Concluí "Memórias Póstumas de Brás Cubas" com a sensação de estar lendo pela primeira vez um livro que já tinha lido. Acho que sei explicar isso. Tem muito tempo desde a primeira leitura, que me causou uma pequena revolução na época. Eu tinha um sentimento todo diferenciado sobre alguns autores dos quais ouvia falar. E me parecia um terreno solene, formal, culto. Quero dizer, sem espaço para o jeito humorado e sardônico que Machado de Assis me revelou à época. Entendi que é possível para os grandes escritores serem imaginativos, fazerem literatura de alto nível, e ao mesmo tempo serem extremamente divertidos.
Neste livro, grande parte dele é dedicado ao amor proibido que Brás Cubas vive com Virgília. Não se trata de feitos notáveis de um grande homem. Mas da vida ordinária de um cidadão que viveu da herança do pai, não casou, brigou com a única irmã e quase não teve amigos. A visão do "defunto autor" é pessimista e a vida é levada sem grandes acontecimentos. A história é entrecortada, vai e vem no tempo, tem inúmeras pausas para relatar aspectos menores, reflexões curiosas, até a morte de uma borboleta, e por aí vai. O que poderia ser um relato sem sal, torna-se uma narrativa interessantíssima pela forma como Machado conduz a coisa.
Em geral, é uma curtição ler o escritor, qualquer livro, qualquer história. Por exemplo, por causa desse novo filme de Julio Bressane sobre obra de Machado, "A erva do rato", eu procurei para ler os contos em que o filme se baseia. Um deles é "O esqueleto". É sobre um homem que mantém em casa o esqueleto da ex-mulher e chega a fazer as refeições tendo o esqueleto à mesa, mesmo em presença da atual esposa que morre de medo de um hábito tão macabro. É uma situação absurda que se explica na história. A forma como é contada e como se dá o desenlace é coisa de mestre, envolvente até o fim. Machado é um escritor que não tem data. Não pertence ao século XIX onde nasceu. Parece cada dia mais atual.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Felizes
Queria fazer um estrogonofe com filé. E cachaça. Saiu no sábado, dia que viu grande movimento na cozinha. Eloá elogiou. Pensei em minha filha, que chegaria de viagem no domingo. É um dos pratos preferidos dela. Vá entender cabeça de criança. Ela gosta de pizza, lazanha, macarrão com molho de almondegas, frituras em geral e gosta de estrogonofe. Para compensar, forço a barra para ela tomar sopas, caldos e saladas. E fruta sempre, claro. No mesmo sábado, tinha feito ainda um ensopado de frango. Tenho estado com um desejo irrefreável por ensopado de frango. E, pensando na janta, fiz uma receita que lembrou um tempo, há muitos anos: sopa com osso de patinho. Delícia. Daí minha irmã liga no domingo. Estou indo praí. Ok. Mesmo tendo o que servir, achei por bem reforçar as coisas com panquecas recheadas com molho à bolonhesa. E uma saladinha para acompanhar. Até porque minha irmã não gosta de estrogonofe (e de nenhum prato que leve creme de leite). Comemos bem. Depois revimos (eu e Eloá) "Cassino Royale" para acompanhar minha irmã. Vontade não faltou de repetir o drink que me deu o maior porre no ano passado, dry martini, imitando a receita, recitada por Bond nesse filme, que leva vermouth, gin, vodka e raspa de limão. Mas estava quieto depois de umas cervejas até tarde no dia anterior. Ainda assim, creio que fomos muito felizes nesse fim de semana.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Setaro
André Setaro é professor da UFBA e crítico de cinema. Tenho saudade das suas aulas e, mais que isso, das suas tiradas. Estou matando um pouco da saudade com seu blog e agora com sua presença no twitter.
Uma das coisas que lembro bem dele é a descrição que fez do momento em que assistiu a "Psicose", não o original de Hitchcock, diretor que ele adora (e eu também, instigado por ele). Mas a versão de Gus Van Sant do clássico. Ele saiu do filme de Gus Van Sant e foi direto pro bar. E resumiu a cena assim: "Ver aquela porcaria me causou o maior prejuízo. Tive que tomar mais de dez chopes para passar o baque..."
