segunda-feira, 31 de maio de 2010

24

Estava conversando com minha amiguinha Juliana hoje. Estou desolado com o fim de 24 horas. Essa oitava temporada que terminei de ver recentemente foi uma das melhores, começou bem e terminou melhor ainda (embora tenha embolado um pouco no meio do caminho). A série me dá muita saudade do meu amigo Sérgio, que era viciado. E foi quem me tornou viciado também. Estou triste. E com o som do barulhinho daquele relógio ainda vivo dentro da minha cabeça.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Furacão Elis

Difícil falar sobre um livro cuja personagem central tem tanta conexão com a sua vida. Talvez não seja difícil. Eu é que sou bocó mesmo. Me desmancho quando penso em Elis Regina. Não saberia dizer quando comecei a gostar dela, acho que nasci gostando. O livro "Furacão Elis", de Regina Echeverria, me trouxe de volta a figura de Elis. Muita coisa do passado pulou no meu rosto. Falando do livro propriamente: ele é rico em depoimentos, alguns bem especiais, mas, no geral, achei que a autora usou demasiado esse recurso de abrir aspas. Ficou como um documentário de TV. A autora pega da palavra apenas para introduzir a fala seguinte. É uma mediadora. Talvez não seja um defeito em si, mas me incomodou não ter a leitura indo embora sem que eu pense nela, na estrutura. Queria que a autora tomasse as informações para si e falasse como alguém que chegou àquele ponto por força da pesquisa. Ela entrega a responsabilidade pelo que diz à fonte. Tipo, é fulano que está dizendo. Senti falta de um mergulho maior, de uma contextualização maior, de saber mais sobre personagens que cruzaram a vida de Elis. Um monte de gente aparece e some. Sobre sua família, por exemplo, fala-se muito pouco e a impressão que passa é extremamente unilateral (da perspectiva de Elis). Foi um perfil mais ou menos tridimensional de Elis, rodeada de perfis rasos de todos os outros personagens. Fiquei mal acostumado lendo excelentes biografias. Talvez esteja querendo algo que a Echeverria não se propôs a tal. Mas louvo seu trabalho, ela ralou bastante e conversou com as pessoas certas. Ia lendo e pensando em Elis. Não tenho dúvida, amo essa mulher. Como é incrível. Falar que ela era uma pessoa difícil, como falam algumas amigas minhas, não consigo compartilhar com isso. Difícil todos nós somos. Elis tinha seu tanto de complicação, mas era normal dentro dos limites da loucura de todos nós. O que me pareceu foi até o contrário: que ela era muito sensível, muito emotiva, muito carente. E amava demais. Esse livro é muito doido. Não quero ficar aqui a criticar o trabalho suado dos outros, mas poxa... Sem que a heroína ou qualquer outra droga tenha sido mencionada antes no livro, de repente, a Elis Regina acorda morta, vítima de overdose. Há uma explicação pela metade, trazendo razões do relacionamento amoroso (ela havia brigado com o então namorado, o advogado Samuel MacDowell). Putz, nenhum sinal indica que chegaríamos nisso. O livro não apresenta um único ponto que antecipe ou prepare o cenário que veremos no final. Nesse momento, fui meio que surpreendido. Parece que o livro fica na superfície. Não estou criticando. Funciona como reportagem. Como um documento para entender melhor como foram as coisas, eu ficaria com muito ainda a desejar. A autora tinha uma ligação com Elis, eram amigas e tal. Não tenho dúvida de que foi feito com coração e boa fé. Mas senti falta de mais.

Estou escrevendo este post, ouvindo Elis e tomando um licor. Então, releve qualquer sentimentalismo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Arroz cremoso

Homem, cozinheiro, precisando pensar rápido. É que no sábado, meu aniversário, acordei bem tarde. E Eloá estava chegando do francês para almoçar e sair de novo. O que fazer, que fosse rápido e prático? Pois foi aí que tive a idéia de testar uma receitinha simples, mas que parecia apetitosa. É um arroz cremoso com peito de peru. Muito fácil de fazer, leva uns 30 minutos, e é bem gostoso. A receita pede, além do peito de peru e do arroz, queijo, uva passa, creme de leite e salsa picada. Por minha conta adicionei caldo de bacon e pimenta do reino. Depois do arroz pronto, basta acrescentar o resto: queijo e peito de peru vão em cubos pequenos. Fica muito bom e com um ótimo gostinho de queijo. Dá pra servir sem outro acompanhamento. Eloá adorou e repetiu.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Elis

Já nas últimas páginas de "Elas gostam de apanhar", uma amiga me traz "Furacão Elis", livro sobre a vida dessa cantora que me deu (e dá) tanta saisfação nessa vida miserável. A amiga diz que não gostou do que leu, descobriu que Elis é insuportável como pessoa. Engraçado. Uma outra amiga me falou de uma entrevista de Elis com o mesmo comentário. Que ela parecia arrogante e que se achava. Eu vi a entrevista e me deliciei. Meu comentário foi que Elis pode ser o que quiser, até antipática (que não acho que tenha sido, não do jeito que falam). Porque sendo boa ou má pessoa, sendo agradável ou não, ela não deixou de ser a potência que ela foi como cantora, intérprete e diva da música popular. Bota alguma das suas canções mais fodonas e aumenta o som: é uma experiência! Elis é maravilhosa. Mesmo que no trato pessoal não seja nenhuma santa. E isso importa? Para quem deu de presente interpretações altíssimas de "Arrastão", "Deus lhe pague", "Travessia", "Atrás da porta", "Corsário", "Águas de março", "As Curvas Da Estrada De Santos"? Para mim, o que importa é a enormidade que ela deixou. Adoro Elis. Um caso de amor mesmo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Iron man 2

Me diverti muito ontem com o novo "Iron Man". Para mim, cumpriu direitinho o papel de entretenimento. Pelo cinema lotado, deu pra ver que muita gente está curtindo e recomendando. Eu que gostei do primeiro filme - e que nunca deixei de gostar de Robert Downey Jr - fiquei meio preocupado com tantos atores novos na linha de frente do elenco. Mas parabéns ao diretor Jon Favreau, tudo se resolve bem e o filme flui. Minha musa, Scarlett Johansson, mal cabe nas roupas, de tão formosa. Tem gente que diz que ela foi mal aproveitada e que não tem função no filme. Acho bobagem. Tem que pensar nela como um bônus. Se ela não é essencial à trama, mal não faz. Seu charme, gostosura e talento só acrescentam no interesse que o filme provoca. Quem perde num filme em que cada entrada dela é em um modelito mais colado que o outro? O filme tem diálogos ótimos e as cenas de ação são acompanhadas por uma trilha bem legal que, depois descobri, é o rock do AC/DC. Muito bom. Gosto bastante do Sam Rockwell (de "Frost/Nixon"), que faz o antagonista. Já o vilão do Mickey Rourke lembra muito seu "O lutador", apesar do sotaque. Mas não faz mal. Um bom ator como ele faz a diferença com pouco. Sua atuação é tão acima da média, que ajuda a jogar o nível do filme para cima (adoro ele pronunciando, cínico, seu "You lost, Stark... lost, Stark..."). Tava com saudade de um filminho de ação bem feito.

