide se emancipar depois de passar por várias famílias adotivas. Encontra os pais que vivem distantes, cada qual em sua vida, e esse encontro é o início da série. No final do piloto, já estão todos em volta de uma mesa comemorando o décimo sexto aniversário da menina. Contada assim, a historia parece bem boboba. Mas a verdade é que é interessante, nada demais, mas também não aborrece. A trilha, os diálogos, o ritmo, tudo funciona para parecer moderninho, descolado, jovem. E é. A menina chama-se Lux (feita pela atriz Britt Robertson). É uma lindeza e funciona muito bem em cena. Concordo com quem disse que é bastante inverossímel uma criança passar o que ela passou e ser tão engraçadinha e compreensiva. Mas não me incomoda tanto isso. Provavelmente, não vou seguir vendo a série. Depois do alto nível que acostumei com "Modern Family", nenhuma série família meia boca me satisfaz. Mas a menininha Lux vale mesmo a pena. Por ela posso, no futuro, jogar o olho num ou noutro episódio sorteado.

Mariana

Gosto muito do Silvio de Abreu, mas não estou assistindo sua novela. Pego um pedaço aqui, outro acolá. Imagino que seja boa, do que vi não há muito o que reclamar. O novelão com vilões, golpes e grandes mistérios em família está de volta depois do rame-rame do Manoel Carlos. É aquele mais do mesmo que vale porque é caprichado e não trata o telespectador como anta (viu, João Emanuel Carneiro?). Mais de tudo o que vi, a melhor coisa da novela do Silvio é a Mariana Ximenes de malvadinha, com pouca roupa e beeem desinibida.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

24

Estava conversando com minha amiguinha Juliana hoje. Estou desolado com o fim de 24 horas. Essa oitava temporada que terminei de ver recentemente foi uma das melhores, começou bem e terminou melhor ainda (embora tenha embolado um pouco no meio do caminho). A série me dá muita saudade do meu amigo Sérgio, que era viciado. E foi quem me tornou viciado também. Estou triste. E com o som do barulhinho daquele relógio ainda vivo dentro da minha cabeça.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Furacão Elis

Difícil falar sobre um livro cuja personagem central tem tanta conexão com a sua vida. Talvez não seja difícil. Eu é que sou bocó mesmo. Me desmancho quando penso em Elis Regina. Não saberia dizer quando comecei a gostar dela, acho que nasci gostando. O livro "Furacão Elis", de Regina Echeverria, me trouxe de volta a figura de Elis. Muita coisa do passado pulou no meu rosto. Falando do livro propriamente: ele é rico em depoimentos, alguns bem especiais, mas, no geral, achei que a autora usou demasiado esse recurso de abrir aspas. Ficou como um documentário de TV. A autora pega da palavra apenas para introduzir a fala seguinte. É uma mediadora. Talvez não seja um defeito em si, mas me incomodou não ter a leitura indo embora sem que eu pense nela, na estrutura. Queria que a autora tomasse as informações para si e falasse como alguém que chegou àquele ponto por força da pesquisa. Ela entrega a responsabilidade pelo que diz à fonte. Tipo, é fulano que está dizendo. Senti falta de um mergulho maior, de uma contextualização maior, de saber mais sobre personagens que cruzaram a vida de Elis. Um monte de gente aparece e some. Sobre sua família, por exemplo, fala-se muito pouco e a impressão que passa é extremamente unilateral (da perspectiva de Elis). Foi um perfil mais ou menos tridimensional de Elis, rodeada de perfis rasos de todos os outros personagens. Fiquei mal acostumado lendo excelentes biografias. Talvez esteja querendo algo que a Echeverria não se propôs a tal. Mas louvo seu trabalho, ela ralou bastante e conversou com as pessoas certas. Ia lendo e pensando em Elis. Não tenho dúvida, amo essa mulher. Como é incrível. Falar que ela era uma pessoa difícil, como falam algumas amigas minhas, não consigo compartilhar com isso. Difícil todos nós somos. Elis tinha seu tanto de complicação, mas era normal dentro dos limites da loucura de todos nós. O que me pareceu foi até o contrário: que ela era muito sensível, muito emotiva, muito carente. E amava demais. Esse livro é muito doido. Não quero ficar aqui a criticar o trabalho suado dos outros, mas poxa... Sem que a heroína ou qualquer outra droga tenha sido mencionada antes no livro, de repente, a Elis Regina acorda morta, vítima de overdose. Há uma explicação pela metade, trazendo razões do relacionamento amoroso (ela havia brigado com o então namorado, o advogado Samuel MacDowell). Putz, nenhum sinal indica que chegaríamos nisso. O livro não apresenta um único ponto que antecipe ou prepare o cenário que veremos no final. Nesse momento, fui meio que surpreendido. Parece que o livro fica na superfície. Não estou criticando. Funciona como reportagem. Como um documento para entender melhor como foram as coisas, eu ficaria com muito ainda a desejar. A autora tinha uma ligação com Elis, eram amigas e tal. Não tenho dúvida de que foi feito com coração e boa fé. Mas senti falta de mais.