Ele agora está no twitter e continua com suas opiniões. Olha o que diz sobre o cigarro: "Há algo mais prazeroso do que fumar um cigarro após tomar um cafezinho? Não conheço nada na vida que dê tanto prazer." E também: "Concordo que o cigarro é nocivo à saúde, mas defenderei até à morte os direitos dos fumantes terem-no como amigo e companheiro."
Continua sendo a mesma ótima figura que conheci.
Uma das coisas que lembro bem dele é a descrição que fez do momento em que assistiu a "Psicose", não o original de Hitchcock, diretor que ele adora (e eu também, instigado por ele). Mas a versão de Gus Van Sant do clássico. Ele saiu do filme de Gus Van Sant e foi direto pro bar. E resumiu a cena assim: "Ver aquela porcaria me causou o maior prejuízo. Tive que tomar mais de dez chopes para passar o baque..."
Ele agora está no twitter e continua com suas opiniões. Olha o que diz sobre o cigarro: "Há algo mais prazeroso do que fumar um cigarro após tomar um cafezinho? Não conheço nada na vida que dê tanto prazer." E também: "Concordo que o cigarro é nocivo à saúde, mas defenderei até à morte os direitos dos fumantes terem-no como amigo e companheiro."
Continua sendo a mesma ótima figura que conheci.
Convite
Revelo agora. Há alguns meses a modelo tudo de bom, Ana Beatriz Barros, me convidou para ser seu amigo no orkut (era fake?). Não importa. Aceitei. E deixei um recado para ela: "Aceitei seu convite. Agora aceita o meu: casa comigo?". Estou aguardando resposta.
Questão de gosto
Gosto se discute. Era o que dizia um querido, e muito capaz, professor da faculdade. A disciplina era "Estética". Falávamos, creio, a respeito de alguns alunos terem dito que não gostavam dos filmes de Glauber Rocha. E esses alunos se defendiam dizendo que era questão de gosto e que gosto não se discute. O professor argumentava que esse gosto fora construído, havia uma história por trás. E que, enfim, tudo é passível de discussão. Pode ser.
Apesar de admirar muito esse professor. Sobre esse assunto, eu gostava mais de um outro, da disciplina "Análise de filmes". Esse segundo professor chamava o diretor baiano ironicamente de "glauber rosas" (havia apelidos para todo mundo em suas aulas; Tom Cruise, que ele gostava de ridicularizar, era "Antônio Cruz"). Pois esse segundo professor não gostava de Glauber, dizia que seus filmes estavam a serviço de difundir sua visão politica do mundo. E filmes não são (ou não deveriam ser) veículos de uma teoria ou de uma "verdade", por mais nobreza que o seu autor ache que seu conjunto de idéias encerra.
Sei que é uma questão complexa, mas eu concordo com esse pensamento. Li um artigo recente comparando a perenidade de Charles Chaplin e a de Glauber Rocha. Diz o artigo que os filmes de Glauber estão hoje restritos a exibições minúsculas em espaços para aficionados, ou seja: morreu para o circuito comercial. Chaplin continua tendo seus filmes exibidos em mostras no mundo inteiro e mesmo na TV, de vez em quando, aparecem lá seus filmes com uma freqüência significativa.
Os filmes de Chanplin contam uma história antes de tudo. Mesmo que haja ali um pensamento sobre as coisas, não são filmes panfletários - nem mesmo "O grande ditador" ou "Tempos modernos", que se passam em períodos históricos específicos. Sou um apreciador que não cansa dos filmes de Chaplin. Outro dia vi "O circo" com minha filha de sete anos. Ela ria muito com as cenas e eu fiquei surpreendido com essa capacidade dos filmes atemporais.
Acho que é isso que aquele professor defende quando ataca os filmes que são apenas discursos travestidos em imagens. Eles não vão além de um período. Precisam de um contexto para fazer sentido. Gostava muito da personalidade elétrica de Glauber. E gosto de "O Dragão da Maldade..." e de seu antecessor, "Deus e o diabo na terra do sol", ironicamente o filme que ele declarou ser sua tentativa de fazer um western brasileiro. "Terra em transe" nunca me encheu os olhos. Apesar de um Paulo Autran alucinado e com a performance excepcional de costume.