domingo, 2 de maio de 2010

Bastardos Inglórios

Enfim vi "Bastardos Inglórios", do Tarantino, ontem. Achei um filmão, cheio de grandes cenas e ótimo elenco. Havia tantas estrelas entre os atores que deu a impressão de ter mais cacique que índio, mas isso já uma constante em seus filmes e o mais importante é que tudo funciona bem na tela. A minha personagem favorita é a judia Shosanna Dreyfuss, que tem a idéia de incendiar a cúpula nazista, incluindo o próprio führer, numa première de cinema. Há, claro, esse oficial espetacular, o Coronel Hans Landa, criado pelo ator Christoph Waltz. Aquela longa cena inicial com ele é tão boa ou melhor que tudo que veremos a seguir. E há muita coisa bacana. É uma delícia acompanhar o grupo de assassinos que persegue, tortura e mata militares nazistas. Há morte de lado a lado - algumas bem feias. E é incrível (e muito legal) a capacidade do diretor de criar expectativa para em seguida frustrar o espectador. Não sei se "Bastardos..." é melhor que outros filmes de Tarantino, mas que dá uma vontade danada de voltar a ver de novo, e de novo, e de novo... isso dá.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ah, um bom livro!

Volto, com muito prazer, a Nelson Rodrigues. É um dos meus ídolos, todo mundo sabe. Comecei a antologia de alguns contos de "A Vida como ela é", as histórias que ele passou anos publicando diariamente em "O Globo". Há vários livros com esse material porque ele escreveu muito. Esse que estou lendo chama "Elas gostam de apanhar", uma de suas muitas frases célebres. Nelson Rodrigues é uma máquina de talento, de coerência, que não tem nada de bom mocismo ou falsa moral. E diz as coisas na lata. É muito bom ler opiniões dele como: "Nada soa mais falso do que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio". Tremendo. E olha isso: "Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer". Sua leitura é crua. Ele é direto, sem firula, sem querer vender um mundinho bonito. E não pense que não há humor em seu texto. Há, muito. É um dos autores mais espirituosos.

Ah, nada como um bom livro!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Vida longa a "Damages". Ou não.

Terminei a terceira temporada de "Damages". É uma série que manteve o excelente nível até o fim. Coisa rara. Acabou sendo uma trilogia pela forma como o arco de situações começadas lá na primeira temporada encontrou desfecho apenas agora. Caso a série continue, obrigatoriamente será um novo começo, de tal sorte foi a forma como todas as pontas foram aparadas. Tem gente triste com a possibilidade bem real de a série não ser renovada. Eu estou satisfeito. Não sei se será possível aos criadores superarem o que vimos até aqui. Para não correr o risco de a série cair de qualidade, prefiro que termine desse jeito. Mas, claro, se vier uma nova temporada, será recebida de braços abertos. Pra finalizar, quero apenas dizer que Rose Byrne, depois de "Damages", é uma das minhas atrizes favoritas (Glenn Close já era desde "Ligações Perigosas").

Sex and the city

Terminei de ler "Sex and the city", de Candace Bushnell. Fiquei bem interessado em suas histórias de relacionamento, em tom de humor e sarcasmo. Embora diga que as mulheres que conhece são solteiras porque querem, Bushnell não demostra romantismo nem esperança de que o amor é possível. Pelo menos nos muitos (muitos mesmo) casos que conta, mais vale a lei do desejo, do apego ao dinheiro e da independência. Ninguém que aparece no livro consegue manter um relacionamento duradouro e promissor, essa foi a minha impressão. Mas não há tom pessimista no livro. Os personagens parecem dizer que se as coisas são assim, então, porque não aproveitar a delícia de se relacionar sem culpa? Claro que as mulheres retratadas demonstram, em um momento ou outro, querer um relacionamento verdadeiro. Mas não se incomodam em testar bastante antes as muitas opções que aparecem nas noites badaladas, nos encontros furtivos, nas viagens de lazer ou negócios. Elas têm dinheiro, têm uma carreira, são donas do nariz. Então estão no comando e tentam tirar muito prazer da vida. É um livro que mostra que o mundo avançou para a vivência do sexo sem culpa, compromisso ou justificativa. As mulheres se comportam como alguns homens. São predadores também. E vão à caça. É importante dizer que a autora fala do seu ciclo social, de gente bem nascida, ou bem situada, da classe média alta e classe alta americana. É uma leitura boa, descontraída, e que ajuda a entender um pouco da vída íntima (de alcova) de parte de nossa sociedade atual.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Madrasta

Eloá, que tem feito um trabalho irretocável com uma filha que não é sua, ficou revoltada com o significado da palavra "madrasta" no dicionário. Não é só "mulher casada, em relação aos filhos que seu marido teve de núpcias anteriores". O dicionário (o Michaelis, por exemplo) dá como significado "Mãe que maltrata os filhos; avara, ingrata, pouco carinhosa". E ainda "o que traz dissabores e tristezas: Sorte madrasta". Mas eu desconfio das razões para isso. Sacanagem da Disney. Foi o sucesso da história da Branca de Neve, e sua difusão, que envenenou para sempre o sentido da palavra. Ô sina madrasta!

sábado, 10 de abril de 2010

V

Ok, só vi o piloto dessa nova série "V". Gostei, mas precisa ver se os próximos episódios vão segurar a onda ou decepcionar como aconteceu com "FlashForward" (que tem um ótimo piloto e depois vai caindo). Certo mesmo é que eu (também) caí de amores pela brasileira Morena Baccarin, uma das atrizes que estão encabeçando o elenco. Sensual até não poder mais, ela é a líder dos aliens malvados. Mesmo que a série fique muito ruim, eu ainda terei motivos de sobra pra continuar ligadão. Ai, ai...

*
Adendo do dia seguinte: vi mais três episódios da série. Por enquanto, nada a lamentar. A série é instigante e mantém o suspense (e dá até um medinho) nesse início de temporada. Mas o melhor é que há mais um motivo importante para seguir a série. É uma loirinha que se chama Laura Vandervoort, atriz que interpreta outra dessas aliens malvadas. Por enquanto, para nós, rapazes, essa série só tem dado motivos para comemorar...

Peixe

Final de semana de acertos na cozinha. Preparei um negócio bom com legumes e filé de merluza. Delicioso o peixe cozido com dendê (bem pouco e só no final), coentro, cebolinha e rodelas de tomate, cebola e pimentão. Tomamos o cuidado de deixá-lo um dia antes em sal e pimenta. Mesmo sem leite de coco, é possível ser feliz com um peixe saboroso servido com arroz.
"Mais bizarro do que determinadas comidas bizarras é o hábito brasileiro de rejeitar comidas que saiam de um restrito repertório do trivial cotidiano. Por que só arroz, feijão, macarrão e bife? Por que não coentro (fora da Bahia), jambu (fora da Amazônia), maxixe (fora do Nordeste), ora-pro-nobis (fora de Minas)? E por que não miúdos e partes de animais que não sejam só o filé mignon (ou algum tipo de bife)? E por que não outros animais além dos poucos de sempre?"

"Parece que nosso complexo de Casa Grande extirpou até o gosto pela aventura do gosto. Uma perda."

Josimar Melo, jornalista, crítico de gastronomia.