Estou escrevendo este post, ouvindo Elis e tomando um licor. Então, releve qualquer sentimentalismo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Arroz cremoso

Homem, cozinheiro, precisando pensar rápido. É que no sábado, meu aniversário, acordei bem tarde. E Eloá estava chegando do francês para almoçar e sair de novo. O que fazer, que fosse rápido e prático? Pois foi aí que tive a idéia de testar uma receitinha simples, mas que parecia apetitosa. É um arroz cremoso com peito de peru. Muito fácil de fazer, leva uns 30 minutos, e é bem gostoso. A receita pede, além do peito de peru e do arroz, queijo, uva passa, creme de leite e salsa picada. Por minha conta adicionei caldo de bacon e pimenta do reino. Depois do arroz pronto, basta acrescentar o resto: queijo e peito de peru vão em cubos pequenos. Fica muito bom e com um ótimo gostinho de queijo. Dá pra servir sem outro acompanhamento. Eloá adorou e repetiu.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Elis

Já nas últimas páginas de "Elas gostam de apanhar", uma amiga me traz "Furacão Elis", livro sobre a vida dessa cantora que me deu (e dá) tanta saisfação nessa vida miserável. A amiga diz que não gostou do que leu, descobriu que Elis é insuportável como pessoa. Engraçado. Uma outra amiga me falou de uma entrevista de Elis com o mesmo comentário. Que ela parecia arrogante e que se achava. Eu vi a entrevista e me deliciei. Meu comentário foi que Elis pode ser o que quiser, até antipática (que não acho que tenha sido, não do jeito que falam). Porque sendo boa ou má pessoa, sendo agradável ou não, ela não deixou de ser a potência que ela foi como cantora, intérprete e diva da música popular. Bota alguma das suas canções mais fodonas e aumenta o som: é uma experiência! Elis é maravilhosa. Mesmo que no trato pessoal não seja nenhuma santa. E isso importa? Para quem deu de presente interpretações altíssimas de "Arrastão", "Deus lhe pague", "Travessia", "Atrás da porta", "Corsário", "Águas de março", "As Curvas Da Estrada De Santos"? Para mim, o que importa é a enormidade que ela deixou. Adoro Elis. Um caso de amor mesmo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Iron man 2

Me diverti muito ontem com o novo "Iron Man". Para mim, cumpriu direitinho o papel de entretenimento. Pelo cinema lotado, deu pra ver que muita gente está curtindo e recomendando. Eu que gostei do primeiro filme - e que nunca deixei de gostar de Robert Downey Jr - fiquei meio preocupado com tantos atores novos na linha de frente do elenco. Mas parabéns ao diretor Jon Favreau, tudo se resolve bem e o filme flui. Minha musa, Scarlett Johansson, mal cabe nas roupas, de tão formosa. Tem gente que diz que ela foi mal aproveitada e que não tem função no filme. Acho bobagem. Tem que pensar nela como um bônus. Se ela não é essencial à trama, mal não faz. Seu charme, gostosura e talento só acrescentam no interesse que o filme provoca. Quem perde num filme em que cada entrada dela é em um modelito mais colado que o outro? O filme tem diálogos ótimos e as cenas de ação são acompanhadas por uma trilha bem legal que, depois descobri, é o rock do AC/DC. Muito bom. Gosto bastante do Sam Rockwell (de "Frost/Nixon"), que faz o antagonista. Já o vilão do Mickey Rourke lembra muito seu "O lutador", apesar do sotaque. Mas não faz mal. Um bom ator como ele faz a diferença com pouco. Sua atuação é tão acima da média, que ajuda a jogar o nível do filme para cima (adoro ele pronunciando, cínico, seu "You lost, Stark... lost, Stark..."). Tava com saudade de um filminho de ação bem feito.