Mas, enfim, não quero com isso dizer que meu gosto é selo de qualidade. Longe de mim. Até porque gosto, como tudo, é discutível.
Apesar de admirar muito esse professor. Sobre esse assunto, eu gostava mais de um outro, da disciplina "Análise de filmes". Esse segundo professor chamava o diretor baiano ironicamente de "glauber rosas" (havia apelidos para todo mundo em suas aulas; Tom Cruise, que ele gostava de ridicularizar, era "Antônio Cruz"). Pois esse segundo professor não gostava de Glauber, dizia que seus filmes estavam a serviço de difundir sua visão politica do mundo. E filmes não são (ou não deveriam ser) veículos de uma teoria ou de uma "verdade", por mais nobreza que o seu autor ache que seu conjunto de idéias encerra.
Sei que é uma questão complexa, mas eu concordo com esse pensamento. Li um artigo recente comparando a perenidade de Charles Chaplin e a de Glauber Rocha. Diz o artigo que os filmes de Glauber estão hoje restritos a exibições minúsculas em espaços para aficionados, ou seja: morreu para o circuito comercial. Chaplin continua tendo seus filmes exibidos em mostras no mundo inteiro e mesmo na TV, de vez em quando, aparecem lá seus filmes com uma freqüência significativa.
Os filmes de Chanplin contam uma história antes de tudo. Mesmo que haja ali um pensamento sobre as coisas, não são filmes panfletários - nem mesmo "O grande ditador" ou "Tempos modernos", que se passam em períodos históricos específicos. Sou um apreciador que não cansa dos filmes de Chaplin. Outro dia vi "O circo" com minha filha de sete anos. Ela ria muito com as cenas e eu fiquei surpreendido com essa capacidade dos filmes atemporais.
Acho que é isso que aquele professor defende quando ataca os filmes que são apenas discursos travestidos em imagens. Eles não vão além de um período. Precisam de um contexto para fazer sentido. Gostava muito da personalidade elétrica de Glauber. E gosto de "O Dragão da Maldade..." e de seu antecessor, "Deus e o diabo na terra do sol", ironicamente o filme que ele declarou ser sua tentativa de fazer um western brasileiro. "Terra em transe" nunca me encheu os olhos. Apesar de um Paulo Autran alucinado e com a performance excepcional de costume.
Mas, enfim, não quero com isso dizer que meu gosto é selo de qualidade. Longe de mim. Até porque gosto, como tudo, é discutível.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Cigarro
A personagem de Maria Manoella em "Nossa vida não cabe num Opala" senta ao lado do personagem de Jonas Bloch, que está fumando charuto. Eles estão numa churrascaria. Ela abre a bolsa, retira o isqueiro, acende um cigarro e traga. Lindo ver que nem todo mundo no cinema se dobrou aos tempos politicamente chatos. Imagine higienizar o mundo dessa forma, como se não existissem mais fumantes (como ocorre na maioria esmagadora dos filmes atuais). É a ficção que quer ficar presa na ficção, sem contato com o mundo real.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Banda larga
Não digo isso de todas as canções mas, no geral, estou gostando muito do disco "Banda larga cordel", o mais novo do Gil. Venho ouvindo nos últimos dias e especialmente nessa tarde de feriado, enquanto preparava algo preguiçosamente na cozinha. Por enquanto, minhas preferidas são "Despedida de solteira" e "Samba de Los Angeles".
Nossa vida etc...