Lelê/xerém

"Ô piza o milho penerô xerém/ eu não vou criar galinha/ pra dar pinto pra ninguém". Luiz Gonzaga

Sucesso de público e de crítica o lelê de milho que fiz ontem aqui em casa. Redescobri esse prato que minha mãe fazia na minha infância. Muita gente chama xerém e isso me deixou confuso. Eu sempre conheci como lelê. E é delicioso e bem fácil de preparar. Tudo começou num evento que fui a trabalho essa semana, um café da manhã. Minha amiguinha Dora ficou lembrando o estouro (de bom) que é a combinação de lelê com café. Foi água na boca. Daí lembrei da minha mãe. Voltei no tempo. E porque não tentar fazer? Comprei o milho já pronto no mercado. Usei também leite de coco, coco ralado, leite liquido, manteiga, canela em pó, açúcar e cravo. (Detalhe: minha mãe faz com leite tirado do coco mesmo, não usa as garrafinhas tão práticas. Dá cem vezes mais trabalho, mas o resultado vale a pena). Pesquisei e descobri um milhão de receitas que confundiam muito mais que explicavam. Usei duas e ainda dei um toque meu, mudando uma ou outra instrução. Antes de preparar, claro, liguei pra minha mãe que me deu uma ótima dica para achar o ponto certo. Precisa ter paciência para mexer bastante como se tivesse fazendo vatapá. Mas o resultado vale a pena. Coisa de 30 a 40 minutos e ele está pronto e bonitão. Despejei numa assadeira e esperei esfriar. Delícia. Eu, Eloá e a pequena devoramos de um dia para o outro.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um segundo

Muitas pessoas afirmam que existe uma crise dos sete anos que todo casal enfrenta. Ainda não cheguei lá (mas prometo verificar a veracidade dessa afirmação). O fato é que, completos meus seis anos de relacionamento com Eloá, estamos voando em céu azul, sem nenhuma nuvem. Eu comecei a namorar Eloá no exato segundo em que bati os olhos nela. (Me lembrou agora aquela bonita canção de Hebert cantada por Cazuza: "Às vezes te odeio por quase um segundo. Depois te amo mais"). Mulher é bicho desconfiado. Eloá demorou um pouco mais, estava me conhecendo (e tinha um namorado à época). Foram dias resistindo ao meu charme. Um mês depois, capitulou e começamos de fato nossa historinha. Não foi nada fácil chegar aqui. Passamos por tantas pequeninas crises de ajuste nesse período que seria crueldade uma crise dos sete anos. Nunca estivemos melhor um com o outro. Temos fases, claro. Mas essa que vivemos talvez seja a melhor de todas. Da parte dos dois, sobra carinho, atenção e cuidado. E quanto mais estamos juntos, mais queremos ficar exatamente assim. Estou casado com a melhor de todas as mulheres. E ela tem o marido mais bobão de todos, com o sentimento do mesmo jeito que estava naquele primeiro segundo quando a conheci. E que bendito segundo. Até hoje não passou.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bridges

Jeff Bridges é ótimo ator. E está em parceria com a minha queridinha Maggie Gyllenhaal (linda, talentosa, inteligente, sexy...). Ambos estrelam "Crazy Heart". Não sei que diabos estou fazendo que ainda não vi este filme. Para piorar, a lista não acaba aqui. Também não vi "Ilha do medo", "O homem que engarrafava nuvens", "Caro Francis", "Onde vivem os monstros", "Abraços partidos"...

Alguém diria que é imperdoável. Com razão.

*

Estou numa certa expectativa. Estou com os primeiros cinco episódios da série "V" no meu coldre. É só parar e assistir. Mas resisto. Não sei se presta... Minha amiga Juju diz que a desconfiança não é só minha. Mas que não desgostou do que viu no piloto. Não sei...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Coco Chanel

Bom programa foi ver o filme "Coco antes de Chanel", filme de Anne Fontaine. Não havia me entusiasmado quando estreou nos cinemas, mas Eloá queria muito assistir. No sábado, peguei na locadora pra ela e eu mesmo comecei a ver "só" o comecinho. Daí fui ficando, ficando, ficando... É um filme curioso, feito com cuidado, nem um pouco chato. Mostra a vida da estilista Coco Chanel antes de ela se tornar quem se tornou. Mostra sua vida pobre, a dificuldade financeira, a diferença de outras mulheres, as mudanças que vai operando nas cabeças e nas roupas. O que costura a trama é um triângulo amoroso entre Coco e dois homens bem diferentes. Diferentes, mas civilizados (até demais). Chanel sai das mãos de um para o outro quase sem conflitos. Entretanto, decide que nunca irá se casar. O amante fala pra ela que podem continuar a relação igual, porque amor nada tem a ver com casamento (e ele está prestes a casar com outra para salvar sua situação financeira). São bons personagens. Um dos melhores é o protetor de Chanel, que aparece desde o início do filme, interpretado pelo ator Benoît Poelvoorde. A Andrey Tatou, que vive a estilista, está bem simpática em cena. É séria, tem humor variado, é autêntica. Não demora até que as senhoras da época comecem a cair de amores pelo talento daquela mulher que se veste como homem e tem uma grande elegância. Seus chapéus começam a fazer muito sucesso. Essa parte de moda e estilo aparece em cenas interessantes e divertidas. O filme inteiro é bem interessante. E diverte.

*

Vimos com muita satisfação o retorno da Disney ao desenho tradicional com "A Princesa e o sapo". Para bem da verdade, Eloá e minha filha pareceram gostar bem mais que eu. Mas eu não desgostei. O desenho é divertido, tem ritmo bom, e faz uma gostosa homenagem ao jazz e à Nova Orleans. Porém, não deixo de trazer comigo a sensação de que minha empolgação era bem maior com os mesmos desenhos da Disney de algum tempo atrás (como "Branca de Neve", "Aladim", "Rei Leão"...). Pode bem ser que eu tenha crescido, claro.

Pai, mãe...

Sinto que minha filha está mais apegada a mim. Já vão dois anos desde que sua mãe decidiu se mudar para São Paulo e eu virei o pai que também é mãe. É uma tarefa difícil. Ter a responsabilidade por uma outra pessoa é um peso. A gente faz tudo com desvelo, mas quem vive essa situação sabe que é barra. Nos últimos tempos tenho aprendido a ser mais leve, a facilitar mais a vida da pequena. Explico. É que como fui uma criança criada sem nenhum luxo, entendi que era importante fazer a minha filha entender que as coisas não vêm de graça. Então me recusava a ser um pai que atende a todos os desejos consumistas. Fiz isso com certo rigor. Eloá vem me ensinando que eu não preciso ser tão duro. E que pode ser (também) instrutivo atender a alguns desejos fugazes de uma criança. Eloá vem me ensinando que tem momento para tudo. Eu posso ser um cara mão aberta no momento certo, dentro de uma certa política de merecimento. Tenho aprendido a lição. E tenho sido um pai mais generoso. Sem culpa. Aos poucos vamos nos aproximando mais e mais. Uma coisa bacana: temos tentado aproveitar mais o tempo juntos. Eloá tem sido imporante nisso também. Ela incentiva, dá idéias, chega junto. Minha pequena percebe o cuidado que a madrasta tem. E retribui com carinho. Nem sempre a família tradicional é a melhor opção de felicidade. Os novos modelos têm encontrado formas de convivência plenamente satisfatórias. Uma mãe emprestada pode ser tão eficaz ou até melhor que a mãe original.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sex and the city