domingo, 2 de maio de 2010

Bastardos Inglórios

Enfim vi "Bastardos Inglórios", do Tarantino, ontem. Achei um filmão, cheio de grandes cenas e ótimo elenco. Havia tantas estrelas entre os atores que deu a impressão de ter mais cacique que índio, mas isso já uma constante em seus filmes e o mais importante é que tudo funciona bem na tela. A minha personagem favorita é a judia Shosanna Dreyfuss, que tem a idéia de incendiar a cúpula nazista, incluindo o próprio führer, numa première de cinema. Há, claro, esse oficial espetacular, o Coronel Hans Landa, criado pelo ator Christoph Waltz. Aquela longa cena inicial com ele é tão boa ou melhor que tudo que veremos a seguir. E há muita coisa bacana. É uma delícia acompanhar o grupo de assassinos que persegue, tortura e mata militares nazistas. Há morte de lado a lado - algumas bem feias. E é incrível (e muito legal) a capacidade do diretor de criar expectativa para em seguida frustrar o espectador. Não sei se "Bastardos..." é melhor que outros filmes de Tarantino, mas que dá uma vontade danada de voltar a ver de novo, e de novo, e de novo... isso dá.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ah, um bom livro!

Volto, com muito prazer, a Nelson Rodrigues. É um dos meus ídolos, todo mundo sabe. Comecei a antologia de alguns contos de "A Vida como ela é", as histórias que ele passou anos publicando diariamente em "O Globo". Há vários livros com esse material porque ele escreveu muito. Esse que estou lendo chama "Elas gostam de apanhar", uma de suas muitas frases célebres. Nelson Rodrigues é uma máquina de talento, de coerência, que não tem nada de bom mocismo ou falsa moral. E diz as coisas na lata. É muito bom ler opiniões dele como: "Nada soa mais falso do que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio". Tremendo. E olha isso: "Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer". Sua leitura é crua. Ele é direto, sem firula, sem querer vender um mundinho bonito. E não pense que não há humor em seu texto. Há, muito. É um dos autores mais espirituosos.

Ah, nada como um bom livro!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Vida longa a "Damages". Ou não.

Terminei a terceira temporada de "Damages". É uma série que manteve o excelente nível até o fim. Coisa rara. Acabou sendo uma trilogia pela forma como o arco de situações começadas lá na primeira temporada encontrou desfecho apenas agora. Caso a série continue, obrigatoriamente será um novo começo, de tal sorte foi a forma como todas as pontas foram aparadas. Tem gente triste com a possibilidade bem real de a série não ser renovada. Eu estou satisfeito. Não sei se será possível aos criadores superarem o que vimos até aqui. Para não correr o risco de a série cair de qualidade, prefiro que termine desse jeito. Mas, claro, se vier uma nova temporada, será recebida de braços abertos. Pra finalizar, quero apenas dizer que Rose Byrne, depois de "Damages", é uma das minhas atrizes favoritas (Glenn Close já era desde "Ligações Perigosas").

Sex and the city

Terminei de ler "Sex and the city", de Candace Bushnell. Fiquei bem interessado em suas histórias de relacionamento, em tom de humor e sarcasmo. Embora diga que as mulheres que conhece são solteiras porque querem, Bushnell não demostra romantismo nem esperança de que o amor é possível. Pelo menos nos muitos (muitos mesmo) casos que conta, mais vale a lei do desejo, do apego ao dinheiro e da independência. Ninguém que aparece no livro consegue manter um relacionamento duradouro e promissor, essa foi a minha impressão. Mas não há tom pessimista no livro. Os personagens parecem dizer que se as coisas são assim, então, porque não aproveitar a delícia de se relacionar sem culpa? Claro que as mulheres retratadas demonstram, em um momento ou outro, querer um relacionamento verdadeiro. Mas não se incomodam em testar bastante antes as muitas opções que aparecem nas noites badaladas, nos encontros furtivos, nas viagens de lazer ou negócios. Elas têm dinheiro, têm uma carreira, são donas do nariz. Então estão no comando e tentam tirar muito prazer da vida. É um livro que mostra que o mundo avançou para a vivência do sexo sem culpa, compromisso ou justificativa. As mulheres se comportam como alguns homens. São predadores também. E vão à caça. É importante dizer que a autora fala do seu ciclo social, de gente bem nascida, ou bem situada, da classe média alta e classe alta americana. É uma leitura boa, descontraída, e que ajuda a entender um pouco da vída íntima (de alcova) de parte de nossa sociedade atual.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Madrasta