O filme tem umas cenas desencaixadas, fora da história normal, em que os três irmãos, um de cada vez, são seduzidos por Sílvia, personagem da Maria Luiza Mendonça. Não entendo a função dessas cenas na história. Tudo bem que há outras "viagens" ao longo do filme, como a presença aqui e ali do fantasma do patriarca da família, papel de Paulo César Pereio. Mas desde o fantasma do pai de Hamlet, não são novidade mortos que voltam para conversar com os que ficaram. É uma referência reconhecível e compreensível. Na seqüência do estupro, me parece que há uma tentativa de acenar para o Plínio Marcos; mas acaba sendo teatro demais e realidade de menos, nem um pouco verossímel. Assim como alguns personagens que são caricaturais acima da média. A trilha irrita em alguns momentos, concorrendo com as cenas, conflitando com a ação dos personagens. Nesses assuntos de cinema cru e realidade dura, melhor ficar com um Cláudio Assis da vida. Seu cinema não me agrada de todo, mas não há como negar um tremendo talento para mostrar a miséria humana.
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1º de julho
Meu amigo Franklin comemora aniversário na próxima semana, primeiro de julho. E eu conheci Cássia Eller justamente cantando "Primeiro de julho", feita para ela por Renato Russo. E lembro sempre de Franklin quando ouço por causa da data. Uma das tantas vezes que estive com ele em seu aniversário, ficamos uns quatro ou cinco bravos amigos até a madrugada enchendo a cara e ouvindo - o quê mesmo? - acho que Clara Nunes (sim, era ela. A mais repetida era aquela incrível canção "Juízo final" de Nelson Cavaquinho, linda na voz de Clara.) Na minha cabeça, de vez em quando vinham pedaços de "Primeiro de julho". Engraçado, porque a música nada tem a ver com Franklin. Lembro também dele com as músicas da banda Karnak (ainda existe?). Ouvíamos muito enquanto eu falava mal da minha ex-mulher. É uma boa trilha para desancar ex-mulher. Vale experimentar. Semana que vem poderemos desenterrar essa e outras histórias.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Pelo menos o primeiro episódio que vi, achei muito bom. Falo da série "True Blood". Amanhã vejo mais alguns episódios. E desejando que siga um bom caminho... Boa parte do meu tempo foi dedicado a rever "Minha nada mole vida", a série com Luiz Fernando Guimarães, escrita pelo casal Fernanda Young & Alexandre Machado. Só coisas boas nesse feriadão...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
The Sarah Connor Chronicles

Alguns personagens dessa série são sub aproveitados demais para o meu gosto. É o maior pecado, porque é no elenco que está o maior lastro da trama (e nisso incluo a protagonista vivida por Lena Headey). Os efeitos não são novidade e não avançam nada em relação ao que se viu nos filmes. E a história é rocambolesca demais para segurar a atenção sozinha. São os atores que mais contribuem para o interesse nos episódios. A maioria está muito bem. E entre todos, o melhor ativo da série é o ciborgue que a Summer Glau interpreta (li depois que o nome do personagem, "Cameron", é uma homenagem ao diretor dos primeiros e ótimos filmes da grife "Terminator").
Também penso o quanto de legal poderia ser a série se explorasse mais o universo adolescente em torno do John Connor, como chegou a ocorrer em alguns episódios. Tudo indica que o caminho pensado era esse pelo elenco todo jovem e por grande parte das cenas da primeira temporada se passar numa escola. O desenvolvimento de John Henry, o robô em desenvolvimento, também foi um achado, permitiu bons diálogos, alguns dos melhores das duas temporadas. E a Summer Glau socando vilões também é muito bom. Quase tão bom quanto o close nas pernas de Sarah Connor no episódio piloto. Foi de deixar até máquina babando...
Almoço com os sogros
Fiz em casa no domingo um almoço para receber a sogra e o sogro. Eles queriam comer um feijão. Boa. É sempre ótima pedida para o fim de semana. Caprichei e não deixei de estar tenso em vários momentos, pensando que tudo daria errado. Mas deu muito certo. O detalhe interessante foi ter tido a feliz idéia de fazer diferentes tipos de salada para acompanhamento - fiz três tipos. Além, obviamente, da obrigatória farinha de mandioca e do arroz branco. E um molho de pimenta que ficou especial com o acréscimo de meia colherinha de mel. O almoço deu super certo, sogros felizes, elogios reiterados. Me servi apenas duas vezes, sou um rapaz educado. Depois que as visitas foram embora, pude me servir outras duas vezes e me dar por plenamente feliz. É nessas horas que acredito que a felicidade existe mesmo...