Comecei a ler "Sex and the city", livro da jornalista americana Candace Bushnell. É o livro que serviu de base para a conhecida série de TV. Não vi nenhum episódio dessa série, mas até aqui (passei do segundo capítulo) estou bem interessado no que estou lendo. A tese de Bushnell é a de que não há chances de um relacionamento amoroso sério, duradouro, entre duas pessoas no mundo de hoje. É a tese que aparece nessas primeiras páginas, pelo menos. Claro, e é importante atentar para isso, que ele está falando da sua turma, das pessoas de uma rede da qual ela integra. Mesmo assim é um prognóstico temerário. Os casos que ela conta - e são muitos - parecem apenas reforçar, um a um, que a solidão é um caminho inevitável. As pessoas descritas no livro se encontram e desencontram com parceiros, trocam um pelo outro, começam e terminam relação. Uma coisa bacana é que a autora usa uma maneira divertida (ok, às vezes mordaz) de mostrar esse mundinho. E não se tem dúvida (eu não tenho) de que a autora entende esse mundinho como uma amostra de um fenômeno maior. É seguir para ver onde vai dar.

sábado, 27 de março de 2010

Fazendo as malas

O livro “Fazendo as malas”, de Danuza Leão, é muito divertido. Ela se dedica em um pouco mais de cem páginas a contar uma viagem a quatro cidades que parece adorar: Sevilha, Lisboa, Paris e Roma. É curioso perceber que a autora não gosta de tudo que vê nem daquilo que deveria ser óbvio para olhares estrangeiros. Ela sai descobrindo coisas e contando as suas aventuras. Li num tapa nos pedaços de tempo que fui arranjando numa semana tão louca (e cheia) no trabalho. O livro foi uma boa companhia e ajudou a aliviar as tensões. Danuza é humorada, mas também é irascível e irônica. O tempo inteiro. É uma caminhada que vale o ingresso. Bem diferente de tantos escritores que tratam de moda, atitude, comportamento, Danuza não faz tipinho. E mostra que tem alguma cultura, citando livros, filmes, personalidades, autores. Ela pode ser tão mal humorada quanto doce. É mulher, caramba, e daquelas cuja personalidade salta às páginas. E haja comentários mais ou menos interessantes sobre roupas, acessórios, restaurantes, ambientes, pessoas. Percebe-se que Danuza não quer ser profunda, também não quer inventar a roda, e parece ter se divertido escrevendo. Não se importa de falar obviedades ao lado de coisas realmente curiosas. A leitura vai embora e eu vou junto (invariavelmente com um pequeno sorrisinho no rosto). O mais legal de tudo é fechar o livro depois da leitura e descobrir que formiga um desejo doido de fazer uma baita viagem.

Trecho: “Meus primeiros momentos em Roma foram no táxi. Eu havia perguntado qual seria o preço da corrida até o hotel, ele me disse sessenta euros. Quando chegamos, estendi uma nota de cem euros, e o motorista, cheio de sorrisos, agradeceu muito a gorjeta. Eu disse que estava esperando o troco, que ele me deu, com a mesma cara-de-pau e os mesmos sorrisos. Pronto, estava mesmo em Roma.”

terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre a leitura

"Leitura é subjetividade, é ver o que agrada à sensibilidade e se ajusta à sua forma de ser, ao seu momento."
André Garcia, criador do Estante Virtual, que vende livros na internet

*
Minha filhinha vai crescendo. Quero que ela goste de livros. É a minha ocupação no momento, fazer dela uma moça apegada, com orgulho, às letras. Sempre desconfiei de frases do tipo "leia qualquer coisa, vale até bula de remédio". Talvez valha a pena para um candidato a farmacêutico. Não creio que ajude quem pretende ser um bom leitor. Leitura tem a ver com prazer. E, sabemos, adquirir o hábito não é algo que cai do céu. Há que se investir. Há que se criar estratégias para que o leitor surja de dentro da casca. Aquele livro da coleção primeiros passos (quanto tempo, hein?), de título "O que é leitura", ele ensinava que ler é uma ação mais larga que apenas "leitura de texto escrito". A leitura é uma ação cultural, pode-se ler um livro como um filme, como um programa de TV, como uma situação, um fato. Pode-se ler uma pessoa. Mas falando de texto escrito, para manter o foco: estava falando que desconfio se na estratégia de formar leitores tem alguma valia a orientação de ler qualquer coisa. Não digo com isso que também só vale a leitura de clássicos. Principalmente, que ninguém começa a ler com Sheakespeare e Cervantes. Para minha filha de oito anos, que adora a Turma da Mônica, eu tenho esperado ela crescer mais um pouco com um discurso na ponta da língua. Eu diria (direi) “comece com o que te interessa e esteja receptiva e atenta”. E, claro, vou induzindo-a a autores que sei que mal não vão fazer, por tanto... Que tal Lewis Carroll, Monteiro Lobato, Rubem Braga? Tomara que ela leia minha atitude da maneira correta. Um gesto, como um texto, pode ser mal interpretado. E tudo que eu não quero é obter o resultado oposto, fazendo meu bebê rejeitar a leitura por sentir que manipulo os fios da sua marionete. O que sei é que pelo jeito que ela devora as historinhas da Mônica, Cebolinha e Cascão, acho que não tenho com o que me preocupar. Aquele solo é fértil para meus projetos de formar uma leitora gulosa por obras de qualidade. Oxalá!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Livros

Conclui a leitura de "Terras do Sem Fim", livro bem interessante de Jorge Amado. Gostei muito, é uma prosa saborosa, e realmente é uma história de espantar, como prenuncia a sua epígrafe. Em torno da disputa por terras no Sul da Bahia, numa época de riqueza com o ciclo do cacau, o autor tece uma história cheia de casos curiosos. São muitos os casos, tantos e Jorge dá tanta atenção às histórias miúdas, que o maior problema do romance é justamente perder demais o foco da trama principal. Isso irrita. Mas naquilo que interessa, Jorge maneja bem suas peças e mostra muito talento. É fascinante ver nascer, desenrolar e concluir uma disputa tão sangrenta. É uma história de disputa de poder, claro. De submissão dos pequenos pelos grandes. Jorge não esconde suas convicções e sua crítica à arrumação da sociedade em beneício dos poderosos. E como isso causa conflitos. É bom ver o couro comer. É uma história de homens. Mas as mulheres são bem interessantes e ajudam a encorpar a trama. Uma livro sobre amores, traições, dinheiro e principalmente sobre a natureza sórdida de muitos homens. Leitura mais que recomendada.