Eloá, que tem feito um trabalho irretocável com uma filha que não é sua, ficou revoltada com o significado da palavra "madrasta" no dicionário. Não é só "mulher casada, em relação aos filhos que seu marido teve de núpcias anteriores". O dicionário (o Michaelis, por exemplo) dá como significado "Mãe que maltrata os filhos; avara, ingrata, pouco carinhosa". E ainda "o que traz dissabores e tristezas: Sorte madrasta". Mas eu desconfio das razões para isso. Sacanagem da Disney. Foi o sucesso da história da Branca de Neve, e sua difusão, que envenenou para sempre o sentido da palavra. Ô sina madrasta!

sábado, 10 de abril de 2010

V

Ok, só vi o piloto dessa nova série "V". Gostei, mas precisa ver se os próximos episódios vão segurar a onda ou decepcionar como aconteceu com "FlashForward" (que tem um ótimo piloto e depois vai caindo). Certo mesmo é que eu (também) caí de amores pela brasileira Morena Baccarin, uma das atrizes que estão encabeçando o elenco. Sensual até não poder mais, ela é a líder dos aliens malvados. Mesmo que a série fique muito ruim, eu ainda terei motivos de sobra pra continuar ligadão. Ai, ai...

*
Adendo do dia seguinte: vi mais três episódios da série. Por enquanto, nada a lamentar. A série é instigante e mantém o suspense (e dá até um medinho) nesse início de temporada. Mas o melhor é que há mais um motivo importante para seguir a série. É uma loirinha que se chama Laura Vandervoort, atriz que interpreta outra dessas aliens malvadas. Por enquanto, para nós, rapazes, essa série só tem dado motivos para comemorar...

Peixe

Final de semana de acertos na cozinha. Preparei um negócio bom com legumes e filé de merluza. Delicioso o peixe cozido com dendê (bem pouco e só no final), coentro, cebolinha e rodelas de tomate, cebola e pimentão. Tomamos o cuidado de deixá-lo um dia antes em sal e pimenta. Mesmo sem leite de coco, é possível ser feliz com um peixe saboroso servido com arroz.
"Mais bizarro do que determinadas comidas bizarras é o hábito brasileiro de rejeitar comidas que saiam de um restrito repertório do trivial cotidiano. Por que só arroz, feijão, macarrão e bife? Por que não coentro (fora da Bahia), jambu (fora da Amazônia), maxixe (fora do Nordeste), ora-pro-nobis (fora de Minas)? E por que não miúdos e partes de animais que não sejam só o filé mignon (ou algum tipo de bife)? E por que não outros animais além dos poucos de sempre?"

"Parece que nosso complexo de Casa Grande extirpou até o gosto pela aventura do gosto. Uma perda."

Josimar Melo, jornalista, crítico de gastronomia.

Lelê/xerém

"Ô piza o milho penerô xerém/ eu não vou criar galinha/ pra dar pinto pra ninguém". Luiz Gonzaga

Sucesso de público e de crítica o lelê de milho que fiz ontem aqui em casa. Redescobri esse prato que minha mãe fazia na minha infância. Muita gente chama xerém e isso me deixou confuso. Eu sempre conheci como lelê. E é delicioso e bem fácil de preparar. Tudo começou num evento que fui a trabalho essa semana, um café da manhã. Minha amiguinha Dora ficou lembrando o estouro (de bom) que é a combinação de lelê com café. Foi água na boca. Daí lembrei da minha mãe. Voltei no tempo. E porque não tentar fazer? Comprei o milho já pronto no mercado. Usei também leite de coco, coco ralado, leite liquido, manteiga, canela em pó, açúcar e cravo. (Detalhe: minha mãe faz com leite tirado do coco mesmo, não usa as garrafinhas tão práticas. Dá cem vezes mais trabalho, mas o resultado vale a pena). Pesquisei e descobri um milhão de receitas que confundiam muito mais que explicavam. Usei duas e ainda dei um toque meu, mudando uma ou outra instrução. Antes de preparar, claro, liguei pra minha mãe que me deu uma ótima dica para achar o ponto certo. Precisa ter paciência para mexer bastante como se tivesse fazendo vatapá. Mas o resultado vale a pena. Coisa de 30 a 40 minutos e ele está pronto e bonitão. Despejei numa assadeira e esperei esfriar. Delícia. Eu, Eloá e a pequena devoramos de um dia para o outro.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um segundo