Dia de hambúrguer
Deu na telha de preparar hambúrguer. Usei o que tinha em casa e, não, não tinha patinho e picanha como ocorreu da outra vez. Mas calhou de ter soja e uma preguiça imensa de ir ao açougue. Soja então. Fiz uma mistura da soja (uma xícara e meia antes da hidratação) tempero com sal e pimenta, acrescento ovos (dois) e farinha de trigo (duas colheres). Pus no forno os discos (pense em almondega, só que achatada) por 30 minutos. O resto foi fácil: alface, tomate, pão quente, catchup (não gosto tanto) e mostarda (adoro). Montei os sanduiches e sentei à mesa com uma xícara de café. É verdade, foi o nosso café da manhã de hoje, praticamente um almoço, porque já eram mais de uma da tarde quando saiu a primeira mordida. Comi três espécimes. Grandes diferenças de um hambúrguer de carne? Sim, nítida. Graaaande diferença, imensa? Não. E matei a vontade. Ah, tá, e ficaram deliciosos. Tenho testemunha!...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Megan
Troco meu reino por uma coleção da GQ americana. Em julho, a capa tem Megan Fox. Ela tem falado umas coisas bobas, não é boa atriz, e eu odiei o seu filme "Transformers". Mas quem se importa com outras coisas depois que se depara com - para ficar num único pedaço dela - aqueles olhos?...

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My friend
De novo, os amigos. Tenho poucos, mas bons, o que para mim é suficiente. Pensava outro dia que todos eles têm um talento além do fato de serem meus amigos (o que é um diferencial, certamente). Em algum nível, todos são companheiros do humor cínico. Não seriam meus amigos se não fossem assim. Esse prólogo é para falar de um sofrimento real por um motivo inexistente. Uma amiga querida sumiu do meu radar e eu estava certo de que tinha feito alguma merd... que provocara o afastamento. Putz, declarava para as pessoas próximas que sentia falta daquele ser humano, muita. Daí o ser humano aparece, ela, e me faz a maior saudação, na cara limpa. Diz que sumiu, confessa, que está do outro lado do mundo (o Brasil é um mundo, não?) e que nada depõe contra a minha pessoa nos autos. Poxa, isso é que é alívio, sartisfação. Mas isso não se faz, ok, mocinha! Estava preocupado, tá? Obrigado por dar sinal de vida. Saudades, velho.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Marcela
Em maior ou menor grau, quem não teve a sua Marcela? Estou relendo "Memórias Póstumas...", de Machado, e é delicioso reviver essa história. Marcela é uma escrota, seduz o bobo do Brás Cubas, que lhe traz jóias e mais jóias como prova de amor. Ela aceita e estimula que ele lhe traga presentes caríssimos. Na hora que o coitado é obrigado a viajar à Europa, porque está causando um prejuízo enorme ao pai, ela lhe dá um pé na bund... Ele embarca à força para Portugal e traça um plano: sem que ninguém veja, intenta mergulhar no oceano repetindo o nome de Marcela. Felizmente, ele não consegue se matar e a história segue. Pelo que desnorteou o jovem Brás Cubas, dá para desconfiar do poder de fogo da moça, o quanto ela era encantadora. Não culpo o cara. Provavelmente, não faria diferente se estivesse em seu lugar.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Kate
Então quero ver ainda mais "O leitor" e "Foi apenas um sonho". Kate Winslet é uma coisinha que faz valer a pena cada um dos seus filmes. Lembrei de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" e "Pecados íntimos" (gosto mais desse último). Podia citar também o "Hamlet" de Kenneth Branagh e "Titanic" (yes, gosto muito do filme de James Cameron). Fui rever o único filme dela que tenho em casa. Chama-se em português "O amor não tira férias". E eu confesso sem problema que é uma comédia romântica da qual gosto bastante - pela Kate, sim, e pelo filme em geral. É um filme nostálgico com o cinema e é também banal. É bom de ver e melhor ainda de rever. Foi o que fiz pela terceira vez semana passada. Pode jogar pedra.