***

E já emendei "Fazendo as malas", da Danuza Leão. É um livro para fazer uma pausa nos temas sangrentos da obra anterior. Danuza trata de viagens, malas e outros temas correlatos. A leitura é leve, flutua. Eu gosto mais quando ela fala sobre seus hábitos incomuns (mudar a cama para a sala de jantar; preferir ficar em hotel para não ter que dar bom dia a ninguém), prefiro isso a sua descrição da semana santa e da feria em Sevilha. Mas, vá lá, mesmo essas descrições tem alguma graça. Estamos nos primeiros capítulos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Exemplar do inferno

Lá tem cabarés, luxúria, traições, vaidades, dinheiro, disputas de poder, assassinatos e pilha de cadáveres "que adubam a terra". Bem que a Ilhéus pintada em "Terras do Sem Fim", de Jorge Amado, passa fácil, fácil como um exemplar do inferno, não? Vou chegando às últimas páginas e ninguém ali parece candidato a salvar a alma. Todos querem dinheiro. Todos querem lucrar alguma coisa. Ninguém é inocente. Um painel forte. Vou chegando ao final bem impressionado com essa narrativa. O livro é mesmo bom. Tomara que não desande nos minutos finais.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Comida baiana

Eloá não cansou de elogiar o caruru, com generosa porção de camarões, que fiz no fim de semana. Não gosto muito de comida com azeite, por isso, esses pratos da culinária baiana, gosto quando eu mesmo faço. Porque posso controlar os ingredientes ao meu prazer. O almoço de sábado foi caruru, arroz branco e frango ensopado. Bati meu recorde de tempo no preparo. Em menos de duas horas, estava tudo protinho e gostoso. Semana que vem vou tentar um peixe, talvez um vatapá de acompanhamento. Vou treinando, sem pressa, para estar em forma no cardápio da semana santa. Sou um homem que gosta de rituais, tradições e datas. Quanto mais velho fico, mais eu gosto dessas coisas.

Big Brother

Vai mais um motivo para Franklin me detonar, a mim e ao blog. BBB. Sou um cara que gosta de ver televisão, não é novidade. Embora hoje veja muito pouco na comparação com anos atrás (meu negócio é série...). Comecei interessado nessa décima edição do BBB pelo mesmo motivo que atraiu muita gente: o "elenco" escalado parecia bem interessante. Minha preferida era a Tessália. Gostava também da Cacau. E de Morango. Como personagem, gostava do Dourado. Sobre ele, o que não gostei é que as coisas caminharam de tal forma, que ele virou um todo poderoso, temido lá dentro e ovacionado aqui fora. Apesar dos contrários - e não são poucos - ele tem grande popularidade e já não será supresa se vencer no final. É um desfecho previsível, chatinho. Para mim, começou a morrer o interesse no programa quando a Tess saiu fora. Hoje acho, cada dia mais, tudo muito insípido. As duas personas por quem ainda tenho alguma simpatia estão ambas no paredão dessa semana. Mas não tem revolta não, como diz Peninha. Tô precisando mesmo voltar a dormir cedo.

domingo, 14 de março de 2010

Com açúcar, com afeto tive o maior prazer em preparar um café da manhã para receber os meus pais nesse sábado. Nada demais, umas frutas, frios, pão, banana da terra, bolo, café, leite e suco. Tudo muito simpático. Só faltou as flores no meio da mesa como ensinou em seu blog uma amiga se referindo à arte de rebecer visitas em casa. Foi um fim de semana cheio nessa coisa de cozinha. Bons ventos. Parece que volta para ficar a satisfação com a culinária.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aos estudos

Só penso nisso. Mas é uma idéia sem pernas, como diz Bentinho. A idéia é a de voltar à sala de aula para estudar. Ia gostar muito de fazer o mestrado na próxima seleção. Um professor com quem sempre tratava do assunto, me disse, à época que terminei a graduação, pra eu ficar tranquilo. Que eu poderia (até deveria) ir para o mercado. Depois de um tempo, era só voltar para a escola. Não é bem assim, teacher. Passaram quase sete anos. Descobri que não se sai de um mundo para outro sem dor, sem sacrificar algo. Estou no mercado. Mas é aquela coisa de pensar que do outro lado do espelho a mágica se daria. Isso porque acho que tenho tudo para me dar bem na academia. pelo menos minha época na escola foi deliciosa (será?). Quero crer que sim. O que me vem à cabeça é que, saindo, vou sentir falta da adrenalina do mercado. Mas bem sei que o meio acadêmico também tem seus perigos. Quero voltar à sala de aula. Por enquanto é uma idéia real, concreta, embora sem pernas.

*

Melhora muito o romance "Terras do Sem fim" nessa banda final. Gostei bastante do maior espaço para o advogado que começa um romance ardente com a mulher do poderoso senhor de terras. Isso nos momentos que antecedem uma sangrenta guerra anunciada. Nessa parte final, Jorge Amado vai se concentrando mais nos personagens centrais, deixando de lado as delongas e os duzentos figurantes. Vai melhorando o que já é bom.

terça-feira, 2 de março de 2010

Jorge

OK, estou gostando com ressalvas do livro "Terras do Sem Fim", de Jorge Amado. Me incomoda o rodeio que ele faz para contar sua história, a enormidade de personagens e a atenção que dá a todos eles (e todos tem uma história). Nos momentos que é bom, o livro é ótimo. A guerra declarada entre dois grandes personagens pelo domínio de terras no Sul da Bahia é bem excitante. Alguns personagens - dois ou três - merecem uma atenção mais demorada. Não todos, não cada filho de Deus que aparece no romance. Estou na metade da leitura. E por enquanto estou mais gostando do que desgostando. Por enquanto.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Torta de carne seca

A cozinha vai seduzindo Eloá. Ela, que já foi tão avessa à arte culinária, pouco a pouco vai se deixando enredar. Neste último fim de semana me fez comprar ingredientes para uma receita de torta de carne seca. Prato que se mostrou uma boa pedida. Da minha parte, eu fiz uma salada de feijão verde para acompanhar. Foi um almoço saboroso e refrescante. No domingo, já sem vontade de repetir o cardápio, e meio enjoado da tortinha, decidi fazer omeletes usando o mesmo recheio da torta. Outro acerto. Bom isso. Não costumamos usar carnes seca dessa forma, desfiada e temperada. Bom aprender novos caminhos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Spartacus

Apesar de ver muitos filmes, há muito tempo, mesmo assim sou um cinéfilo em começo de carreira. Há incontáveis filmes "importantes" que estão na minha lista de "a ver". Risquei mais um esse fim de semana com "Spartacus", épico de Stanley Kubrick, uma produção de 1960. Quem me conhece sabe que sou admirador de Kubrick. Entre meus filmes preferidos, o tempo passa, e continua entre eles "Laranja Mecânica", "O Iluminado" e "De Olhos Bem Fechados". Do "2001 - Uma Odisséia no Espaço" não gosto. Explicando melhor: gosto muito de toda a parte que envolve o super computador Hal 9000. Só. (Já "Lolita", adaptação que Kubrick fez da obra de Nabokov, vi no final do ano passado e ainda não sei se gostei.) Gostei de Spartacus. É um filme que trabalha dois núcleos: o do escravo que se torna gladiador e daí lenda ao formar e liderar um exército de escravos. O outro núcleo é o dos políticos em Roma. Gosto mais ainda das tramóias dos patrícios romanos que da formação do líder interpretado por Kirk Douglas. Assistia e não parava de pensar nas grandes produções de holywood. Mas isso é estranho, porque Kubrick sempre foi um diretor autoral. De certa perspectiva, é o anti-estúdio. Depois que li sobre a produção, endenti o que se deu. O filme é da produtora de Kirk Douglas (pai de Michael Douglas) e seria dirigido originalmente por Anthonhy Man. Por divergências entre diretor e produtor, Mann saiu de cena e Kubrick foi chamado com as filmagens já iniciadas. Essa troca no meio do caminho não resultou em prejuízo para o filme. Não aparentemente. Gosto especialmente de Laurence Olivier, que faz o antagonista e rival de Spartacus. E as melhores falas foram entregues ao ator Charles Laughton, que interpreta um cínico e experiente senador Gracchus. Em certo momento o senador é questionado sobre sua intenção de fazer acordo com bandidos. Ele responde que política é algo prático. "Claro que fazemos acordo com bandido, desde que ele tenha algo que queremos". É cruel dizer isso, mas: a frase resume parte do que é a política brasileira e do que é a história da humanidade. Enfim, todo grande filme de estúdio em holywood tem uma dama que torna mais doído o sofrimento do herói - e mais interessante o prazer de assistir. Aqui a mocinha é interpretada por Jean Simmons, uma coisinha mais linda.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Filmes