Muitas pessoas afirmam que existe uma crise dos sete anos que todo casal enfrenta. Ainda não cheguei lá (mas prometo verificar a veracidade dessa afirmação). O fato é que, completos meus seis anos de relacionamento com Eloá, estamos voando em céu azul, sem nenhuma nuvem. Eu comecei a namorar Eloá no exato segundo em que bati os olhos nela. (Me lembrou agora aquela bonita canção de Hebert cantada por Cazuza: "Às vezes te odeio por quase um segundo. Depois te amo mais"). Mulher é bicho desconfiado. Eloá demorou um pouco mais, estava me conhecendo (e tinha um namorado à época). Foram dias resistindo ao meu charme. Um mês depois, capitulou e começamos de fato nossa historinha. Não foi nada fácil chegar aqui. Passamos por tantas pequeninas crises de ajuste nesse período que seria crueldade uma crise dos sete anos. Nunca estivemos melhor um com o outro. Temos fases, claro. Mas essa que vivemos talvez seja a melhor de todas. Da parte dos dois, sobra carinho, atenção e cuidado. E quanto mais estamos juntos, mais queremos ficar exatamente assim. Estou casado com a melhor de todas as mulheres. E ela tem o marido mais bobão de todos, com o sentimento do mesmo jeito que estava naquele primeiro segundo quando a conheci. E que bendito segundo. Até hoje não passou.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bridges

Jeff Bridges é ótimo ator. E está em parceria com a minha queridinha Maggie Gyllenhaal (linda, talentosa, inteligente, sexy...). Ambos estrelam "Crazy Heart". Não sei que diabos estou fazendo que ainda não vi este filme. Para piorar, a lista não acaba aqui. Também não vi "Ilha do medo", "O homem que engarrafava nuvens", "Caro Francis", "Onde vivem os monstros", "Abraços partidos"...

Alguém diria que é imperdoável. Com razão.

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Estou numa certa expectativa. Estou com os primeiros cinco episódios da série "V" no meu coldre. É só parar e assistir. Mas resisto. Não sei se presta... Minha amiga Juju diz que a desconfiança não é só minha. Mas que não desgostou do que viu no piloto. Não sei...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Coco Chanel

Bom programa foi ver o filme "Coco antes de Chanel", filme de Anne Fontaine. Não havia me entusiasmado quando estreou nos cinemas, mas Eloá queria muito assistir. No sábado, peguei na locadora pra ela e eu mesmo comecei a ver "só" o comecinho. Daí fui ficando, ficando, ficando... É um filme curioso, feito com cuidado, nem um pouco chato. Mostra a vida da estilista Coco Chanel antes de ela se tornar quem se tornou. Mostra sua vida pobre, a dificuldade financeira, a diferença de outras mulheres, as mudanças que vai operando nas cabeças e nas roupas. O que costura a trama é um triângulo amoroso entre Coco e dois homens bem diferentes. Diferentes, mas civilizados (até demais). Chanel sai das mãos de um para o outro quase sem conflitos. Entretanto, decide que nunca irá se casar. O amante fala pra ela que podem continuar a relação igual, porque amor nada tem a ver com casamento (e ele está prestes a casar com outra para salvar sua situação financeira). São bons personagens. Um dos melhores é o protetor de Chanel, que aparece desde o início do filme, interpretado pelo ator Benoît Poelvoorde. A Andrey Tatou, que vive a estilista, está bem simpática em cena. É séria, tem humor variado, é autêntica. Não demora até que as senhoras da época comecem a cair de amores pelo talento daquela mulher que se veste como homem e tem uma grande elegância. Seus chapéus começam a fazer muito sucesso. Essa parte de moda e estilo aparece em cenas interessantes e divertidas. O filme inteiro é bem interessante. E diverte.

*

Vimos com muita satisfação o retorno da Disney ao desenho tradicional com "A Princesa e o sapo". Para bem da verdade, Eloá e minha filha pareceram gostar bem mais que eu. Mas eu não desgostei. O desenho é divertido, tem ritmo bom, e faz uma gostosa homenagem ao jazz e à Nova Orleans. Porém, não deixo de trazer comigo a sensação de que minha empolgação era bem maior com os mesmos desenhos da Disney de algum tempo atrás (como "Branca de Neve", "Aladim", "Rei Leão"...). Pode bem ser que eu tenha crescido, claro.

Pai, mãe...