Limão
Nessas coisas de amor, às vezes é bom fazer de uma limonada um limão... Relaxe, não é para entender mesmo.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Luana

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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Memórias póstumas
Dizem que a gente vai ficando velho e começa a reler os bons livros. A sensação é que não temos tempo a perder com livro ruim. Então ao invés de arriscar, melhor ir direto aos que já sabemos de antemão que valem a pena. E nesse percurso nada supera os clássicos. Essa introdução é para revelar que estou a reler "Memórias Póstumas de Brás Cubas". É um dos melhores livros que já passaram em minhas mãos. Gosto de tudo que li de Machado de Assis, mesmo as obras da fase romântica, como "Helena" e "A mão e a luva". Acho que essa coisa de reler "Memórias Póstumas..." pode ser uma boa deixa para revisitar toda a obra de Machado. Eu estou ficando mesmo mais velho. E isso é ótimo.
Janela
Levanto a mão se alguém pergunta quem é favorável à atitude da Petrobras que criou o blog "Fatos e Dados". Que gol, hein! E a estatal está sendo acusada de publicar no blog não só os esclarecimentos e respostas que têm dado em entrevistas, mas também as perguntas enviadas por jornalistas. Pela primeira vez testemunho uma reação inteligente ao "posso tudo" que a imprensa pratica em nome dos seus próprios interesses. Quem acha que CPI é instrumento de investigação séria e não palco para a atuação de políticos profissionais e interesses mil tem muita fé na humanidade. Eu não tenho. Falei outro dia aqui que os grandes órgãos de imprensa têm poder demais e não querem que mexam em seus privilégios, mesmo que cometam erros que não são corrigidos com o mesmo destaque e prejuízos (intencionais ou não) à imagem de empresas e pessoas a torto e a direito. Essa reação da Petrobras é uma janela para o futuro. Nessa briga, estou com Luis Nassif: "Está se encerrando a era das informações seletivas para compor reportagens. Não restará outra alternativa senão fazer reportagens tecnicamente bem feitas, baseadas em fatos não questionáveis. Em suma, praticar jornalismo."
Mixou parcialmente meu tesão para ver "A mulher invisível". Depois de duas horas perdidas com "A mulher do meu amigo" do mesmo Cláudio Torres, fico assim com a pulga atrás da orelha. Pulga não, hipopótamo. E olha essa. Inácio Araújo saiu da sessão desse filme com trinta minutos de projeção. "Já perdi meu dinheiro, não preciso perder também o meu tempo", esbravejou. Parece que o filme vai bem comercialmente. Mas também... com a Luana Piovani limpando a casa de lingerie, fica difícil. Não sei o que faço. Ó céus, ó noite, ó azar...
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terça-feira, 9 de junho de 2009
A mulher do meu amigo
Tenho tentado acompanhar filmes nacionais e na medida do possível, vejo bastante coisa. Tinha uma certa esperança com a "A mulher do meu amigo", segundo filme de Cláudio Torres. Mas trata-se apenas de uma passatempo fraquinho, que irrita muito mais do que entretém. Não adiantou o diretor abusar da Mariana Ximenes em trajes de pecado. Essas imagens só servem mesmo para atrair trouxas como eu. É o tipo de filme que se a gente espremer não sai nada. Torres parece querer dar um verniz de preocupação social à coisa, mas não tem jeito, o filme é uma bobagem completa. Ok, ok, Otávio Müller é legal. E só.
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O exterminador do futuro - a salvação

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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Fico feliz com a bravura de Franklin. Ele está lançando seu segundo livro, chama-se "Encorado", de novo com dinheiro do próprio bolso. É um bravo, corre atrás, não pára de escrever. É um cara doce e ultimamente sem muita paciência para certas coisas. Mas é sempre um lorde com os amigos. E gosto quando ele conta suas histórias ou fala de idéias que tem para livros que ainda não escreveu. Sábado vamos contar algumas histórias. Espero que ele tenha parado com a maldita mania de abstinência alcóolica de semanas atrás. O mundo já anda chato demais sem o Franklin sóbrio, ele não precisa piorar as coisas.