Nesse Carnaval, vi muitos episódios de "Moderny Family" e de "How I Met Your Mother" (ambas são comédias da melhor qualidade, eu e Eloá temos nos divertido muito). Fiz a besteira de interromper esse bom programa para tentar ver aberrações como "Bruno". Burrice minha, que não cheguei aos 40 minutos de filme. Como disse o Inácio, já tinha perdido meu dinheiro, não precisava me torturar e perder também o meu tempo. Não entendo. Detestei "Borat" e ainda assim caí na conversa mole dos comentarista de cinema. "Bruno" não é irreverente ou anárquico. É um festival de bobagem e de vontade de chocar a qualquer custo. Passo.

Compensei o tempo perdido revendo "O Corte", direção de Costa-Gavras. O filme, embora um pouco mais longo que o necessário, trata de um alto-executivo que perde o emprego na indústria de papel e não consegue se recolocar. Mostra uma Europa em dificuldade e como as pessoas se movimentam nesse contexto de crise. O personagem central tem uma idéia para voltar ao mercado. Ele decide eliminar a concorrência. E não se trata de sentido figurado. Bom filme.

Assisti "Guerra ao Terror", que concorre a nove Oscars, inlcuindo melhor filme e diretor. Não é mau filme, mas não me impressionou tanto como achei que poderia. Mas é preciso dizer que não sou bom com filmes de guerra. Não lembro de nenhum que tenha realmente mexido comigo. Este "Guerra ao Terror" é tenso, tem aquela câmera tremida dos filmes que imitam documentário, há esse suspense tremendo toda vez que a equipe anti-bomba chega em um local ameaçado. Parecem casos reunidos sobre uma equipe de trabalho, por mais incrível e mortal que seja esse trabalho. Impressiona em algumas cenas, mas dá vontade de ir ver um documentário de verdade. Como ficção, não me "pegou".

Por fim, vi o início de "G1 Joe - A Origem de Cobra". Falo que vi o início porque não tive saco para ir sequer até a metade. Perdi a paciência com filme bobo, sem história, que tem uma explosão a cada cinco minutos e um golpe de arte marcial a cada 30 segundos. Estou ficando velho.

Jogo de Espiões

O velho Robert Redford mostra que bons atores podem fazer valer um filme inteiro. É o caso de "Jogo de Espiões", produção de 2001, de Tony Scoty, onde temos, ok, um roteiro que levanta a bola e facilita a vida do veterano ator. É a história de um espião (Redford) que no dia exato em que está saindo para a aposentadoria, precisa salvar um amigo e ex-pupilo (papel de Brad Pitt), que foi preso pela polícia chinesa e condenado à execução. São 24 horas de movimento dentro do escritório da CIA, com um reloginho nos mostrando o tempo restante para que seja evitado o pior (percusor da famosa série?). Sabemos da relação entre os dois espiões e os motivos de um e outro por causa do relato feito pelo veterano (e haja flashbacks). O personagem de Redford nada tem escrito sobre o parceiro, porque está tudo em sua cabeça, "funciono à moda antiga", é o significado. A direção da CIA está pouco se lixando para o preso que será executado. Não quer problemas com a China, mesmo que tenha que sacrificar um dos seus. Todo o filme é de Redford. Pitt não está mau, corre de um lado para o outro, transmite o envolvimento do personagem, ajuda a movimentar a trama. Redford age no bastidor, é a inteligência, aquele que usa a máquina a seu favor, dá um nó nos superiores, salva o dia, tudo isso sem dar um soco ou disparar uma arma. O fato é que o velho ator faz valer cada real gasto na locação do disco.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Invictus

Sensacional o novo Eastwood, "Invictus". Minha teoria é que existem cineastas sob medida para cada pessoa. Eastwood nunca me decepciona (mesmo "Cartas de Iwo Jima"/ "A Conquista da Honra", que não me fizeram morrer de amor, me deu um punhado ou dois de gratificação). Em "Invictus", temos esse personagem de Mandela, que Morgan Freeman recria tão bem em cena. Arrisco dizer que nunca vi Freeman, que não é mau ator, nunca o vi melhor. Os jogos de rúgbi, do qual não entendo nada, aquelas cenas das equipes se espremendo, como búfalos medindo força, são tremendas. É um filme com apelo à emoção, como são muitos outros sobre esporte. Eastwood conta essa história de forma interessante, com respeito à nossa inteligência e à realidade factual. Não é uma situação pouco complicada a da África do Sul pós apartheid. O filme demonstra essas tensões. Sei que o filme não é aplaudido por todos, divide opiniões. Para mim, foram duas horas de satisfação.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

How I Met Your Mother

Como é bom descobrir coisas boas. Graças a minha amiguinha do peito, Juju, eu sou um cara que resolvi minha crise de abstinência depois do ponto final no último episódio de "Friends". Conheci algo tão instigante e engraçado quanto. A série é "How I Met Your Mother". Não duvido que a série foi feita sob medida pra o público órfão de "Friends". Embora seja outra coisa, em vários sentidos, conserva o básico: um grupo de amigos de classe média, nas variadas situações (algumas absurdas) de encontros e desencontros amorosos, tudo com uma boa dose de sarcasmo e humor. Eles também têm um ponto de encontro (não é um café, é um bar), eles também têm um terraço e, sim, eles também têm o seu Chandler Bing. Aqui se chama Barney Stinson, e é uma figura...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Coentro

Li com prazer o caderno Paladar, do Estadão, da última semana. A matéria de capa tentava entender porque o coentro divide tanto as opiniões. Uns adoram. Outros detestam. Curioso. O coentro é tão presente na cozinha baiana, que é difícil por aqui encontrar alguém do time do "eu detesto". Conheço duas pessoas que não gostam de coentro. Como que para comprovar a tese, ambas são de outros Estados, embora vivam aqui há tempo. Uma dessas pessoas é um cara gaúcho, bom de cozinha. Fiquei realmente surpreso com as palavras dele quando ouvi. Era a primeira vez que ouvia alguém desancar a erva. A outra pessoa é especialista em comer (ok, ela também se arrisca no preparo de um prato ou outro). É a minha amiga Marlla que também não é baiana, é goiana. Eu gosto de coentro, sempre em porções bem pequenas, especialmente para finalizar alguns pratos. Não tenho essa mania de enfiar coentro em tudo compulsoriamente.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Fim da Escuridão