Sinto que minha filha está mais apegada a mim. Já vão dois anos desde que sua mãe decidiu se mudar para São Paulo e eu virei o pai que também é mãe. É uma tarefa difícil. Ter a responsabilidade por uma outra pessoa é um peso. A gente faz tudo com desvelo, mas quem vive essa situação sabe que é barra. Nos últimos tempos tenho aprendido a ser mais leve, a facilitar mais a vida da pequena. Explico. É que como fui uma criança criada sem nenhum luxo, entendi que era importante fazer a minha filha entender que as coisas não vêm de graça. Então me recusava a ser um pai que atende a todos os desejos consumistas. Fiz isso com certo rigor. Eloá vem me ensinando que eu não preciso ser tão duro. E que pode ser (também) instrutivo atender a alguns desejos fugazes de uma criança. Eloá vem me ensinando que tem momento para tudo. Eu posso ser um cara mão aberta no momento certo, dentro de uma certa política de merecimento. Tenho aprendido a lição. E tenho sido um pai mais generoso. Sem culpa. Aos poucos vamos nos aproximando mais e mais. Uma coisa bacana: temos tentado aproveitar mais o tempo juntos. Eloá tem sido imporante nisso também. Ela incentiva, dá idéias, chega junto. Minha pequena percebe o cuidado que a madrasta tem. E retribui com carinho. Nem sempre a família tradicional é a melhor opção de felicidade. Os novos modelos têm encontrado formas de convivência plenamente satisfatórias. Uma mãe emprestada pode ser tão eficaz ou até melhor que a mãe original.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sex and the city

Comecei a ler "Sex and the city", livro da jornalista americana Candace Bushnell. É o livro que serviu de base para a conhecida série de TV. Não vi nenhum episódio dessa série, mas até aqui (passei do segundo capítulo) estou bem interessado no que estou lendo. A tese de Bushnell é a de que não há chances de um relacionamento amoroso sério, duradouro, entre duas pessoas no mundo de hoje. É a tese que aparece nessas primeiras páginas, pelo menos. Claro, e é importante atentar para isso, que ele está falando da sua turma, das pessoas de uma rede da qual ela integra. Mesmo assim é um prognóstico temerário. Os casos que ela conta - e são muitos - parecem apenas reforçar, um a um, que a solidão é um caminho inevitável. As pessoas descritas no livro se encontram e desencontram com parceiros, trocam um pelo outro, começam e terminam relação. Uma coisa bacana é que a autora usa uma maneira divertida (ok, às vezes mordaz) de mostrar esse mundinho. E não se tem dúvida (eu não tenho) de que a autora entende esse mundinho como uma amostra de um fenômeno maior. É seguir para ver onde vai dar.

sábado, 27 de março de 2010

Fazendo as malas

O livro “Fazendo as malas”, de Danuza Leão, é muito divertido. Ela se dedica em um pouco mais de cem páginas a contar uma viagem a quatro cidades que parece adorar: Sevilha, Lisboa, Paris e Roma. É curioso perceber que a autora não gosta de tudo que vê nem daquilo que deveria ser óbvio para olhares estrangeiros. Ela sai descobrindo coisas e contando as suas aventuras. Li num tapa nos pedaços de tempo que fui arranjando numa semana tão louca (e cheia) no trabalho. O livro foi uma boa companhia e ajudou a aliviar as tensões. Danuza é humorada, mas também é irascível e irônica. O tempo inteiro. É uma caminhada que vale o ingresso. Bem diferente de tantos escritores que tratam de moda, atitude, comportamento, Danuza não faz tipinho. E mostra que tem alguma cultura, citando livros, filmes, personalidades, autores. Ela pode ser tão mal humorada quanto doce. É mulher, caramba, e daquelas cuja personalidade salta às páginas. E haja comentários mais ou menos interessantes sobre roupas, acessórios, restaurantes, ambientes, pessoas. Percebe-se que Danuza não quer ser profunda, também não quer inventar a roda, e parece ter se divertido escrevendo. Não se importa de falar obviedades ao lado de coisas realmente curiosas. A leitura vai embora e eu vou junto (invariavelmente com um pequeno sorrisinho no rosto). O mais legal de tudo é fechar o livro depois da leitura e descobrir que formiga um desejo doido de fazer uma baita viagem.