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Luli
O chamado
Às vezes o telefone não pára. Detesto. Não há nada melhor que telefone mudo, de decoração. Seria fácil desligar os aparelhos, tirar da tomada, partir em mil pedaços com uma ferramenta. Mas temos aquela sensação de que estaríamos perdendo a oportunidade única de um chamado com aquilo que mais precisamos ouvir. Talvez um passaporte para outro mundo, outra vida menos ordinária. Talvez o porteiro avisando que a playboy do mês chegou, sei lá.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Ouço dizer que a SET ressurge, com nova edição agora em junho, o que é uma ótima notícia. Claro que depois de quase desaparecer, a revista vai ter que conseguir se manter comercialmente para que seu retorno dure. Talvez signifique um mergulho mais forte no entretenimento barato e mais distância de um conteúdo de qualidade e variedade dedicado ao cinema. Vamos aguardar para ver.
Era do escândalo
Ontem terminei a leitura de "A Era do Escândalo - Lições, Relatos e Bastidores de Quem Viveu as Grandes Crises de Imagem", de Mário Rosa. O livro tem o grande mérito de trazer essa discussão sobre os limites da imprensa e a falta de um controle mais rigoso sobre o setor. É fácil perceber o quanto qualquer um está desamparado - indivíduo ou instituição - ante o poder de fogo e a irresponsabilidade da imprensa. Sou a favor de uma legislação que regule melhor a atividade. Como está é que não pode ficar. O livro tem muita coisa boa, tem histórias ricas sobre alguns escândalos de grande repercussão nacional e várias reflexões importantes. Mais também tem problemas. O principal deles é a falta de editor. Em algumas histórias sobram detalhes desnecessários, em outras, falta informação para situar melhor o leitor. Outro problema: há relatos tão redundantes que dá vontade de morder o punho. Porque não cortar o excesso, Deus meu, num livro tão extenso?
O curioso é que quando o narrador da vez é bom, tem ritmo, é difícil parar de ler. Quando, por sua vez, o narrador é ruim, a vontade que dá é de ir saltando pedaços para acabar logo com o lenga lenga (confesso que saltei várias vezes). Outra coisa que prejudicou uma obra tão bem intencionada foi o didatismo excessivo. Mário Rosa explica na apresentação que fez isso de propósito. Putz, o que eu fiz a ele para merecer isso? Nada contra um livro que traga luz para situações práticas, que discuta teoria e argumente opções, que apresente autores e dialogue com o leitor. Tudo muito bem. Mas o livro não faz isso. Tenta, ok. O que não o impede de falhar miseravelmente. A sensação que dá é que o livro não avança na discussão que se propõe, não vai fundo na investigação das questões que levanta. Enfim, o livro é irregular. Quando é bom, é bastante bom como nos casos sobre o afundamento da plataforma P-36, o acidente com a aeronave da TAM ou o caso da Telefônica. É aquela coisa: a parte boa, o filé, apesar de ser em menor quantidade, compensa páginas e páginas de gordura e chatice.
O curioso é que quando o narrador da vez é bom, tem ritmo, é difícil parar de ler. Quando, por sua vez, o narrador é ruim, a vontade que dá é de ir saltando pedaços para acabar logo com o lenga lenga (confesso que saltei várias vezes). Outra coisa que prejudicou uma obra tão bem intencionada foi o didatismo excessivo. Mário Rosa explica na apresentação que fez isso de propósito. Putz, o que eu fiz a ele para merecer isso? Nada contra um livro que traga luz para situações práticas, que discuta teoria e argumente opções, que apresente autores e dialogue com o leitor. Tudo muito bem. Mas o livro não faz isso. Tenta, ok. O que não o impede de falhar miseravelmente. A sensação que dá é que o livro não avança na discussão que se propõe, não vai fundo na investigação das questões que levanta. Enfim, o livro é irregular. Quando é bom, é bastante bom como nos casos sobre o afundamento da plataforma P-36, o acidente com a aeronave da TAM ou o caso da Telefônica. É aquela coisa: a parte boa, o filé, apesar de ser em menor quantidade, compensa páginas e páginas de gordura e chatice.
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