Não tenho problema em admitir certas coisas. Que gosto de Mel Gibson, por exemplo. Ontem aproveitei um tempo livre à noite e fui assistir "Fim da Escuridão", filme protagonizado por Gibson, dirigido por Martin Campbell. Não é mau filme. É uma história policial que cresce, se complica e se revela uma grande intriga envolvendo figurões do governo americano, fabrico de bombas nucleares, terrorismo interno, assassinato, etc. Gostei de todo o clima do filme, que segura o interesse e vai desvelando a trama aos poucos. Há cenas de ação em poucos momentos e elas são muito boas. O primeiro impacto é a morte da filha do personagem de Gibson nos primeiros minutos. Esse é o fato que faz desenrolar toda a história. O policial e pai começa a investigar e, sabemos, ele não pára enquanto não descobre o que houve com sua filha. Nessa trilha encontra uma rede complicada que envolve gente poderosa, incluindo um senador da república. Campbell consegue manter o foco no policial e na sua relação com a filha. Ele precisa superar a dor pela perda e ao mesmo tempo buscar uma explicação para o que houve. No caminho, encontra um profissional misterioso (o ator Ray Winstone) que não se sabe se está ali para ajudá-lo. Um aparte: esse papel seria de Robert De Niro, que largou as filmagens no meio. As cenas entre esses dois personagens - duas ou três - são algumas das melhores do filme. Fiquei desgostoso com o final. O filme começa e se desenvolve bem, mas não termina do mesmo jeito. O final não é óbvio. Também não é bom.

Concupiscente

Mal começo a ler "Terras do Sem Fim" e sou apresentado a cenas como a de uma mulher de cabelos dourados que é apertada nas nádegas por um homem desconhecido que quer conferir nela "a dureza das carnes". Mais um pouco, uma outra resolve se "abrir como uma flor" para o namorado. Metáfora clara para perda da virgindade. Essa tem medo que o cara não volte de uma viagem a Ilhéus e já que vai fazer isso com alguém mesmo... ok. Estamos no terreno concupiscente de Jorge Amado, não há dúvida. E olha que ainda estou nas primeiras trinta páginas. A leitura promete.

Terras do Sem Fim

Começo as primeiras linhas de "Terras do Sem Fim" de Jorge Amado. Não tinha simpatia por ele (Jorge) no início da minha vida de leitor. As coisas mudaram depois que li "Capitães de Areia". Seguiu-se "Jubiabá", "Mar Morto", "Tieta do Agreste" e, mais recentemente, "Cacau". Não tenho mais nenhum problema com Jorge Amado. Ao contrário, quero retomar a leitura de sua obra, ler as coisas que ainda não li. Pelo que já vi de "Terras do Sem Fim", é uma boa retomada.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nenhum filme visto este fim de semana, que foi devidamente entregue à esbórnia. Sexta foi o aniversário de Fábio. No sábado fiquei em casa, mas o domingo foi dedicado ao "Forró do Molenga", evento anual no condomínio Horácio Costa, em Brotas. Também não vi nenhuma das séries que acompanho (não conta dois episódios de The Office que vi meio bêbado e não lembro de quase nada). A boa notícia é que, para o próximo fim de semana, me aguarda o DVD de Spartacus, o clássico de Kubrick. O filme traz Laurence Olivier e Kirk Douglas no elenco.

Ensopado

Aos poucos vou fazendo as pazes com a culinária. Este final de semana, cozinhei bastante. Praticamente o sábado inteiro de avental. E olha que na sexta entrei pela madrugada enchendo a cara no animado aniversário do meu amigo Fábio. Acordei sábado morto. Mas ainda assim segui o que me agendei pra fazer. Com a receita pescada de uma amiga, fui de frango ensopado com polenta. O frango ficou bom, mesmo usando apenas cebola, salsa, azeite, pimenta e sal. O negócio é temperar o frango (usei coxas) com o sal e a pimenta do reino. Depois que tomar gosto, dourar bastante no azeite. Em seguida, refoguei uma cebola grande ralada, acrescentei a salsa, e só então trouxe o frango dourado e água. Eloá não come frango. Fiz pra ela um ensopado de carne tradicional, daqueles com abóbora e quiabo. Ela também não se empolgou com a polenta. Mas sei o motivo, como usei caldo de galinha na preparação, deu aquele gostinho de frango que não agrada a quem foge da ave. Eu e minha filha comemos, repetimos, só faltou lamber os dedos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ingrato

Sou um filho ingrato. Demoro de ver ou dar notícias aos meus pais - tudo que não quero que minha filha faça comigo. Sofro por antecipação pensando em ser deixado de lado por ela no futuro. Ontem à noite fiz uma visita breve aos meus pais e levei a pequena comigo. Ela adorou o programa noturno. Meus pais reclamaram, fizeram a cena de sempre quando eu demoro pra fazer contato. Meu pai é pior que minha mãe nisso.

Minha filha antes de ir visitar os avós, tinha conversado com a mãe no skype (acompanhada de perto pelos meus olhos e pelo meu ciúme). Não tenho problema com a ex-mulher que é a mãe de um filho meu e que não vive mais comigo. Mas ficaria mais feliz se ela sumisse, fosse abduzida por aliens, mudasse de vez pro Cazaquistão, qualquer coisa assim... Entretanto sei que minha pequena sofreria se não visse mais a mãe. E eu sofro por ela ser tão apegada.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sabino

Já li um bom pedaço de "A mulher do Vizinho", de Fernando Sabino. São textos bons de ler, saborosos, que mais parecem rascunhos. Alguns já começam no meio de um diálogo, alguns terminam subitamente. Tem crônicas cuja história serve de justificativa para uma idéia. Parece anotação de algo que futuramente será desenvolvido, as historinhas não se parecem com algo que tem começo meio e fim. A crônica é um tipo de literatura flexível, abraça o cotidiano, as coisas do dia-a-dia, cabe tudo dentro dela. Sabino, em pedaços, vai desvendando um país que conhece, que vive. O autor se diverte muito com esse trabalho que, claramente, tem humor sem deixar de trazer algo de preocupação social. Prova disso é o texto "Notícia de jornal" e outros vários que expõem um político desonesto, um delegado servil ao poder, a máquina pública embolorada pela burocracia etc... É recorrente em Sabino as histórias banais, de botequim, de acontecimentos aparentemente desimportantes. Mas aí é que está a graça, extrair importância daquilo que é apenas a vida, em seu aspecto mais ordinário.

Confronto

Joguei dominó com minha filha pela primeira vez no sábado. Não fazia idéia que ela havia aprendido a jogar na casa da avó. Pois ela aprendeu. Me surrou, inclemente, com um placar de 20 x 11. Não acreditei naquilo. Ela só tem oito anos! Me senti um supercomputador derrotado por um humanozinho de nada. Não pode. No domingo, puto, esfregando as mãos, fui à forra. Me concentrei, estudei bem os lances, fiquei atento, até que finalmente bati nela com um 10 x 8. Minha amiga Marlla diz que ela continua em vantagem (e não precisa ser gênio pra concordar). Ela quer revanche. Eu quero reverter a vantagem dela. Mal podemos esperar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Começo a ler "A mulher do vizinho", livro de crônicas de Fernando Sabino, autor por quem tenho o maior apreço. É dos autores recorrentes no meu início de vida como leitor. Ler Fernando Sabino é voltar um pouco no tempo.