Trecho: “Meus primeiros momentos em Roma foram no táxi. Eu havia perguntado qual seria o preço da corrida até o hotel, ele me disse sessenta euros. Quando chegamos, estendi uma nota de cem euros, e o motorista, cheio de sorrisos, agradeceu muito a gorjeta. Eu disse que estava esperando o troco, que ele me deu, com a mesma cara-de-pau e os mesmos sorrisos. Pronto, estava mesmo em Roma.”

terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre a leitura

"Leitura é subjetividade, é ver o que agrada à sensibilidade e se ajusta à sua forma de ser, ao seu momento."
André Garcia, criador do Estante Virtual, que vende livros na internet

*
Minha filhinha vai crescendo. Quero que ela goste de livros. É a minha ocupação no momento, fazer dela uma moça apegada, com orgulho, às letras. Sempre desconfiei de frases do tipo "leia qualquer coisa, vale até bula de remédio". Talvez valha a pena para um candidato a farmacêutico. Não creio que ajude quem pretende ser um bom leitor. Leitura tem a ver com prazer. E, sabemos, adquirir o hábito não é algo que cai do céu. Há que se investir. Há que se criar estratégias para que o leitor surja de dentro da casca. Aquele livro da coleção primeiros passos (quanto tempo, hein?), de título "O que é leitura", ele ensinava que ler é uma ação mais larga que apenas "leitura de texto escrito". A leitura é uma ação cultural, pode-se ler um livro como um filme, como um programa de TV, como uma situação, um fato. Pode-se ler uma pessoa. Mas falando de texto escrito, para manter o foco: estava falando que desconfio se na estratégia de formar leitores tem alguma valia a orientação de ler qualquer coisa. Não digo com isso que também só vale a leitura de clássicos. Principalmente, que ninguém começa a ler com Sheakespeare e Cervantes. Para minha filha de oito anos, que adora a Turma da Mônica, eu tenho esperado ela crescer mais um pouco com um discurso na ponta da língua. Eu diria (direi) “comece com o que te interessa e esteja receptiva e atenta”. E, claro, vou induzindo-a a autores que sei que mal não vão fazer, por tanto... Que tal Lewis Carroll, Monteiro Lobato, Rubem Braga? Tomara que ela leia minha atitude da maneira correta. Um gesto, como um texto, pode ser mal interpretado. E tudo que eu não quero é obter o resultado oposto, fazendo meu bebê rejeitar a leitura por sentir que manipulo os fios da sua marionete. O que sei é que pelo jeito que ela devora as historinhas da Mônica, Cebolinha e Cascão, acho que não tenho com o que me preocupar. Aquele solo é fértil para meus projetos de formar uma leitora gulosa por obras de qualidade. Oxalá!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Livros

Conclui a leitura de "Terras do Sem Fim", livro bem interessante de Jorge Amado. Gostei muito, é uma prosa saborosa, e realmente é uma história de espantar, como prenuncia a sua epígrafe. Em torno da disputa por terras no Sul da Bahia, numa época de riqueza com o ciclo do cacau, o autor tece uma história cheia de casos curiosos. São muitos os casos, tantos e Jorge dá tanta atenção às histórias miúdas, que o maior problema do romance é justamente perder demais o foco da trama principal. Isso irrita. Mas naquilo que interessa, Jorge maneja bem suas peças e mostra muito talento. É fascinante ver nascer, desenrolar e concluir uma disputa tão sangrenta. É uma história de disputa de poder, claro. De submissão dos pequenos pelos grandes. Jorge não esconde suas convicções e sua crítica à arrumação da sociedade em beneício dos poderosos. E como isso causa conflitos. É bom ver o couro comer. É uma história de homens. Mas as mulheres são bem interessantes e ajudam a encorpar a trama. Uma livro sobre amores, traições, dinheiro e principalmente sobre a natureza sórdida de muitos homens. Leitura mais que recomendada.

***

E já emendei "Fazendo as malas", da Danuza Leão. É um livro para fazer uma pausa nos temas sangrentos da obra anterior. Danuza trata de viagens, malas e outros temas correlatos. A leitura é leve, flutua. Eu gosto mais quando ela fala sobre seus hábitos incomuns (mudar a cama para a sala de jantar; preferir ficar em hotel para não ter que dar bom dia a ninguém), prefiro isso a sua descrição da semana santa e da feria em Sevilha. Mas, vá lá, mesmo essas descrições tem alguma graça. Estamos nos primeiros capítulos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Exemplar do inferno

Lá tem cabarés, luxúria, traições, vaidades, dinheiro, disputas de poder, assassinatos e pilha de cadáveres "que adubam a terra". Bem que a Ilhéus pintada em "Terras do Sem Fim", de Jorge Amado, passa fácil, fácil como um exemplar do inferno, não? Vou chegando às últimas páginas e ninguém ali parece candidato a salvar a alma. Todos querem dinheiro. Todos querem lucrar alguma coisa. Ninguém é inocente. Um painel forte. Vou chegando ao final bem impressionado com essa narrativa. O livro é mesmo bom. Tomara que não desande nos minutos finais.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Comida baiana

Eloá não cansou de elogiar o caruru, com generosa porção de camarões, que fiz no fim de semana. Não gosto muito de comida com azeite, por isso, esses pratos da culinária baiana, gosto quando eu mesmo faço. Porque posso controlar os ingredientes ao meu prazer. O almoço de sábado foi caruru, arroz branco e frango ensopado. Bati meu recorde de tempo no preparo. Em menos de duas horas, estava tudo protinho e gostoso. Semana que vem vou tentar um peixe, talvez um vatapá de acompanhamento. Vou treinando, sem pressa, para estar em forma no cardápio da semana santa. Sou um homem que gosta de rituais, tradições e datas. Quanto mais velho fico, mais eu gosto dessas coisas.

Big Brother

Vai mais um motivo para Franklin me detonar, a mim e ao blog. BBB. Sou um cara que gosta de ver televisão, não é novidade. Embora hoje veja muito pouco na comparação com anos atrás (meu negócio é série...). Comecei interessado nessa décima edição do BBB pelo mesmo motivo que atraiu muita gente: o "elenco" escalado parecia bem interessante. Minha preferida era a Tessália. Gostava também da Cacau. E de Morango. Como personagem, gostava do Dourado. Sobre ele, o que não gostei é que as coisas caminharam de tal forma, que ele virou um todo poderoso, temido lá dentro e ovacionado aqui fora. Apesar dos contrários - e não são poucos - ele tem grande popularidade e já não será supresa se vencer no final. É um desfecho previsível, chatinho. Para mim, começou a morrer o interesse no programa quando a Tess saiu fora. Hoje acho, cada dia mais, tudo muito insípido. As duas personas por quem ainda tenho alguma simpatia estão ambas no paredão dessa semana. Mas não tem revolta não, como diz Peninha. Tô precisando mesmo voltar a dormir cedo.

domingo, 14 de março de 2010

Com açúcar, com afeto tive o maior prazer em preparar um café da manhã para receber os meus pais nesse sábado. Nada demais, umas frutas, frios, pão, banana da terra, bolo, café, leite e suco. Tudo muito simpático. Só faltou as flores no meio da mesa como ensinou em seu blog uma amiga se referindo à arte de rebecer visitas em casa. Foi um fim de semana cheio nessa coisa de cozinha. Bons ventos. Parece que volta para ficar a satisfação com a culinária.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aos estudos

Só penso nisso. Mas é uma idéia sem pernas, como diz Bentinho. A idéia é a de voltar à sala de aula para estudar. Ia gostar muito de fazer o mestrado na próxima seleção. Um professor com quem sempre tratava do assunto, me disse, à época que terminei a graduação, pra eu ficar tranquilo. Que eu poderia (até deveria) ir para o mercado. Depois de um tempo, era só voltar para a escola. Não é bem assim, teacher. Passaram quase sete anos. Descobri que não se sai de um mundo para outro sem dor, sem sacrificar algo. Estou no mercado. Mas é aquela coisa de pensar que do outro lado do espelho a mágica se daria. Isso porque acho que tenho tudo para me dar bem na academia. pelo menos minha época na escola foi deliciosa (será?). Quero crer que sim. O que me vem à cabeça é que, saindo, vou sentir falta da adrenalina do mercado. Mas bem sei que o meio acadêmico também tem seus perigos. Quero voltar à sala de aula. Por enquanto é uma idéia real, concreta, embora sem pernas.

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Melhora muito o romance "Terras do Sem fim" nessa banda final. Gostei bastante do maior espaço para o advogado que começa um romance ardente com a mulher do poderoso senhor de terras. Isso nos momentos que antecedem uma sangrenta guerra anunciada. Nessa parte final, Jorge Amado vai se concentrando mais nos personagens centrais, deixando de lado as delongas e os duzentos figurantes. Vai melhorando o que já é bom.

terça-feira, 2 de março de 2010

Jorge

OK, estou gostando com ressalvas do livro "Terras do Sem Fim", de Jorge Amado. Me incomoda o rodeio que ele faz para contar sua história, a enormidade de personagens e a atenção que dá a todos eles (e todos tem uma história). Nos momentos que é bom, o livro é ótimo. A guerra declarada entre dois grandes personagens pelo domínio de terras no Sul da Bahia é bem excitante. Alguns personagens - dois ou três - merecem uma atenção mais demorada. Não todos, não cada filho de Deus que aparece no romance. Estou na metade da leitura. E por enquanto estou mais gostando do que desgostando. Por enquanto.