Arrasta-me...

Tive medo durante o filme "Arrasta-me para o inferno", do Sam Raimi. O filme é um exagero só e justamente por isso é tão bacana. Raimi não se leva a sério, brinca com o gênero, mói a protagonista (vivida pela atriz Alison Lohman), coitada, que sofre o diabo enquanto tenta se livrar de uma maldição. O dinheiro está por trás de algumas das motivações dos personagens. O filme pode ser lido como um conto moral que condena a ambição. Mas é curioso que o vidente e a médium que tentam ajudar a protagonista sejam também movidos por dinheiro. Mas não dá pra se apegar muito a isso. Raimi quis fazer um filme divertido e assustador. Conseguiu.

Vi também "Desejo e perigo", de Ang Lee. Me esforcei de início, o filme não me pegou de cara. Mas fui em frente, gosto de Ang Lee. A história se passa nos anos 40 durante a segunda guerra mundial e a ocupação de Hong Kong e Shangai pelas tropas japonesas. Acho que Ang Lee perde muito tempo até chegar ao ponto, o romance secreto entre um oficial japonês e uma atriz ligada à resistência local. Ela foi infiltrada para seduzir o oficial para que seus colegas possam eliminá-lo. A atriz que faz a espiã (Wei Tang) é boa em cena, fica dividida entre os dois lados em conflito e consegue ser bastante convincente. No fim, a sua personagem mostra que foi subjugada pelo amor, paixão ou algo nessa linha. Não é um filme banal. É uma experiência interessante. Uma das melhores cenas é aquela em que os resistentes matam um homem a facadas, é grotesca, arrepiante. Coisa parecida pode ser dita das inúmeras cenas de sexo. Brutais, intensas (especialmente a primeira). São cenas fortes, não estou certo se gostei ou não, mas causam impacto na tela.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ainda Vidas Secas

Leio um ensaio de Álvaro Lins sobre a obra de Graciliano Ramos. Achei incrível. Chama-se "Valores e misérias das vidas secas". O texto põe luz sobre a obra de Graciliano Ramos até ali (o ano é 1947): "Caetés", "São Bernardo", "Angústia", "Vidas Secas", "Infância" e "Insônia". Fala sobre qualidades e problemas nos livros, os quais o ensaísta separa entre romances, novelas, contos (e "alguns monólogos que não podem ser chamados de contos"). Mesmo claramente admirado com a grandeza de quem ele classifica como "um verdadeiro artista, um escritor da mais alta categoria", Lins não deixa de apontar fragilidades na obra, indicar desníveis entre livros, e separar o que é bom e o que é ruim dentro do mesmo livro. Lins se mostra um crítico honesto, sem concessões. Ele, por exemplo, destrói "Caetés", livro de estréia de Graciliano Ramos. Diz que é indigno de qualquer escritor, ainda mais se esse escritor é o mesmo autor de "Angústia" e "Vidas Secas", apresentados como exemplo de acabamento superior, obras-primas. Como seria bom se as pessoas que escrevem perseguissem a clareza de idéias, sem simplificar as coisas, e produzissem uma leitura tão deliciosa como a de Lins. Um dia chego lá.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Saudade

Feliz. É o meu nome desde que a minha pequena voltou de um período de mais de 20 dias em companhia da mãe. Ela está de férias, a mãe passa o ano inteiro longe. Esse foi o momento para estarem juntas. E o momento de eu ficar longe, mesmo contra a vontade, claro. Mas não brigo por isso, não ajo de forma mesquinha. Não que não queira (até quero), mas não pega bem. Tenho gostado de ser pai de uma menina. Venho aprendendo esse ofício, exerço miseravelmente, tateando, desde os primeiros dias. Ontem fui para o computador com ela mostrar como eram os desenhos que eu via na infância. Mostrei imagens de coisas da velhíssima guarda. Formiga Atômica, Galaxy Trio, Manda-chuva, Lula Lelé, Pepe Legal, Zé Colméia, Os Flintstones, Os Jetsons... Ela acompanhou tudo com a curiosidade de quem visita um museu. Mas, claro, quem disse que museus não podem ser divertidos? Depois disso, fomos jogar com a Turma da Mônica, atividade que a deixou bem mais interessada. Ela me segurou nisso, inclusive, bem mais tempo que eu planejava (apesar dos meus protestos). A pequena sabe que estou cheio de saudade. E ela aproveita, a malandra.

Graciliano

Terminei a leitura de "Vidas Secas", de Graciliano Ramos. É um negócio acompanhar essa família. A história se passa num recorte que se situa desde uma peregrinação inicial (para o que parece ser a morte certa) até uma peregrinação final para o que pode ser um encontro com a redenção. Graciliano sabe construir imagens. Ele trabalha o tempo todo dentro da cabeça dos personagens, nos leva até lá e descortina medos, aflições. Até a cachorra Baleia sofre o escrutínio e a vemos tornar-se um personagem que tem juízo sobre essa ou aquela atitude de seus donos e, como os outros, reage, sente carinho, medo, raiva, etc. (E que episódio lindo e triste, de um jeito terrível, aquele da perseguição ao animal). Fabiano domina a história. Que personagem! Difícil não se conectar imediatamente. Um homem sem nenhuma instrução, que não gosta de palavras (não sabe o que fazer com elas) nem de gente, parece mesmo um bicho. Ele vive bem com seu pequenino repertório textual e, no entanto, lá dentro dele, tudo acontece. Um inferno o consome. Tanta ternura, tanta miséria. Graciliano é grande. Sabemos que está ali descrito um retrato de uma gente específica, de uma região determinada. Sobre isso não há dúvida. Mas estão ali todos nós. Cabe a humanidade inteira nesse pequenino universo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sozinho

Se eu não fosse um dependente crônico de uma parceira de vida, viveria muito bem sozinho. Parece um paradoxo dizer isso, mas não é. Gosto muito de ficar sozinho. E meu casamento funciona com a instrução clara, honesta, de que preciso de meus momentos sem ninguém por perto. Adoro ficar só, fazer coisas sozinho, me mover em casa sem outra pessoa (vale para mulher, filhos e cachorro). Só eu mesmo, meus livros, discos, filmes, minhas receitas, algumas garrafas de vinho e, no máximo, minhas revistas de mulher pelada... ok, deleta essa última parte.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nova série, parece coisa muito boa, a julgar pelo episódio piloto: "Modern Family". E ainda comédia.

*

Muito bom o episódio final da quarta temporada de "The Office". De repente, um monte de coisa aconteceu num único episódio que deixou várias histórias no meio para a próxima temporada. Steve Carell é o protagonista Michael Scott, que nunca está menos que hilário em cada episódio. Não poucas vezes quem rouba a cena é o ator Rainn Wilson (talentosíssimo), que faz o personagem Dwight. O ponto alto são os textos. É uma ótima sacada trabalhar o dia-a-dia de uma pequena empresa e haja criatividade para tantas e tão inspiradas histórias. Nessa season four, até Eloá eu consegui arrastar para ver comigo alguns episódios. Vamos agora à quinta temporada.